# Mulher trans quer ser prefeita de cidade da Grande Vitória

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- Published: 2020-09-14T14:35:41-03:00
- Author: Gabriel Almeida

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Bia")

Bianca Biancardi quer ser a primeira mulher trans a concorrer à prefeitura de uma
cidade capixaba. Foto: Divulgação

Aos 52 anos, a empresária Bianca Biancardi quer ser prefeita de Cariacica. Ele é
mulher transgênero e diz que caso sua candidatura seja confirmada pelo Partido da
Mulher Brasileira (PMB) – a convenção da legenda será hoje (14) à noite – ela será
a primeira pessoa nesta condição a concorrer ao cargo de chefe do executivo de um
município capixaba.

Católica praticante e voz ativa no movimento empresarial de Campo Grande, polo comercial
onde tem um salão de beleza há 30 anos, Bianca concluiu o processo de transição 
sexual em 1999 com a cirurgia de mudança de sexo. Mas só em 2005 conseguiu alterar
o nome que tinha ao nascer, Elder Biancardi.

“Fui a primeira pessoa transgênero do Estado a ter novo nome reconhecido pela Justiça.
Fazer a transição era uma necessidade de juntar o psíquico ao corpo. Foi uma batalha
que comecei aos 15 anos e consegui concluir com a cirurgia aos 30 anos”, conta.

Bianca, que nunca concorreu a cargo eletivo, sabe que vai chamar muita atenção por
ser mulher trans tentando chegar a uma prefeitura. Mas gostaria que fosse reconhecida
não por isso, mas por suas propostas. “O fato de eu ser uma trans tentando concorrer
a cargo eletivo serve apenas para mostrar que todas as pessoas têm que ter direitos
iguais, não importa o gênero”, observa.

Dentre as propostas de Bianca, estão melhorias no polo comercial de Campo Grande,
que é o maior a céu aberto do ES, redução de cargos comissionados e secretarias 
na prefeitura de Cariacica sem prejuízo dos serviços prestados à população, além
de políticas de inclusão e assistência social. Dentre elas uma casa de acolhimento
e internação para idosos, centro de atendimento para moradores de rua, incluindo
aí atenção específica para as pessoas LGBTQI+ que também estão sem casa. O mesmo
ela também pretende fazer para crianças e adolescentes LGBTQI+ expulsos de seus 
lares e que para sobreviverem acabam caindo na prostituição.

Bianca acrescenta que também pretende implantar, em Cariacica, programas de qualificação
profissional anunciados pelo Ministério da Mulher, Família e Direitos Humanos. Tais
programas ainda não foram postos em prática pelo país. Vale lembrar que o Ministério
é comandado por Damares Alves, pastora evangélica que coleciona declarações controversas
acerca das questões de gênero e das minorias.

Para ser candidata à Prefeitura de Cariacica, Bianca precisa ser referendada pelo
PMB e depois registrada no TRE. O prazo para registro é até 26 de setembro.

**Polêmica  **

No último sábado, a coluna Universa que é dedicada ao público LGBTQI+ no site de
notícias  UOL, publicou matéria sobre a pré-candidatura de Bianca afirmando que 
ela é bolsonarista e conservadora. Ao Tempo Novo, Bianca disse que houve interpretação
equivocada a respeito das declarações que deu ao periódico.

Sobre esse tema, a assessoria de Bianca acrescentou que ela tem alguns posicionamentos
conservadores por fazer parte da Renovação Carismática Católica (RCC). E que já 
teceu críticas a algumas bandeiras e métodos do movimento LGBTQI+, mas negou que
Bianca seja bolsonarista.

A polêmica em torno do tema existe pelo fato do presidente Jair Bolsonaro (sem partido)
ter dado, ao longo de sua carreira política, diversas declarações homofóbicas e 
misógenas. Inclusive em 2017 o então deputado federal Bolsonaro foi condenado por
crime de incitação ao estupro após dizer à deputada Maria do Rosário (PT), durante
bate-boca entre os dois, que ela não merecia ser estuprada por ser feia e não fazer
o tipo dele.

Já presidente, Bolsonaro pediu desculpas à deputada. Mas só após ser obrigado pela
Justiça.
