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Guarda da Serra doa dinheiro para pai de família não voltar andando por 8 km até casa

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A pedido da reportagem, agente da Guarda Municipal encaminhou imagens da ocorrência.

A atividade da segurança pública no Brasil é muitas vezes estigmatizada por parte da sociedade, em especial pela repercussão de casos negativos onde ocorrem excessos de violência contra ‘cidadãos comuns’. Diferente, por exemplo, de ocorrências em confrontos policiais contra traficantes armados, onde o uso proporcional da violência policial é legitimado por Lei, diante do nível de periculosidade à vida.

Entretanto, na outra ponta, também há inúmeros exemplos positivos de profissionais da área que vão além do cumprimento do dever pela preservação da ordem, utilizando abordagens humanizadas e sensíveis, muitas vezes evitando a escalada de tensões.

Este parágrafo acima ficou exemplificado durante essa semana, em uma abordagem de uma Guarda Municipal da Serra, conhecido como Agente Dias, a um pai, que estava em busca de levar seu filho de 1 ano e 20 dias para ser atendido.

O caso foi publicado nas redes sociais, já que por segurança de trabalho, o Agente Dias tem o costume de adaptar uma câmera na farda policial – medida adota largamente nos EUA – e eventualmente publica em seus perfis (clique aqui para conferir) alguns trechos para orientar seus seguidos a respeito de procedimentos policiais. A reportagem procurou o agente que cedeu as informações e as imagens.

No caso em questão, o pai errou o local de atendimento, acabou se exaltando e foi para na delegacia. De acordo com Dias, o tratava-se de um homem muito humilde, que por um problema de comunicação entre ele e a pessoa que agendou a consulta, foi parar na Unidade da Saúde de André Carloni que não tinha consulta agendada para ele e estava lotada.

“De lá ele foi para a Unidade de Saúde de Novo Horizonte, que constava a consulta agendada, mas pelo atraso devido ao equívoco inicial, a Unidade entendeu como ausência do paciente e deu seguimento as demais consultas agendadas e as demandas mais emergências que chegavam. Essa situação começou a gerar desconforto e ele acabou se exaltando contra os servidores que lá trabalhavam por não conseguir ser atendido. Com isso a diretora se sentindo ameaçada, acionou a Guarda Municipal”, explicou o Agente Dias.

Com isso, os agentes da Guarda foram até a Unidade de Saúde de Novo Horizonte e encontraram o homem em estado de irritação, já que ele teria que remarcar a consulta devido ao atraso e a alta demanda; diante do comportamento agressivo do pai que preocupou os agentes, foi necessária a condução dele até a delegacia para que ele se acalmasse e pudesse explicar o que estava acontecendo.

“Ao identificar a situação, entendemos que era um pai humilde e que estava confuso; cumprimos como o nosso dever de encaminhá-lo até Laranjeiras para fazer a representação, a parte burocrática de colocar no papel já que gerou uma ocorrência efetivamente. Com ele mais calmo, ouvimos a história dele, ele só queria o atendimento do filho recém-nascido, era a primeira consulta pediátrica, mas por uma serie de questões, não foi possível”, disse Dias.

Assim que foi liberado, o homem não tinha mais recursos para voltar para casa, já que haia gasto o restante do dinheiro no deslocamento até Novo Horizonte. Portanto, a única saída encontrada por ele, foi andar de Laranjeiras até André Carloni (um trajeto de aproximadamente 8 km). Neste momento, os Guardas decidiram doar do próprio bolso o dinheiro para deslocamento de ônibus para evitar mais esse infortúnio de caminhar por uma longa distância, após um dia de ‘strees’.

“A gente cumpre com o nosso papel na esfera da segurança pública, mas também nos sensibilizamos”, finalizou Dias. Apesar de não ser um valor alto para um cidadão de classe média da Serra e também não ser a obrigação do profissional de segurança – que poderia simplesmente encerrar a ocorrência e voltar ao patrulhamento – à ação do agente impediu que o pai se deslocasse a pé por 8 km até sua casa após toda essa confusão do local de atendimento.

Mais de 100 mil pessoas na Serra vivem na linha da pobreza e não tem dinheiro para ônibus 

Vale ressaltar também que os R$ 4,20 que custa uma passagem do transcol representa uma valor altíssimo para um segmento enorme na Serra, que são aqueles que vivem abaixo da linha da pobreza; só para efeitos estatísticos, mais de 100 mil pessoas estão nessa condição no município, o que significa que possuem renda de R$ 155/mês.

Ações positivas precisam ser divulgadas assim como as negativas para não generalizar estigmas  

Além de exemplificar uma abordagem humanizada é também um caso oposto à generalização por segmentos da população do estigma negativo dado a militares e agentes das guardas municipais.

A ação demonstra o humanismo que muitos servidores públicos encaram sua rotina diária; o exemplo vale também, para tantos professores da Serra que muitas vezes tiram do próprio bolso recursos para auxiliar alunos que vivem em situação de vulnerabilidade extrema; ou servidores da saúde que se sensibilizam com pacientes e compram com dinheiro próprio remédios para pessoas sem condição financeira, e muitas ‘caem na mesma vala’ e são taxados negativamente pela repercussão das ações de maus profissionais.

A responsabilidade institucional carece obviamente do poder público, que precisa ser cobrando para aprimorar os serviços oferecidos aos cidadãos; mas exemplo como esse, do Agente Dias, que conduziu uma situação que poderia ter um fim com repercussões penais, por exemplo, terminou de forma não-traumática e com um servidor público cumprindo seu trabalho muito além daquilo que está pactuado entre servidor-Prefeitura. Casos assim precisam ganhar o mesmo destaque que é dado, quando um mal servidor executa ações ilegais, como abuso de autoridade, por exemplo.

A pedido da reportagem, o agente encaminhou o vídeo da ocorrência

 

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