# Erick Musso escreve um ciclo de independência da Assembleia e responsabilidade com o ES

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- Published: 2019-11-20T17:00:03-03:00
- Author: Gabriel Almeida

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1024x683.jpg "Erick Musso")

Deputado Erick Musso é o presidente da Assembleia Legislativa.
Foto: Tati Beling

### _**Artigo de Opinião do Jornal Tempo Novo**_

 

Em meio a uma articulação para antecipar a eleição da mesa diretora, o presidente
da Assembleia Legislativa, Erick Musso (Republicanos), em tom firme, discursou para
seus pares. Citando grandes pensadores, como Platão, Montesquieu e Aristóteles, 
Erick usou frases de efeito para dizer que os deputados irão de fato seguir os planos
de antecipar a votação – mesmo sem aparente apoio por parte do governador Renato
Casagrande (PSB).

Nesta terça-feira (19), foi lida uma PEC (Proposta de Emenda Constitucional), que
na prática, permite o movimento de antecipação. A proposta é sustentada no argumento
administrativo, de que uma eleição feita com alguns meses de antecedência à posse
permitiria mais tempo e condição para que os novos membros se organizassem para 
uma gestão planejada.

O que faz sentido, já que estamos falando de uma máquina administrativa de R$ 225
milhões por ano, milhares de servidores e uma responsabilidade constitucional do
peso de 4 milhões de capixabas.

Porém, também guarda sentido político. Isso porque, historicamente no Brasil, há
uma relação incestuosa entre os poderes da República. Aqui no ES, já há alguns anos
que não se chega a tanto, mas é público que a Assembleia sempre teve uma relação
muito próxima dos governadores da vez.

Erick parece querer manter essa boa relação no que tange ao diálogo, mas antes de
tudo, calcada na preservação da independência, assim como fez durante a primeira
gestão como presidente (2017-2018) e faz nesta segunda (2019-2020). Vale destacar:
independência não significa oposição. Apenas uma conexão com os interesses da população
que há muito reclama (com razão) do chamado ‘toma lá da cá’ e afins.

Nenhuma população tem interesse numa Casa Legislativa ‘ajoelhada’ para um governante;
e muito menos, em uma ‘guerra’ institucional. Como por exemplo, a que abalou a relação
entre o prefeito Audifax Barcelos (Rede) e a Câmara da Serra entre abril e junho
desse ano. E acarretou num boicote de projetos de lei de autoria do Executivo; que
inclusive chegou ao cúmulo de adiar por 4 semanas a votação de um PL que autorizava
a contratação de médicos para as unidades de saúde da Serra.

Ou nas tentativas do governo de Dilma em 2015 de barrar a eleição do então presidente
Eduardo Cunha (MDB), que viria a ser um dos algozes do impeachment da ex-presidente
em 2016.

Erick, pelo tom ponderado e discurso democrático, representa um equilíbrio na relação
e no limite entre os poderes. Ele é bom para a base, e para oposição, dosando cada
um na medida da democracia. O que atende os interesses do bem público. Erick já 
deu sinais de sua responsabilidade, como por exemplo, na [votação do Fundo Soberano,](https://www.portaltemponovo.com.br/deputados-aprovam-fundo-soberano-e-de-infraestrutura/)
recentemente.

A Antecipação da eleição da mesa tirará também pressões vulgares típicas de períodos
eleitorais, caso este de 2020, ano do qual haverá pleitos municipais e muitos dos
deputados estarão na disputa.

Casagrande certamente é um governante de sorte, pois, enquanto outros líderes iguais
a ele tiveram que lidar com forças obscurantistas – tais como observadas no ES lá
no início dos anos dois mil, quando o crime organizado se apropriou de parte do 
Estado, ele (Casagrande) tem uma vida política plena, goza de governabilidade e 
uma relação responsável para com os preceitos constitucionais.

**Confira o discurso de Erick Musso na íntegra:**

_Em sua obra ‘O Espírito das Leis’, publicada em 1748, Montesquieu traz a ideia 
de três poderes harmônicos e independentes entre si, sendo eles o poder Legislativo,
o poder Executivo e o poder Judiciário._

_Aristóteles também considerou essa separação. Platão expôs a importância de dividir
as funções do Estado. Maquiavel também discorreu sobre o assunto em sua mais conhecida
obra, “o príncipe”._

_Embora a separação dos poderes represente um dos mais relevantes princípios da 
constituição moderna, ele é um assunto antigo. Esta Assembleia Legislativa faz questão
de seguir à risca a constituição e de honrar a história. Esta casa não “peita” ninguém;
ela enfrenta desafios._

_Não adula governantes; aponta caminhos. Esta Assembleia não é mais um cartório 
carimbador de projetos; ela tem vida própria e orgulha-se deste novo momento que
tem construído na história do Espírito Santo._

_Esta Casa trata seus deputados e suas deputadas de forma igualitária: com distinção,
porque somos iguais, mas diferentes; mas sem segregação. Cuida de seus servidores
como se uma família fôssemos._

_E olha para o povo do Espírito Santo com ternura, respeito e gratidão. No meu discurso
de posse, em 1º de fevereiro deste ano, eu disse que fiz uma analogia:_

_“Uma das máximas da psicologia dos grupos esportivos é que um time vencedor não
é feito da soma dos melhores valores individuais, mas da boa relação entre todos
os integrantes da equipe. Não há gol sem passe. É impossível um ataque de meio sem
uma levantada precisa. E não há cesta decisiva sem uma boa assistência.”_

_Quase um ano depois, eu posso dizer, com gratidão, que tudo que nos propusemos 
a fazer tem dado certo. Graças ao empenho da nossa equipe, dos deputados, dos servidores,
e do Espírito das Leis que nos garante independência para tomar as decisões que 
nos competem, dentro de um ambiente de extrema harmonia._

_Não tentem, pois, nos desaglutinar. Uma das maiores características dos grandes
times é a capacidade de superar obstáculos. E esta Casa tem se tornado especialista
em buscar troféus para a cidadania. E a torcida, tenho certeza, é grande!_

_Muito obrigado!_
