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Serra, 13 de novembro de 2015 às 8:19

Lama de minério é ameaça para a moqueca capixaba


Usina de pelotização da Samarco em : paralisação da fábrica de pelotas de minério já atinge empresa de logística na Serra. Foto: Divulgação Samarco

Correntes marinhas devem espalhar resíduos da lama até a Grande Vitória. Arte Joatan Alves

Por Bruno Lyra

A lama de minério que vazou após o rompimento de duas barragens da Samarco (Vale + BHP Billiton) em Mariana que vem devastando o rio Doce vai parar no mar. Depois disso deve se dispersar por parte do litoral capixaba, entre a foz do rio em Linhares e Vila Velha. E isso inclui todos os 24 km de litoral da Serra, segundo especialistas.

Situação que vem preocupando ambientalistas e pescadores, sendo uma ameaça para um prato símbolo do Espírito Santo: a moqueca capixaba. Para o presidente da Federação das Associações de Pescadores do Espírito Santo, Manuel Bueno dos Santos – o Nego da Pesca – a pesca artesanal pode ser afetada por 10 anos no litoral capixaba.

Manuel, que também é presidente da Associação de Pescadores de Jacaraípe, disse que nesta sexta (13) lideranças da pesca de todo estado se reunião às 13 horas no Ifes de Colatina para discutir a situação e encaminhar pedido de ajuda ao Governo Federal e cobrar medidas da empresa responsável pelo desastre.

Segundo Bueno, a preocupação é ainda maior porque esta é época de reprodução de várias espécies de peixes, tanto no rio quanto no mar. “Não se sabe o que tem direito nessa lama, mas há informações de além do ferro, tem mercúrio e outros metais pesados. Vai acabar com os peixes. As pessoas vão pensar duas vezes antes de comer. A venda de peixes deve cair muito”, aponta.

De acordo com o presidente, em todo ES há 16 mil pescadores profissionais. Só na Serra são 980 pescadores o que somando os familiares dá cerca de 4 mil pessoas dependentes da atividade.

Um dos coordenadores da criação de duas reservas marinhas entre Linhares e Serra, Roberto Sforza, disse que a situação é extremamente preocupante, mas argumentou que a falta de informações sobre a composição química e a quantidade de rejeitos que deve chegar ao mar impedem um prognóstico mais preciso.

“Se ficarem mais próximos à foz do rio, onde o fundo é mais lodoso e arenoso, pode sufocar os organismos que são base da cadeia alimentar. Mesmos assim será um impacto menor do que se o material se dispersar para os corais e para as áreas calcárias. Vai ser preciso monitorar isso ao longo dos anos para ter uma dimensão precisa dos estragos”, frisa Roberto, que é analista ambiental do Instituto Chico Mendes da Biodiversidade, órgão responsável pela gestão das reservas marinhas.

Mar deverá ser menos produtivo

Para o ecólogo André Ruschi, que dirige a Estação de Biologia Marinha de Santa Cruz, a consequência da lama com rejeitos da extração de minério será severa para as espécies que vivem na costa capixaba.

“Esta sopa de lama tóxica que desce no rio Doce, descerá por alguns anos toda vez que houver chuvas fortes e irá para a região litorânea do ES, espalhando-se por uns 3.000 km2 no litoral norte e uns 7000 km2 no litoral ao sul, atingindo três unidades de conservação marinhas – Comboios, Área de Proteção Ambiental Costa das Algas e Refúgio da Vida Silvestre de Santa Cruz, que juntas somam uns 200 mil hectares no mar”, detalha.

A reserva da Costa das Algas, citada por Ruschi, no litoral da Serra abrange o trecho de mar entre a praia de Capuba e a foz do rio Reis Magos.   “Os minerais mais tóxicos e que estão em pequenas quantidades na massa total da lama, aparecerão concentrados na cadeia alimentar por muitos anos, talvez uns 100 anos”, estima André, que é filho e herdeiro intelectual do cientista capixaba e patrono da nacional da ecologia, Augusto Ruschi.

 

 

 

 

 

 




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