# Literatura é direito de todos, livro não é privilégio

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- Published: 2021-04-19T11:59:20-03:00
- Author: Gabriel Almeida

_**Por Joana Herkenhoff**_

![](https://www.portaltemponovo.com.br/wp-content/uploads/2021/04/joana.jpg "joana")

Professora da Rede Municipal da Serra

Doutora em Letras pela Ufes

Escritora residente no Centro Cultural Eliziário Rangel

Conheça seus poemas na conta de Instagram [@aloucadeespanha](https://instagram.com/aloucadeespanha?igshid=f5po16nv5rz6)

Abril é o mês do livro, em que se comemoram o **Dia Internacional do Livro Infantil**(
02/04), o **Dia Nacional do Livro Infantil** (18/04) e o **Dia Mundial do Livro**(
23/04). Em meio às dificuldades que temos vivenciado com o agravamento da pandemia,**
o livro** — em especial os livros de literatura — tem sido **companhia, refúgio 
e alento** para seus leitores. Esse contexto reforça ainda mais a necessidade da
defesa do acesso ao livro como um direito para todos e não como privilégio dos ricos,
conforme afirmado pelo ministro Paulo Guedes, em justificativa ao encaminhamento
ao Congresso de proposta de taxação dos livros, que hoje são imunes a impostos por
serem considerados bens essenciais, segundo a Constituição Federal.

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[CUNHA, Léo](https://www.youtube.com/watch?v=1NVtM9CVTp0). Cantigamente. Ilustrações
Marilda Castanha. Rio de janeiro: Ediouro, 1998.

A [pesquisa Retratos da Leitura no Brasil](https://www.prolivro.org.br/5a-edicao-de-retratos-da-leitura-no-brasil-2/apresentacao/)(
2020) mostra exatamente o contrário do argumento falacioso do ministro ao indicar
que a parcela mais pobre da população mantém índices constantes quanto a hábito 
de leitura de livros, enquanto os números de leitura das classes A e B estão em 
queda.

Nesse mesmo sentido, o professor e sociólogo Antonio Candido defendeu que, para 
pensarmos o que são direitos humanos, é preciso partir do pressuposto de que aquilo
que é indispensável para mim e, portanto, um direito, também é um direito para o
próximo. Para esse autor, a literatura, é um direito fundamental, assim como saúde,
alimentação, moradia, pois como “sonho acordado da humanidade”, ela possibilita 
o exercício da imaginação, a restauração do nosso equilíbrio, inclusive psíquico,
nos tornando mais humanos e sensíveis ao outro. Assim, literatura é um direito e
livro não é privilégio.

**Os livros de literatura infantil são muito importantes na alfabetização e na formação
do leitor para a vida toda. **

Com a “revolução digital” (Chartier), provocada pelo incremento do uso das tecnologias
de informação, radicalizado na atualidade pelo uso massivo dos smartphones, pela
proliferação de aplicativos e redes sociais, as práticas de leitura e escrita se
tornaram mais presentes na vida das pessoas de um modo geral, podendo gerar certa
ilusão de autoria e participação na cultura escrita. Entretanto, sabemos que essas
práticas de leitura não substituem os livros, principalmente os livros de literatura
infantil e juvenil, pois estes propiciam uma experiência singular de leitura, sendo
muito importantes na alfabetização e na formação do leitor para a vida toda. Além
disso, há muito que avançar para que todos tenham acesso a esses recursos tecnológicos.

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No contexto do isolamento social, por meio da mediação dos professores e pais, **
os livros de literatura infantil e juvenil, podem promover o vínculo das crianças
e adolescentes com a escola, assegurando-lhes o direito de continuar aprendendo**,
além de lhes despertar a imaginação, faculdade tão necessária para alimentar nossa
esperança em dias melhores.

Abril seria um ótimo mês para o anúncio de políticas públicas para o fomento de 
leitura, mas o que faz o governo federal? Planeja ações para tornar o livro ainda
mais caro e inacessível a quem mais precisa dele. Portanto, é importante defender
o acesso ao livro como direito humano.

