# Mesmo apoiado por Casagrande, seria Marcelo Santos o maior opositor ao governador?

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- Published: 2024-07-20T10:36:35-03:00
- Author: Yuri Scardini

A Serra se tornou o centro de uma acalorada disputa que envolve o partido União 
Brasil e que já transbordou para o coração do Governo e da Assembleia. Até então
tidos como aliados, ao que parece, o governador Renato Casagrande (PSB) e o presidente
da Assembleia Legislativa estão flagrantemente em lados opostos.

Contextualmente, a Serra é uma cidade estratégica para Casagrande no que diz respeito
à eleição de 2026, quando ele precisará apresentar uma linha de sucessão. Atualmente,
a Serra é governada pelo prefeito Sérgio Vidigal (PDT), que é um aliado umbilical,
tendo comprovado tal aliança na eleição de 2022, quando foi um dos prefeitos mais
aguerridos na campanha de reeleição de Casagrande.

Ocorre que, atualmente, o grupo que ameaça Casagrande no Espírito Santo é o partido
Republicanos, que tem um projeto político consolidado na Serra: a candidatura do
deputado Pablo Muribeca a prefeito. Tal projeto se mostra de oposição extrema a 
Vidigal, até mais do que o próprio ex-prefeito Audifax Barcelos (PP), que mantém
mais de uma década de rivalidade com Vidigal.

Em hipótese de sucesso de Pablo e do Republicanos, é muito evidente que a Serra 
se tornará a porta de entrada para que esse grupo se estruture e enfrente o governador
em 2026.

É nesse aspecto que entra Marcelo Santos. Recentemente, ele se filiou ao União Brasil.
Habilidoso e articulador, Marcelo é também muito próximo de Pablo e do Republicanos.
Durante essa semana, surgiram especulações de que o União Brasil, que antes estava
no leque de apoio de Vidigal na Serra, iria passar para o controle de Pablo. Tais
especulações se confirmaram na noite dessa sexta-feira (20), através de um movimento
politicamente articulado por Marcelo Santos.

Não é algo trivial, considerando que o União Brasil é um partido endinheirado e 
pode injetar muitos recursos oriundos dos fundos públicos de financiamento eleitoral.
Esse é um aspecto central para a campanha de Pablo. Dessa forma, o presidente da
Assembleia patrocinou um movimento que apunhalou um dos maiores aliados de Casagrande.
Além disso, patrocinou um movimento que, em sua essência, visa derrubar o próprio
governador do poder em 2026.

Marcelo Santos se tornou presidente da Assembleia no início do ano passado, em uma
brusca manobra organizada e executada pelo próprio Casagrande. Na época, o deputado
Vandinho Leite já havia criado consenso entre a maioria dos deputados e estava praticamente
consolidado na presidência. Eis que, nos ’45 minutos do segundo tempo’, Casagrande
entrou em campo, desarticulou Vandinho e elevou Marcelo à condição de candidato 
do governador, sob o argumento de ser ele o “aliado mais próximo na Assembleia”.
Um ano e meio depois, tal aliança se mostra frágil ao ponto de Marcelo fazer uma
intervenção direta na cidade mais estratégica para os planos de Casagrande.

Nesse sentido, já se especula sobre as intenções de Marcelo Santos, uma vez que 
sua trajetória na Assembleia pode se esgotar em 2026. Aproveitando-se de um hipotético
mandato de presidente (caso seja reeleito) e de uma hipotética vitória do grupo 
que ele está apoiando, encabeçado por Pablo na Serra, não estaria Marcelo Santos
desejando algo maior? Tal como o Senado Federal ou até o Governo do Estado? São 
situações possíveis de serem imaginadas para alguém que, em tese, caso tenha sucesso,
estaria estruturado na cidade com maior eleitorado e protegido pelas condições que
um presidente da Assembleia detém.

Na verdade, dadas essas variáveis, Marcelo faz uma clara oposição ao governador.
Pode não ser o tipo de oposição barulhenta e estridente, como fazem os bolsonaristas,
por exemplo, mas sim uma oposição com sorriso no rosto, abraços e apertos de mãos,
que talvez seja até pior, politicamente falando, já que é muito mais eficiente. 
Seria Marcelo o principal opositor de Casagrande no ES? É uma pergunta que o PSB
precisa se fazer.

De qualquer forma a Serra, novamente, se revela a joia da coroa no que diz respeito
aos arranjos estaduais, sendo o campo de combate mais aberto e importante para 2026.
A mudança de postura do União Brasil é uma sinalização muito forte de que a briga
vai ser grande, e que Marcelo e Casagrande não são tão aliados assim. O lamento 
fica para o PSDB, de Vandinho, que pagou essa conta em 2022, mesmo se mostrando 
realmente leal à aliança com o PSB.
