22.3 C
Serra
quinta-feira, 28 de Maio de 2020

Matas, alagados e 168 espécies de animais no caminho do Contorno do Mestre Álvaro

Leia também

Indústria cobra e Estado diz que está liberando crédito para empresas

Nesta quinta-feira (28) a Federação das Indústrias do Espírito Santo (Findes) divulgou carta aberta em que cobra o governo...

Queima de pneus todos os dias incomoda moradores de bairro da Serra

Na região de Feu Rosa e uma parte de Portal de Jacaraípe a reclamação é a fumaça gerada pela...

Covid-19 também provoca epidemia de desemprego na Serra

Locomotiva econômica e município de maior população do ES, a Serra é a cidade com mais demissões nesta pandemia...
Bruno Lyrahttps://www.portaltemponovo.com.br
Repórter do Tempo Novo há mais de 10 anos, Bruno Lyra escreve para diversas editorias do portal, principalmente Economia e Meio Ambiente, das quais é o responsável.

Nova estrada deverá ter passagens para animais silvestres e fazer compensação ambiental. (Foto: Fábio Barcelos)

Com as obras iniciadas há duas semanas, o Contorno do Mestre Álvaro vai provocar irreversível impacto ambiental numa das últimas fronteiras não urbanizadas da Serra, abrangendo terrenos alagados, alagáveis, mata Atlântica em estágios diferentes de recuperação, pastagens e plantações. Além de habitat de espécies nativas de plantas e animais, a estrada cortará o corredor ecológico Duas Bocas – Mestre Álvaro, área de grande biodiversidade e trânsito de animais entre as duas reservas ambientais.

Para reduzir os impactos negativos ao meio ambiente, uma série de medidas deverá ser adotada pelo Departamento Nacional de Infraestrutura e Transporte (Dnit), executor da obra. Medidas estas estabelecidas pelo Estudo de Impacto Ambiental (EIA) aprovado pelo Instituto Estadual de Meio Ambiente (Iema), licenciador do empreendimento.

Uma das medidas previstas é a instalação de passagens de fauna, que podem ser tanto túneis por baixo da pista quanto pontes para que bichos possam atravessar em segurança. Também está prevista a instalação de redutores de velocidade em pontos próximos a alagados e florestas, onde se presume que o fluxo de animais seja maior.

O EIA prevê que 168 espécies de animais sofrerão com a estrada, e alerta que algumas poderão ser extintas da região, sendo: 68% aves, 11% mamíferos, 10% anfíbios, 6% répteis e 5% peixes. 

De vegetação, serão destruídos 30 hectares (ha), com 63 espécies, para passar a pista de 18,26 km entre o polo Jacuhy, Rodovia do Contorno de Vitória, e as imediações do posto da Polícia Rodoviária Federal, na região de Serra Sede. A faixa de domínio – que inclui pista, acostamento e ciclovia, mais as bordas do talude do aterro – terá 60 metros de largura.

Desses 30 ha, 24 ha são de vegetação de brejo, 5,5 ha de mata Atlântica (um hectare em estágio médio e 4,5 hectares em estágio inicial de regeneração).

O estudo aponta, também, a necessidade de proteger bordas de talude durante e após as obras para reduzir o assoreamento dos brejos e córregos da região que integram bacias do rio Santa Maria/Canal dos Escravos e rio Reis Magos; da mesma forma que impõe a tarefa de recuperar áreas degradas pela obra e, ainda, a necessidade de garantir o fluxo de água nos córregos, minimizando o efeito dique que a estrada deve gerar.

O EIA revela, também, a presença de solos de turfa com até 10 metros de profundidade na região e a existência de quatro sítios arqueológicos.

Compensação ambiental na Serra e em Cariacica

Como é uma obra de grande impacto à natureza, ela terá que pagar compensação ambiental no valor de pouco mais de R$ 1 milhão. Serão beneficiadas a Reserva Biológica de Duas Bocas, além das Áreas de Proteção Ambiental do Mestre Álvaro e do Morro do Vilante, essas duas últimas na Serra.

De acordo com a secretária de Meio Ambiente do município, Áurea Galvão, as Apas da Serra, administradas pela Prefeitura, dividirão R$ 800 mil da compensação ambiental. A secretária ressaltou, ainda, que tem dialogado com o Iema para ações em conjunto de fiscalização da obra.

Comentários

Mais notícias

Queima de pneus todos os dias incomoda moradores de bairro da Serra

Na região de Feu Rosa e uma parte de Portal de Jacaraípe a reclamação é a fumaça gerada pela insistente queima de pneus que...

Covid-19 também provoca epidemia de desemprego na Serra

Locomotiva econômica e município de maior população do ES, a Serra é a cidade com mais demissões nesta pandemia de coronavírus. Em abril, 5.605...

VOCÊ TAMBÉM PODE LER

CONTEÚDO PATROCINADO

Comentários
close-link
close-link
CLIQUE AQUI e receba as principais noticias sobre o coronavírus na Serra e no ES pelo seu WhatsApp
error: Não copie! Compartilhe o conteúdo!