# Laranjeiras quer recuperar terreno milionário vendido por R$ 165 mil

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- Published: 2018-09-21T09:31:41-03:00
- Author: Ana Paula Bonelli

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A atual gestão da Associação de moradores defende que houve fraude e venda simulada

do terreno que fica em área nobre de Laranjeiras, ao lado ginásio poliesportivo.
Foto: Gabriel Almeida

A Associação de Moradores de Laranjeiras está na expectativa da Justiça decidir 
nos próximos 20 dias o futuro do terreno avaliado em torno de R$ 3 milhões, de propriedade
do bairro, que em 2011 foi vendido à GSO Imobiliária por R$ 165 mil. O valor é 18
vezes menor que a avaliação de mercado à época, o que chamou a atenção do Ministério
Público (MP-ES), que busca na Justiça a anulação do negócio. A ação tramita na 6ª
Vara Cível, sob a titularidade do juiz Ailton Soares de Oliveira.

Segundo despacho do juiz, assinado no último dia 6, o imóvel foi utilizado como 
garantia para uma transação junto à Caixa Econômica Federal. Como o MP pede a anulação
da venda, o magistrado quer que o banco se manifeste na ação. Após este prazo (06
de outubro) deve ser anunciada a sentença.

Segundo o advogado Pablo de Andrade, que representa a atual diretoria da Associação,
a comunidade quer a devolução do imóvel.

“Essa compra e venda foi simulada. Na verdade não houve qualquer ingresso na conta
da Associação, razão pela qual a atual gestão de Deborah Alves, entende que houve
fraude. Nesse sentido, procuramos o MP para que se declare a nulidade do ato dessa
transação. Ocorre que a empresa fez outras transações com o imóvel, a exemplo junto
à Caixa, que foi dada em garantia, e o juiz está chamando prudentemente para saber
em que situação está essa garantia. Mas se trata de uma fraude”, disse.

Procurada, Deborah Alves, atualmente presidente da Associação, disse que o bairro
tem planos para a área e aguarda o parecer do juiz.

“Prestamos todo auxílio para contribuir no processo de retomada da área. Estamos
confiantes que vamos reavê-la nos próximos 20 dias. Queremos pleitear junto a Prefeitura,
uma Unidade de Saúde moderna e estruturada, para atender nossos moradores, além 
de local com equipamentos de uso comunitário” disse.

**MP cobra celeridade**

Em nota o Ministério Público disse que pediu ao juiz “celeridade na apreciação da
liminar ora ingressada, que consiste na proibição da G.S.O Imobiliária e Participações
LTDA EPP, de edificar ou realizar qualquer benfeitoria útil ou voluptuária na área
objeto da presente ação”. O MP disse ainda “que a demora na apreciação da liminar
pode acarretar sérios prejuízos às partes”. A nota sege afirmando que “a Promotoria
vem acompanhando atentamente a presente ação para apuração de todas as irregularidades,
no intuito de dar celeridade ao feito e demais efeitos práticos legais”.

A reportagem procurou à imobiliária GSO, que não quis se pronunciar. O ex-presidente
da AMPRL, Paulo César Carneiro Spinola, também foi procurado, mas não atendeu ao
celular. Já a assessoria do Tribunal de Justiça confirmou que o último despacho 
aconteceu em 6 de setembro.

**Entenda:**

A suposta venda foi realizada em 2002 na gestão de Danielle Pimenta, mas só veio
a ser escriturada 9 anos depois, em 2011, na gestão do então presidente Lucas que
também é parte requerida no processo, assim como a GSO. O terreno vendido à imobiliária
tem 2.360m2, e é localizado entre o Ginásio de Esportes e a sede comunitária. Não
há registro que comprove o pagamento do imóvel, que até então pertencia à comunidade
e hoje é utilizado para exploração de um estacionamento.
