# Jamir Malini: de origens humildes a conciliador na política capixaba

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- Published: 2018-05-04T10:55:40-03:00
- Author: Ana Paula Bonelli

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Jamir Malini: de família humilde, o deputado estadual abre seu coração e conta sua
história de luta, superação e trabalho, além de projetar seus planos para o futuro.
Foto: Divulgação

É difícil encontrar na política pessoas que se dispõem a dialogar e conciliar para
alcançar o entendimento, embora seja esse o verdadeiro objetivo da atividade pública.
O Deputado Estadual Jamir Malini faz parte desse seleto grupo de políticos que não
se interessam pelo confronto e que têm o foco no atendimento das necessidades das
pessoas, independente das facções políticas. Nesta entrevista, ele fala desse jeito
peculiar de ser e revela seus planos para o futuro.  

**_[TN] Deputado, enquanto a maioria grita e perde a razão, o senhor não altera 
a voz na busca do entendimento. De onde vem esse equilíbrio e essa maturidade política?_**

**JAMIR MALINI**  Você disse bem, maturidade política! É preciso refletir mais sobre
isso. Eu venho de uma família de 8 irmãos, era um colegiado interessante que me 
obrigava a desenvolver a arte do diálogo e do entendimento. Meu pai era vaqueiro,
um homem muito severo com a educação dos filhos, ele não tolerava gritos e nem briga
entre irmãos. Eu aprendi desde cedo a dialogar, jamais entro em  confronto com quem
quer que seja, defendo o direito que cada um tem de se expressar. Não é porque alguém
pensa diferente de mim que vai virar meu inimigo. Na política eu funciono assim 
também, converso com todo mundo, dialogo com todas as correntes de pensamentos, 
sempre com o foco no interesse da população. No meu coração não tem lugar para o
ódio, só para o amor.

**_Mas ódio é o que mais se vê na política. Parece que ao invés de avançar, a representação
política está andando para trás. Essa é a sua percepção? _**

Infelizmente é isso que está acontecendo. Embora nas igrejas as pessoas falem o 
tempo todo que somos todos irmãos, do lado de fora as facções se armam para atacar
umas às outras. É guerra no tráfico, é guerra na política, não há diferença. Mata-
se com bala de fuzil e mata-se também com palavras e ações nocivas. Tudo que vem
revestido de ódio não faz parte do plano divino, está em desacordo com as leis de
Deus, eu penso assim. Quem faz política armado presta um desserviço à população,
que já não aguenta mais ver tanto menino grande brigando. Quando dois políticos 
brigam pela posse de um território, é a população quem sofre o maior prejuízo. Isso
não é justo.

**_O senhor acredita que forças divergentes podem conviver pacificamente pelo bem
comum?_**

 Acredito sim e trabalho para isso o tempo todo. Eu prego a união das forças políticas
para o bem das cidades, do Estado e do país. O ego tem feito muitos estragos na 
política, todo mundo quer ser o autor exclusivo de uma obra. Ora, não existe isso,
todos que trabalham na atividade pública são co-autores de tudo que é produzido 
com dinheiro público. Como vice-líder do Governo do Estado na Assembleia, eu me 
sinto co-autor de tudo que o Governo de Paulo Hartung está realizando no Espírito
Santo, uma vez que a função de um Deputado não é só criar leis, mas fiscalizar o
Executivo e defender o interesse público nas votações de projetos que interferem
na vida das pessoas. O ódio e a divergência são péssimos conselheiros em qualquer
atividade humana, eles representam o atraso, a velha política.

**_Filho de vaqueiro, casa com oito filhos, tudo isso indica que o senhor teve uma
infância difícil e nem por isso é uma pessoa amarga. Qual é o segredo de ficar de
bem com a vida mesmo na dificuldade? _**

 Eu sou um homem de fé, muita fé. Sempre achei que quando a gente está vivendo uma
situação difícil, Deus na verdade está fortalecendo a nossa alma. Assim que eu tive
a minha primeira filha, a Luisa, eu vivi uma situação dramática. Minha mulher, a
Luciana, teve um AVC com 29 anos de idade. Todo o meu sonho de construir uma família
com a pessoa que eu mais amo estava indo por água abaixo, um buraco negro se abriu
diante dos meus pés, eu perdi o rumo. Foi o maior medo que eu já senti na minha 
vida. Mas depois que a tempestade passou, e que graças a Deus a Luciana venceu o
obstáculo, sem ficar com nenhuma sequela, eu percebi que aquela experiência fortaleceu
ainda mais o nosso amor, entendi o valor de uma família na vida de um homem. Resumindo:
a dor fez de mim um ser humano melhor. Hoje eu não peço a Deus para tirar os problemas
do meu caminho, só peço força para passar por eles sem perder a fé.

**_ Tendo uma infância difícil, cheia de privações materiais, o senhor se lembra
de algum episódio em que essa fé foi abalada? _**

De forma alguma. Eu sempre procurei enxergar o lado bom das pessoas e das situações
e nunca soltei a minha mão da mão de Deus. Quanto mais difícil a coisa, mais eu 
aperto a mão Dele. Lá em casa faltava dinheiro sim, mas graças a Deus amor e comida
a gente tinha. Comida simples, quase todo dia era arroz, feijão e ovo. Quando a 
coisa apertava, minha mãe alimentava a filharada com a comida que ela fazia para
os nossos porcos. Era um sopão feito com o que a gente tinha na horta e sobras de
alimentos: mamão verde, banana, abóbora, milho, ovo, arroz, feijão. Alimentava do
mesmo jeito. Importante era o cuidado que ela tinha com os filhos. 

**_Por que o senhor entrou na política e para onde está indo?_**

 Olha, para onde estou indo só Deus pode te afirmar. Estou tentando fazer bem a 
minha parte, dando um passo de cada vez, movido unicamente pelo desejo de ajudar
as pessoas. Eu me identifico com os mais necessitados porque já senti a dor deles,
é diferente de quem conhece o povo só pelos livros de Sociologia. Eu sei o que é
viver numa casinha de madeira – quando eu cheguei na Serra, em 1997, a minha casa
era um barraco de madeira. Quando chove é terrível, a gente passa a noite desviando
das goteiras, com medo até dele não resistir à força do vento e cair. Eu sei o que
é não ter uma mesa farta, não ter banheiro dentro de casa, não ter um trabalho digno
para sustentar a família. Passei por tudo isso, tenho então o compromisso moral 
de trabalhar para melhorar a vida dos mais necessitados. É a minha gente.

**_ Quais são os seus planos para o futuro?_**

Olha, eu não costumo projetar muito a vida não, gosto de viver com intensidade o
presente, dia após dia, sabendo que o hoje é o alicerce do meu amanhã. Tudo que 
sei é que vou concorrer a um mandato de Deputado Estadual na eleição de outubro.
Já assumi duas vezes o cargo por períodos muito curtos, mas como suplente. Quero
ver se desta vez eu chego lá para exercer integralmente um mandato, com começo, 
meio e fim. Se for da vontade de Deus, será um passo importante na minha vida. O
líder pacifista Martin Luther King dizia uma coisa que me inspira muito na política:“
Suba o primeiro degrau com fé. Não é necessário que você veja toda a escada. Apenas
dê o primeiro passo. Com fé.”

 

 * **_CONTEÚDO PATROCINADO_**
