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Moradores são flagrados abrindo a barra da Lagoa de Carapebus e ato pode causar morte de peixes

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Gabriel Almeidahttps://www.portaltemponovo.com.br
Gabriel Almeida é jornalista do Tempo Novo há mais de sete anos. Atualmente, escreve para diversas editorias do jornal.

Moradores são flagrados abrindo a Lagoa de Carapebus. Foto: Divulgação

A Lagoa de Carapebus – situada dentro da Área de Proteção Ambiental Estadual de Praia Mole (APA) – voltou a sofrer com constantes aberturas artificiais de sua barra, o que é considerado um crime ambiental. Um morador do bairro, que preferiu não se identificar devido ao medo de represálias, flagrou homens cavando a areia da praia para fazer com que as águas do manancial ‘vazem’ para o mar.

Quando a abertura ocorre, a lagoa fica praticamente vazia, se torna um pequeno fio de água e imensos bancos de areia se formam no manancial. A situação só é resolvida de forma natural, quando a areia volta a fechar o canal aberto, o que pode demorar dias para acontecer.

O morador que denuncia a situação afirma que a abertura artificial é algo que se tornou comum no bairro. De acordo com ele, a iniciativa tem como objetivo escoar a água para a prática de pesca e para evitar que casas construídas em áreas de invasão às margens da lagoa não sejam alagadas pelas águas.

“Alguns abrem para pescar porque com pouca água os peixes ficam confinados em poças; outros fazem para evitar alagamentos quando o nível da água da lagoa sobe. Só que esta prática, além de ser crime, atrapalha o comércio local, já que a lagoa é um atrativo para o turismo”, desabafa.

Um dos vídeos mostra três homens realizando o escoamento da água para o mar durante o dia. Já na segunda filmagem, outro homem, que aparenta ser um jovem, realiza o vazamento durante a noite.

É importante ressaltar que a abertura é proibida pela legislação federal de proteção aos mananciais. Além disso, a Lagoa de Carapebus também faz parte da APA de Praia Mole, estando protegida contra estes crimes.

Abertura pode causar mortandade de peixes

No início deste ano, milhares de peixes foram encontrados mortos na Lagoa de Carapebus. Foto: Divulgação

Um dos motivos apontados pelo denunciante como objetivo dos que praticam o crime ambiental é a pesca – prática esta que não é autorizada na Lagoa de Carapebus. Quando a lagoa é esvaziada, bancos de areia e pequenas porções de água se formam por toda a região, o que facilita a pesca predatória dos peixes do manancial.

Com isso, um processo que ocorreria de forma natural acaba sendo forçado antes de seu tempo; isso faz com que os peixes não consigam completar seus processos de amadurecimento. Também ocasiona na ida de peixes de água doce para o mar, o que gera morte por salinidade; leva peixes de água salgada para a lagoa; e pode causar mortandade dos animais no manancial, devido à baixa quantidade de oxigênio gerada pela diminuição do nível das águas.

O biólogo Cláudio Santiago frisou que as duas lagoas de Carapebus passam naturalmente por essa situação em épocas de chuvas e que interferir artificialmente neste processo é prejudicial.

“Começando pelas moradias irregulares próximas demais da lagoa; depois vem a abertura artificial de vazão para o mar no momento errado e a pesca predatória com redes e tarrafas”.

Ainda de acordo com Cláudio, a vazão acontece naturalmente e a natureza se encarrega sozinha de abrir e fechar sem precisar de intervenção humana. “Quando o homem interfere, normalmente o que foi aberto não é fechado e causa diversos impactos ambientais”.

Santiago disse ainda que algumas espécies de peixes se aproveitam desse processo natural para entrar na lagoa e fazer desova. “Tem peixe que só desova em água salobra, água doce. Pode parecer imperceptível, mas é importante para o equilíbrio. As pessoas que fazem a pesca na hora da vazão com rede ou com tarrafa estão cometendo crime. Pesca licenciada é com anzol. O que for diferente disso é proibido e é crime. Certamente tudo que foge do fluxo natural é errado e causa impacto”.

O biólogo ainda alertou que não se deve construir próximo a lagoas. “Se construíram uma casa tão rente a lagoa a ponto de qualquer chuva fazer com que o nível da água alague a casa deles, é porque construíram em local errado, impróprio e proibido; a Prefeitura não deveria permitir”.

Prefeitura diz que moradores podem denunciar situação

A Prefeitura da Serra informou, por meio de nota, que a Fiscalização Ambiental pode ser acionada pelo número (27) 99951-2321. “A equipe vai ao local e, caso a irregularidade seja constatada, a atividade é embargada e o responsável multado”, afirmou.

Lagoa também sofre por poluição, pesca predatória e ocupação irregular

Em fevereiro de 2021, moradores realizam protesto contra a degradação do manancial. Foto: Divulgação

A abertura do banco de areia não é o único problema enfrentado pela Lagoa de Carapebus. O manancial sofre degradação há anos, inclusive, recebendo grande quantidade de esgoto doméstico oriundo de residências que insistem em não realizar o ligamento destas moradias a rede de tratamento e destinação do esgoto.

Boa parte destas residências fazem parte de invasões realizadas – e não impedidas pela administração municipal – em terrenos localizados às margens das águas. A ocupação desordenada é um problema antigo da região. Assim como denunciado acima pelo morador, a pesca predatória também traz seus males ao manancial.

Outro problema enfrentado pela lagoa é a grande quantidade de pó preto trazido pelo vento as suas águas. Isso ocorre devido ao Complexo de Tubarão da Vale e Arcelor Mittal, que é vizinho próximo.

 

Gabriel Almeidahttps://www.portaltemponovo.com.br
Gabriel Almeida é jornalista do Tempo Novo há mais de sete anos. Atualmente, escreve para diversas editorias do jornal.

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