# Morador teme tragédia em prédio popular cheio de rachaduras

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- Published: 2016-09-22T16:40:00-03:00
- Author: Ana Paula Bonelli

A moradora Maria da Penha mostra rachadura na parede do seu apartamento que fica
no primeiro andar do bloco F, do residencial Parque dos Pinhos I, em Limoeiro. Foto:
Fábio Barcelos

_Ana Paula Bonelli_

Imagine investir e morar num imóvel que pode cair a qualquer momento? Pois essa 
é a realidade dos moradores do bloco F do condomínio Parque dos Pinhos I, em Jardim
Limoeiro. O prédio pertence ao Programa de Arrendamento Residencial (Par) da Caixa
Econômica Federal. O edifício está com rachaduras nas paredes e no chão, estalos
são ouvidos durante a noite, e é nítido o desnivelamento no piso dos apartamentos.
Vinte e quatro famílias moram no local.

O técnico em automação Hemerson Magesck mora no 4º andar e disse que convive com
o medo diariamente. “Moramos aqui há cinco anos e desde a chuva de 2013, muitas 
rachaduras começaram a aparecer. Seis meses depois de mudarmos para cá, ficamos 
sabendo através de outros moradores que o prédio já havia sido desocupado uma vez,
por conta do mesmo problema. Quando pegamos o apartamento a Caixa disse que estava
100%”, reclama.

Magesck disse o sentimento dos arrendatários é de total descaso. “A Caixa sabe que
tem problema e não resolve. Tem gente que tem para onde ir, tem gente que não. Ficamos
aqui esperando a solução. Quero poder deitar a cabeça no travesseiro e dormir um
sono gostoso, porque hoje isto não é possível”, lamenta.

Moradora do primeiro andar, Maria da Penha Silva disse que passa semanas fora dormindo
na casa das irmãs e da mãe por medo.  “Já perdi armários de cozinha, guarda-roupa
e persianas. Tenho medo de ficar aqui e essa estrutura desabar e acontecer uma tragédia”,
diz.

[⌊Hemerson quer que a Caixa tome providência com relação ao problema. Já Penha, 
nem dorme mais em casa. Foto: Fábio Barcelos⌉⌊Hemerson quer que a Caixa tome providência
com relação ao problema. Já Penha, nem dorme mais em casa. Foto: Fábio Barcelos⌉[

Hemerson quer que a Caixa tome providência com relação ao problema. Já Penha, nem
dorme mais em casa. Foto: Fábio Barcelos

Já o motorista de transporte escolar, Jan Carlo Fontainha, morou no bloco F, logo
quando o empreendimento foi entregue em meados de 2004, e teve que sair às pressas
por conta do mesmo problema, em 2008. Ele foi remanejado para um prédio vizinho,
também da Caixa.

“Fiz rebaixamento de gesso, sancas, gastei mais de R$ 10 mil. Entrei na Justiça 
contra a Caixa e só consegui R$ 5 mil de indenização. Quando surgiu oportunidade
de quitar o apartamento atual, fui impedido, porque a Caixa disse que eu só poderia
quitar se abrisse mão do processo judicial”.

**Caixa garante que não tem perigo**

Por meio de sua assessoria a Caixa Econômica esclareceu que a Construtora Littig
Engenharia realizou estudos no local e contratou a empresa Sá Ferreira Engenharia
com objetivo de apresentar estudo técnico conclusivo, atestando a estabilidade e
solidez do prédio.

O laudo concluiu que não existe risco à estrutura do edifício. Foi constatada  apenas
a necessidade de execução de reparos internos, tais como nivelamento do piso, em
diversas unidades, que são de responsabilidade da construtora Littig. Foi enviado
comunicado formal para todas as unidades, informando da necessidade, e aguarda a
liberação de acesso por parte dos moradores.
 Já a Defesa Civil Municipal da Serra
disse por meio da assessoria de imprensa da Prefeitura que foi acionada e realizou
vistoria no local em outubro de 2015 em conjunto com a Defesa Civil Estadual. O 
condomínio foi orientado a solicitar as intervenções por parte da construtora.

**Confira mais fotos do interior de um dos apartamentos:**

 [](https://www.portaltemponovo.com.br/wp-content/uploads/2016/09/DSC00078.jpg)

 Rachaduras na cozinha. Foto: Fábio Barcelos

 [](https://www.portaltemponovo.com.br/wp-content/uploads/2016/09/DSC00080.jpg)

 Guarda-roupa destruído por conta do desnivelamento do prédio. Foto: Fábio Barcelos

 [](https://www.portaltemponovo.com.br/wp-content/uploads/2016/09/DSC00065.jpg)

 Rachadura na parede da sala. Foto: Fábio Barcelos
