# “Estamos vendo o surgimento de facções que não existiam nessa proporção”

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- Published: 2019-09-13T09:58:00-03:00
- Author: Gabriel Almeida

Aos 32 anos, o deputado Alexandre Xambinho (Rede) é uma das novidades políticas 
no ES. A título de comparação, quando Sérgio Vidigal (PDT) foi eleito prefeito pela
primeira vez, em 1996, Xambinho tinha 8 anos de idade. E agora, pode ser candidato
ao cargo máximo da Serra, inclusive batendo chapa com o próprio Vidigal.

Sua vontade é ser ‘o cara’ de Audifax em 2020; no entanto, ainda precisa de um sinal
do prefeito. Para isso, seu plano B é se filiar ao PRB, partido do presidente da
Assembleia, Erick Musso, ao qual faz grande reverência: “É o líder de uma mudança
geracional na política capixaba”, defende Xambinho.

Sobre seu mandato, ele elenca projetos de sua autoria e comemora os investimentos
feitos pelo Estado na Serra. Diz que o governador Casagrande entrou com muita “disposição”,
mas cobra soluções mais “incisivas” nas áreas de saúde e segurança. Sobre Bolsonaro,
ele critica “polêmicas desnecessárias”, mas se diz “confiante” na retomada econômica.

**Faltando três meses para o fim de seu primeiro ano como deputado, qual foi seu
foco e o que você pode destacar?**

Iniciamos o mandato objetivando despertar o interesse do Estado a voltar a investir
na Serra. De lá pra cá, já foram R$ 33 milhões por meio de nossa atuação conjunta.
Lutamos muito pela retomada dos convênios; da Rodovia Norte Sul, ligando Barcelona
a Laranjeiras; pelos R$ 8 milhões para equipar do Hospital Infantil; pela revitalização
da Talma Rodrigues. Avançamos na reforma de três escolas do município, em que posso
destacar a Escola Marinete, em Feu Rosa, com investimento de R$ 9 milhões.

**E a respeito de sua atuação dentro do parlamento, em relação à criação e votação
de projetos?**

A mais estruturante foi a questão da unificação dos blocos de petróleo, que resultou
em um aumento orçamentário na escala de bilhão. Foi quando criamos o Fundo de Infraestrutura
e Soberano, que, na prática, servirá como uma poupança capixaba para enfrentar dias
de dificuldade. Aprovamos dois empréstimos junto ao Banco Mundial, um deles de R
$ 1 bilhão, que inclusive está destinado às obras do contorno de Jacaraípe a Nova
Almeida.

**E projetos seus?**

Posso destacar o primeiro emprego. Prevê que as empresas empreguem de 5% a 10% de
jovens em primeiro emprego e, em contrapartida, recebem incentivos fiscais. Desonera
o empresário e dá oportunidade para nossa juventude, que é muito talentosa. Tem 
também o Cerco Eletrônico na Grande Vitória. Apresentei esse PL nos primeiros dias
como deputado. O governador sinalizou positivamente que vai implantá-lo.

**Como você avalia os primeiros meses de Casagrande? Onde ele está acertando e onde
tem que melhorar?**

Minha avaliação é que ele entrou muito disposto; já citei aqui o Fundo Soberano,
que foi uma atitude de estadista. Mas precisa de uma ação mais incisiva na questão
da saúde e da segurança pública. Estamos vendo o surgimento de facções que antes
não existiam nessa proporção. Me preocupa, também, o programa da Guarda Nacional
em Cariacica. É louvável, mas não houve um debate. Como vai ficar a Serra? Pode 
haver migração de bandidagem? São respostas que precisavam ser respondidas e não
foram.

**Você também citou a Saúde…**

Precisa evoluir na questão da especialidade médica. Nós temos um colapso no sistema,
em que a Secretaria de Saúde não consegue atender os municípios. E nós vemos o morador
da Serra sair para Vila Velha em busca de uma especialidade médica. Temos o Dório
Silva, por exemplo. Pode ser transformado em centro estadual de especialidades. 
Enquanto hospital, passou por um processo de desmonte e, agora, precisamos criar
uma nova referência.

**Na condição de líder político, como avalia o governo Bolsonaro?**

Tirando polêmicas desnecessárias, podemos ver um Brasil emergente, querendo voltar
a produzir e ser o destaque econômico com geração de emprego e renda. As reformas
apresentadas são necessárias para o país sair desse buraco. Estou muito confiante.

**Falando de política, você tem se colocado como pré-candidato. Mas ainda precisa
definir partido. Já resolveu se vai ficar na Rede ou se filiar ao PRB?**

Meu desejo é ficar na Rede e ser o candidato de Audifax. Foi na Rede em que me elegi
e o prefeito é meu principal aliado. Mas esse é o meu querer. Para chegar a isso,
preciso saber quais os planos do prefeito e da Rede capixaba. Então, dentro de uma
negativa do partido, de eu não poder disputar as eleições, é natural que a gente
procure outra legenda; e hoje, o Erick Musso é um grande aliado também.

**Se permanecer na Rede, isso pode gerar algum ruído com o grupo da Assembleia?**

Não. Essa questão está equalizada. Estamos unidos na construção de um novo grupo
político, que passa por essa nova geração de políticos que surgiu. A gente está 
numa mudança geracional.

**O que isso quer dizer, objetivamente?**

Veja. Saímos do cenário Hartung e agora entramos no cenário Casagrande, que, naturalmente,
chega também lá na frente em um momento de final. Na Serra, estamos em um processo
final de Audifax e, acredito eu, também de Sérgio Vidigal (PDT); e o surgimento 
de novas lideranças no Estado, como em Linhares, Aracruz, Cariacica… É um momento
de transição. A Assembleia é o nascedouro disso, e Erick é o líder dessa mudança
geracional.

**E qual seria a diferença substancial dessa nova geração que está “emergindo”?**

Nesses anos, o setor público não acompanhou a dinâmica de mudança da sociedade. 
As respostas são lentas, às vezes ineficientes e caras demais. Por exemplo, estamos
na era pós-digital, mas o setor público ainda é analógico. Outro exemplo é a educação:
ensinamos nossos jovens da mesma maneira há décadas. Não podemos deixar a burocracia
engessar as mudanças, precisamos ser ágeis e ter mais eficiência. Hoje, no intervalo
de uma licitação até a construção de uma obra simples, demora-se 6 ou 7 meses.
