# Lama da Samarco segue dando prejuízo a pescadores da Serra e ES

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- Published: 2017-06-30T10:47:47-03:00
- Author: Ana Paula Bonelli

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Pescadores de Jacaraípe: área de pesca mais distante, peixe mais caro e queda nas
vendas após lama e proibição da atividade em parte do litoral. Foto: Arquivo TN

_Ana Paula Bonelli_**

Na Serra, são cerca de 800 pescadores profissionais divididos em quatro comunidades:
Carapebus, Manguinhos, Jacaraípe e Nova Almeida. Como se não bastasse à redução 
de peixes por conta da pesca industrial e dos impactos ambientais no mar, esses 
profissionais agora têm que lidar com o problema causado com a lama da Samarco, 
que há um ano e sete meses contamina o litoral capixaba através do rio Doce.

Segundo Manuel Buenos dos Santos, o Nego da Pesca, a lama reduziu a área de pesca.“
Nossos barcos pescavam mais ao Norte do Estado, de Barra do Riacho até Linhares,
ali depois de Povoação e Negreiros. Agora a pesca está proibida lá por causa da 
lama. A Samarco cometeu um crime e quem está sendo penalizado são os nossos pescadores.
Se por um acaso algum barco estiver por ali, pescando ou não, a gente é multado 
entre R$ 25 e 47 mil”, diz Nego que é presidente da Federação das Associações dos
Pescadores do Espírito Santo e Coordenador Nacional do Movimento dos Pescadores.

Nego também reclama da falta de análise constante da água e dos peixes da região.“
Essa situação está esquecida completamente. Temos que ir com nossas embarcações 
para longe, para o mar da Bahia, e o custo aumenta porque ficamos embarcados mais
dias, gastamos mais óleo e consequentemente, temos que repassar esses valores para
o consumidor que acaba comprando menos e nossas vendas caindo”, destaca Nego.

Ele conta que pescadores de Aracruz, Linhares, São Mateus e Conceição da Barra também
são prejudicados. “Conheço o rio Doce desde criança e com 58 anos, eu não tenho 
esperança de ver o rio como antigamente. O desinteresse de nossas autoridades é 
muito grande” desabafa.

Neste domingo, os pescadores vão descer o rio Jacaraípe, com a imagem de São Pedro,
e na igreja de Castelândia uma barraca estará coletando assinaturas para transformar
em um projeto de lei uma iniciativa popular que é a garantia do território pesqueiro.“
Nosso objetivo é proteger e inibir a chegada de grandes empresas nestes espaços 
para garantir a preservação e também uma alimentação saudável na mesa do brasileiro”,
explica.

**Pesca de badejo, cação e ****garoupa volta a ser liberada **

Em meio à dificuldade gerada pela lama da Samarco, uma notícia amenizou a vida dos
pescadores da Serra e do resto do Estado. É que a pesca de mais de 130 espécies 
de peixes e invertebrados voltaram a ser liberados em todo país, pelo menos até 
o dia 15 de junho de 2018. A portaria 217/17, que substitui a 445/214 foi publicada
no último dia 20 de junho pelo Ministério do Meio Ambiente.

A portaria que foi substituída considerava 475 espécies em extinção e havia decretado
a suspensão da pesca delas por tempo indeterminado. Dentre essas espécies, cinco
são muito utilizadas na culinária capixaba: badejo, garoupa, budião, cherne e cação.
O badejo, por exemplo, é um dos preferidos para fazer a tradicional moqueca capixaba.

A movimentação é da senadora Rose de Freitas (PMDB-ES), da bancada federal capixaba
e da Assembleia Legislativa, que solicitaram prazo maior para o estudo sobre espécies
de peixes ameaçadas de extinção e que tiveram a pesca e o comércio proibidos em 
2014.

Para Rose, a proibição foi equivocada. “Ninguém explicou os critérios. Afeta quem
produz, consome, além daqueles que estão empregados nesta cadeia produtiva. Por 
isso, pedimos a suspensão da portaria e ela foi atendida”, afirmou.

 