**Aqui no estado temos uma produção antenada com as novas tendências do gênero, 
com livros bem produzidos e ilustrados**

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Para que todos possam ter assegurado o direito de acesso ao livro, é preciso, políticas
para democratizar a produção, circulação e difusão do livro.  Para tanto é fundamental
valorizar o trabalho dos profissionais da cadeia do livro, especialmente as pequenas
editoras, as editoras locais e os autores capixabas. Temos hoje uma produção antenada
com as novas tendências do gênero, com livros bem produzidos e ilustrados, com o
cuidado estético com a linguagem, abordando temáticas relevantes e significativas
para as crianças e adolescentes.

Para concluir nossa conversa de hoje, trago uma paródia (?) do clássico**_ _O Reizinho
Mandão** de **Ruth Rocha, em que **um garoto mimado e mal-educado é quem governa
o lugar.

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ROCHA, Ruth. [O reizinho mandão](https://www.youtube.com/watch?v=2IHT2LuINyc). 27.
ed. São Paulo: Salamandra, 2013.

**Era uma vez um reizinho mandão**, que enganou o povo e se elegeu com a promessa
de armar as pessoas e assim o fez. Em troca, censurou livros, aumentando seu preço,
por considerar que o povo não precisava nem de pão nem de circo, muito menos de 
livros!

Com o tempo, as pessoas foram ficando cada vez mais intolerantes, pois passaram 
a acreditar no mito de [uma história única](https://www.youtube.com/watch?v=qDovHZVdyVQ)
e se esqueceram de como era dialogar com pessoas que pensavam diferente e se tornaram
violentas.

Como tinham armas e não tinham livros para ler e conhecer outras histórias, as coisas
não estavam indo bem. Até que um dia…

O desfecho dessa história está em nossas mãos. Vamos escrever uma história mais 
bonita para todos nós!

Para Apoiar a causa da leitura e do livro, assine o [Abaixo Assinado Defenda o Livro](https://www.change.org/p/defenda-o-livro-diga-n%C3%A3o-%C3%A0-tributa%C3%A7%C3%A3o-de-livros?recruiter=921065902&utm_source=share_petition&utm_campaign=psf_combo_share_abi&utm_medium=whatsapp&utm_content=washarecopy_23984249_pt-BR%3A0&recruited_by_id=e7d6f0d0-f89c-11e8-a77c-7d54b0b445a0),**
diga não à Tributação de Livros. **

**Referências**

CANDIDO, Antonio. _Vários Escritos._ 4. ed. Rio de Janeiro: Ouro sobre Azul. São
Paulo: Duas Cidades, 2011.

CHARTIER, Roger. _A aventura do livro:_ do leitor ao navegador. Trad. de Reginaldo
Carmello Corrêa de Moraes. São Paulo: Unesp, Imprensa Oficial do Estado de São Paulo,
1999.

**Livros de literatura infantil**

 * ARAÚJO, Gió. **Mirandinha, a menina que queria pegar uma estrela**. Ilustrações
   Gió Araújo. Belo Horizonte: Nandyala, 2019.
 * CAMPOS, Ítalo. **Confetes**. Lustrações Lécia Lucas. Vitória: Arte da Cura, 2017.
 * FILHO, Ilvan. **Uma casinha lá no alto**. Ilustrações Ilvan Filho. Vitória/ES:
   Muqueca editorial.
 * MENENGUCI, Lilian. **A criança mágica**. Ilustrações Rosária Vitória Pequena 
   cousa 2017.
 * MIRANDA Marina**. Aranã e a cacimba.** Ilustrações Cristina Bruno. Vitória, Es:
   Edição do autor, 2018.
 * NUNES, Pedro J. **O tapete de Zezé**. Ilustrações Frederico Leão. Vitória/ES:
   Arte da Cura, 2016.
 * RIBEIRO, Francisco Aurélio. **Clarissa e o beija flor e outras histórias**. Ilustrações
   Thiago Rezende Setúbal. Vitória: Secretaria de Estado de Cultura, 2017.
 * SODRÉ, Paulo Roberto. **O pássaro de fogo**. Reconto. Ilustrações Icléa Santos.
   Vitória: Cândida, 2020.
 * TAETS, Silvana Pinheiro. **Amar o amar**. Ilustrações Fê. São Paulo: Difusão 
   Cultural do Livro.

**Para Ver**

Palestra: [Tecendo redes de afeto por meio da literatura](https://www.youtube.com/watch?v=PorUdaQ0eMc&t=1258s).(
Canal Educa Serra)

[Emicida – Passarinhos ft. Vanessa Da Mata](https://www.youtube.com/watch?v=IJcmLHjjAJ4)
