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Serra, 31 de maio de 2019 às 9:52

Exportação de minério de ferro despenca 37,6% em Tubarão

Por Clarice Poltronieri
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Navio sendo carregado com minério no Porto de Tubarão, em Vitória. (Foto: Tadeu Bianconi/Agência Vale)

A redução das atividades de mineração da Vale após o desastre de Brumadinho, que levou ao fechamento de várias barragens da mineradora e ao transporte de cargas da Estrada de Ferro Vitória-Minas, fez as exportações de minério de ferro por Tubarão despencarem em abril. Com isso, aumenta o risco de demissões e outros impactos na economia da Serra e do Espírito Santo

Dados do Instituto Jones dos Santos Neves (IJSN) apontam que foram exportados por Tubarão 1,227 milhão de toneladas de minério em abril, valor 36,7% menor que em março – mês em que a produção já estava reduzida -, uma vez que os reflexos do rompimento da barragem em Brumadinho começaram a ser sentidos ainda em janeiro. Tanto que no 1º trimestre de 2019 a Vale já havia reduzido em 14,6% a produção de pelotas de minério nas usinas de Tubarão, conforme relatório da própria empresa.

O Instituto também destaca que outros produtos ligados à cadeia produtiva do setor minero-siderúrgico também tiveram queda nas exportações em abril: caso dos laminados de ferro ou aço não ligados e dos semimanufaturados de ligas de aço. Itens estes que levam minério de ferro e têm a ArcelorMittal Tubarão como principal produtora e exportadora, sendo umas das principais clientes da Vale no estado.

Apesar da baixa, o minério de ferro segue como o principal produto de exportação no Espírito Santo. Em abril, correspondeu a 27,77% de tudo o que foi enviado do estado para outros países.

Só a Vale está ligada a quase 60 mil empregos

O agravamento dos problemas no setor minero-siderúrgico pode piorar os efeitos da crise econômica no estado e na Serra. Só a Vale gera 10,2 mil empregos (próprios e terceirizados) com as atividades no Complexo de Tubarão. A ArcelorMittal, por sua vez, gera mais de cinco mil empregos diretos, entre terceirizados e próprios.

Em um relatório do ano passado, a Vale apontou que a cadeia produtiva gera 58 mil empregos no Espírito Santo, negocia com 523 fornecedores locais e faz girar R$ 806 milhões por ano, só com salário e benefícios de seus funcionários próprios.

O presidente do Sindicato dos Metalúrgicos (Sindimetal), Max Célio de Carvalho, já havia expressado essa preocupação no início de abril, destacando que a empresa é uma gigante no estado e responsável por muitos empregos diretos, indiretos (nas terceirizadas), além de fomentar uma cadeia de outras atividades, como comércio, alimentação etc.

Na semana passada, um funcionário da Vale e outro da ArcelorMittal disseram ao TEMPO NOVO, sob a condição de não terem a identidade revelada, que as atividades dentro do Complexo de Tubarão declinaram. A assessoria de imprensa da Vale disse que a empresa está avaliando os impactos na produção. Já a assessoria da Arcelor informou que as operações da empresa estão normalizadas.

PIB recua

Quem também sentiu os impactos da crise no setor minero-siderúrgico foi o Produto Interno Bruto (PIB) do país. De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o PIB do primeiro trimestre de 2019 apresentou recuo de -0,2% em comparação ao último trimestre de 2018. E um dos principais responsáveis foi a redução da produção na Vale.




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