# Ex-aluna de escola da Serra denuncia professor por assédio sexual

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- Published: 2019-07-01T16:49:41-03:00
- Author: Gabriel Almeida

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Alunas da escola denunciam professor. Foto: Divulgação

Uma ex-aluna da Escola Estadual Clóvis Borges Miguel, que fica em Serra Sede, denunciou
o professor de matemática da unidade escolar por assédio sexual. Atualmente, a vítima
tem 26 anos e afirmou que sofreu o assédio há dez anos, – época em que estudava 
no local. O mesmo professor já foi alvo de outras [denúncias feitas na semana passada](https://www.portaltemponovo.com.br/alunas-denunciam-assedio-sexual-em-escola-da-serra/)
por um grupo de estudantes da mesma escola.

Nesta segunda-feira (1°), a Comissão de Proteção à Criança e ao Adolescente da Assembleia
Legislativa do Espírito Santo, presidida pelo Deputado Delegado Lorenzo Pazolini(
sem partido), recebeu mais uma denúncia contra o professor. A jovem conta que estudou
na instituição no período entre 2009 e 2011, e neste primeiro ano teve aula com 
o acusado.

Ela disse ainda que era uma aluna ruim na matéria e que ele se prontificou a ajudá-
la, inclusive fora do horário letivo (por meio de Orkut e MSN, na época). E nessas
conversas online, o professor a elogiava, dizendo que era muito bonita e tinha uma“
boca sedutora”, a convidava para sair e não ensinava a matéria. Além de todos esses
diálogos por redes sociais, a vítima conta que o professor também fazia mais elogios
e piadas pessoalmente na sala de aula e nos corredores da escola.

Além dessa acusação, a jovem também afirma que uma colega, naquele mesmo ano, também
sofreu com as investidas do professor tanto na escola, quanto nas redes sociais.
Ela procurou a direção da escola, porém, nada foi feito. Havia relatos na época 
que era comum alunas ficarem com ele para não serem reprovadas na matéria.

Lorenzo Pazolini afirma que continuará exigindo providências o mais urgente possível.“
Nosso compromisso aqui na Assembleia, em especial na Comissão, é não deixar casos
de abusos passarem despercebidos. Por isso, é extremamente importante que as vítimas
não tenham medo e denunciem”, disse o deputado.

**Outras denúncias**

Um grupo de alunas da Escola Estadual Clóvis Borges Miguel, que fica em Serra Sede,
acusou u, professor da unidade de assédio sexual. As estudantes denunciaram o homem
por meio de cartas espalhadas pela escola, mas o assunto ganhou repercussão pelas
redes sociais no último dia 25.

No twitter, a hashtag #SuaAlunaNãoÉUmaNovinha ganhou força. As alunas que realizaram
as denúncias tiveram a ajuda do ex-deputado federal Jean Willys, que compartilhou
a postagem de uma das denunciantes. Ainda na rede social, as estudantes dizem que
a direção da escola foi omissa quando recebeu as denúncias.

“Eu tinha 15 anos, como de costume eu estava na escola fazendo atividade e um professor
chegou e falou (…) que eu podia dar uma chance para ele, que era pra gente se encontrar
fora da escola. Eu estava sendo assediada pelo meu próprio professor dentro da sala
de aula. Mas não sabia o que fazer, ele era um professor, e eu só uma aluna, sempre
que eu encontrava ele pela escola eu tentava desviar, ele percebeu isso”, disse 
uma das alunas que usou as redes sociais para realizar as denúncias.

Na carta espalhada pela escola, as alunas disseram que não aguentavam mais os assédios
constantes e afirmam o professor chegava a tocar no corpo delas.“Queremos agradecer
o quanto você é incrivelmente babaca, escroto, nojento, etc. Em nome da grande parte
das meninas da escola declaramos o quão abusado você é”, afirma a carta.

**Professor vai depor na Assembleia**

Após as denúncias,  a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Crimes Cibernéticos
da Assembleia Legislativa (Ales) convocou o profissional acusado para prestar depoimento
na próxima terça-feira (2). 

De acordo com a assessoria de imprensa da Ales, a decisão sobre a convocação do 
professor acusado foi tomada depois que duas mães procuraram a Assembleia para apresentar
depoimentos à Comissão de Proteção à Criança e ao Adolescente. As vítimas confirmaram
as denúncias feitas pelas alunas.

Segundo os depoimentos feitos pelas alunas e suas mães, o professor teria pedido
para encontrar as vítimas fora da escola, além de fazer elogios e pedir beijo. “
Ele tentava seduzir as vítimas e criava uma situação constrangedora. Há relato em
que ele solicitou que uma aluna tocasse o órgão sexual dele sob pretexto de pegar
uma régua”, contou Pazolini.

O presidente da Comissão de Educação, deputado Vandinho Leite (PSDB) disse que durante
a semana passada enviou servidores à escola para colher informações e solicitou 
formalmente as atas das reuniões em que as alunas teriam feito as denúncias. “O 
que a gente viu foi uma tentativa de abafar o caso. O afastamento do professor, 
inclusive, só aconteceu depois que a imprensa noticiou”, avaliou.

Vandinho leite destacou ainda a preocupação com novos depoimentos que estão surgindo
de alunas e ex-alunas do professor acusado e mais: “Já temos informações de que 
há relatos de abuso praticado por outro professor e que temos também postagens nas
redes sociais de novas vítimas da mesma escola e de outras instituições do Estado”.

Sobre os acusados, o presidente do colegiado de Educação foi enfático: “Vamos dar
amplo direito de defesa e ouvir todos envolvidos. Eles são obrigados a vir. Vamos
cobrar o que a lei determina e uma das ferramentas que podem ser usadas pela CPI
é condução coercitiva”, explicou.

As vítimas de assédio podem entrar em contato e agendarem depoimentos à CPI dos 
Crimes Cibernéticos nos telefones (27) 3382-3590 e 3382-5202.

**Suposta omissão da escola será apurada **

O deputado Delegado Lorenzo Pazolini (sem partido), que é o presidente da Comissão
de Proteção à Criança e Adolescente explicou que as vítimas confirmaram as denúncias
feitas por duas alunas nas redes sociais no início da semana. Ainda de acordo com
ele, tudo indica que houve omissão da escola, pois os fatos já seriam de conhecimento
da diretora e da superintendência desde a semana passada.

“Estamos apurando eventual crime de prevaricação desses agentes que deveriam ter
tomado providência e não tomaram. Importante destacar que o professor confirmou 
esses atos na presença dos pais e nada foi feito”. Ainda segundo Pazolini, a escola
teria negado, inclusive a cessão das atas das reuniões. “A mãe tentou obter a ata
que é um direito dela e a escola além de negar, teria acionado a guarda municipal
e a Polícia Militar”.

**O que diz a Sedu **

No dia 25 de junho, por nota, a Secretaria de Estado da Educação (Sedu), informou
que “A Superintendência Regional (SRE) de Carapina esclarece que assim que a Direção
da Escola tomou conhecimento da situação pela rede social, conversou com as alunas
e seus responsáveis e que já está dialogando também com os profissionais citados,
no intuito de apurar o suposto assédio.

A Sedu enfatiza que não compactua com este tipo de conduta, por isso que está apurando
o fato e que, se for comprovado algum comportamento inadequado de servidor, as medidas
cabíveis serão adotadas. A SRE informa, ainda, que em momento nenhum exigiu a retirada
das posts”.
