# Mega galpões na Serra comprovam vocação de retroárea para Aracruz no contexto do Parklog

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- Published: 2024-10-21T16:02:51-03:00
- Author: Yuri Scardini

![Aracruz](https://www.portaltemponovo.com.br/wp-content/uploads/2024/10/design-
sem-nome-49-1024x576.jpg)

Crédito: divulgação.

A cidade de Aracruz é uma das “galinhas dos ovos de ouro” do Espírito Santo, no 
que se refere às expectativas de crescimento econômico. Há algum tempo, debate-se
as possíveis vantagens e desvantagens para a Serra decorrentes desse processo. Nesse
contexto, os acontecimentos já sinalizam uma perspectiva otimista. A Serra tende
a se tornar uma retroárea estratégica que pode sustentar o crescimento da cidade
vizinha, resultando em um novo marco para seu próprio desenvolvimento, especialmente
na ampliação de sua vocação logística.

Na semana passada, a Serra foi contemplada com o lançamento oficial das obras do
[Complexo SerraLog](https://www.portaltemponovo.com.br/serra-vai-ganhar-mega-condominio-logistico-com-220-mil-metros-quadrados-de-galpoes/),
um conjunto de mega galpões em Campinho da Serra, região da Serra Sede. Isso demonstra
que tanto o setor público quanto o privado reconhecem o município como parte integrante
do processo de transformação econômica de Aracruz, e não como um competidor, dissipando
assim o receio de fuga de investimentos.

O complexo, que promete ser o maior conjunto de galpões industriais do município,
é fruto do investimento do empresário Antônio Carlos Torres, um dos fundadores do
Grupo Fortlev e um dos investidores mais estratégicos do Espírito Santo. Com mais
de 200 mil metros quadrados de área construída, o empreendimento será dividido em
fases. A primeira, prevista para ser concluída até março de 2025, inclui um galpão
de 70 mil metros quadrados, já alugado por uma grande empresa de atuação nacional.
Esse projeto confirma a consolidação do setor logístico na Serra, destacando o próximo
passo: firmar-se como a retroárea de Aracruz.

A cidade vizinha deu início a um ciclo expressivo de crescimento, especialmente 
impulsionado pela inclusão de seu território na área de abrangência da Sudene em
2021. Esse avanço se soma à construção, ampliação, modernização e dinamização de
novas áreas portuárias que estão prestes a ser entregues, além da instalação da 
primeira Zona de Processamento de Exportação ([ZPE](https://www.gov.br/mdic/pt-br/assuntos/zpe))
privada do país. Também fazem parte dessa lista o aeroporto privado em Aracruz e
o regional em Linhares. Investimentos bilionários que têm atraído a atenção de diversos
setores econômicos, colocando Aracruz no mapa brasileiro para a atração de capital
privado nos próximos anos.

Todo esse arranjo está inserido em um modelo estratégico defendido pelo Governo 
do Espírito Santo, chamado Parque Logístico Espírito Santo, o Parklog. Dentro desse
macroprojeto, destaca-se a construção da variante da Serra do Tigre (MG), que promete
melhorar a conexão entre a malha da Ferrovia Centro-Atlântica (FCA) e a da Estrada
de Ferro Vitória a Minas (EFVM), consolidando assim o corredor Centro-Leste. Esse
conceito antigo visa colocar o Espírito Santo na rota de escoamento da economia 
mineira e goiana. Trata-se de um projeto robusto e complexo, tanto econômica quanto
politicamente, mas, se implementado, ampliará exponencialmente o crescimento de 
Aracruz.

Vizinha a esse fenômeno está a Serra, com sua capacidade de sustentar esse crescimento,
e a cidade já está se preparando para isso. O Serra Log, por exemplo, estará estrategicamente
localizado próximo à ES-115, também conhecida como Contorno de Jacaraípe. A nova
via deve ser inaugurada em breve e conectará o polo industrial e de distribuição
da Serra ao Parque Logístico de Aracruz. O trajeto, que antes levava quase duas 
horas ao passar pela estreita Abido Saad ou pela BR-101, poderá ser percorrido em
cerca de 40 minutos após a inauguração. A próxima fase do projeto será o Contorno
de Santa Cruz, uma extensa rodovia com uma nova ponte sobre o Rio Reis Magos, que
contornará a região litorânea de Fundão e Santa Cruz, conectando a Serra diretamente
ao centro logístico e portuário de Aracruz.

O Serra Log é a prova de que a cidade da Serra está vocacionada para ser a retroárea
de armazenamento, manuseio e movimentação de cargas, antes ou depois do embarque/
desembarque, no contexto efervescente de Aracruz. Na prática, a Serra funcionará
como uma extensão das zonas portuárias, auxiliando no fluxo eficiente de mercadorias
e servindo como ponto de apoio para atividades logísticas e de transporte no norte
do Espírito Santo. O Serra Log é um ponto-chave nesse contexto, sendo um dos maiores
investimentos privados em galpões logísticos no Espírito Santo, com um valor estimado
de R$ 400 milhões ao final de todas as etapas da obra.

Embora Aracruz tenha um território vasto, não dispõe da mesma infraestrutura que
a Serra, tampouco da oferta de mão de obra e serviços. Além disso, apesar de ser
territorialmente maior do que a Serra, Aracruz enfrenta limitações para a atividade
imobiliária empresarial, já que grande parte das áreas pertence à gigante da celulose,
Suzano, e outra porção significativa é composta por reservas indígenas protegidas
por rigorosa legislação federal.

Se a Serra continuar a fazer seu “dever de casa” em relação à construção de novas
rodovias, como o Contorno de Jacaraípe e o Contorno de Santa Cruz, além de manter
a pressão pela duplicação da BR-101 Norte e avançar em obras internas, como a variante
de São Domingos e a ligação do Civit II à BR-101 via Taquara, a questão da mobilidade
urbana será equacionada. Essas intervenções públicas irão potencializar o que os
investidores já perceberam, especialmente com o recém-inaugurado Serra Log: a retroárea
de Aracruz está na Serra.
