# Entenda por que a Serra arrecada bilhões, mas é a 6ª mais ‘pobre’ do ES

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- Published: 2025-09-09T15:32:01-03:00
- Author: Yuri Scardini

A Serra costuma se enxergar como a cidade economicamente mais rica do Espírito Santo,
já que há alguns anos lidera o ranking do [PIB municipal capixaba](https://www.serra.es.gov.br/).
Essa é uma verdade numérica incontestável. No entanto, trata-se apenas de uma perspectiva,
pois o contínuo crescimento populacional pressiona o orçamento e coloca o município
entre os mais pobres quando considerada a proporcionalidade — que é, de fato, o 
parâmetro que dimensiona os desafios públicos no conjunto.

Segundo dados do Tribunal de Contas do Espírito Santo, nos sete primeiros meses 
de 2025 a Serra arrecadou R$ 1,72 bilhão, ficando em segundo lugar no ranking estadual,
atrás apenas de Vitória. É desse montante que a Prefeitura tirou dinheiro para custear
todas as suas responsabilidades.

Se, por um lado, o orçamento público visto em números globais coloca a Serra no 
topo, por outro, quando a avaliação é feita proporcionalmente à população, revela-
se o tamanho do desafio. Nessa ótica, a cidade sai da segunda posição e cai para
a 73ª entre os 78 municípios capixabas, tornando-se a 6ª “mais pobre” do Espírito
Santo. É nesse contraste que aparecem as discrepâncias reais no estado.

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## Serra: cidade rica?

A receita arrecadada per capita é calculada a partir da divisão do total arrecadado
pelo município pelo número de habitantes, permitindo avaliar quanto dinheiro cada
Prefeitura dispõe em relação ao tamanho da população. Nesse quesito, a Serra arrecadou,
nos sete primeiros meses de 2025, R$ 2,9 mil por habitante.

Esse número deve ser ainda menor, já que a última estimativa divulgada pelo IBGE
aponta que a Serra tem 580 mil habitantes. Muito provavelmente, o TC-ES utilizou
como base de cálculo os dados do Censo de 2022, que registrou 520 mil moradores.

Para efeito de comparação, o ranking é liderado por Presidente Kennedy, com arrecadação
de R$ 16,8 mil por habitante, seguido por Anchieta (R$ 7,7 mil/habitante) e Itapemirim(
R$ 7,1 mil/habitante) — todas favorecidas pelos royalties do petróleo. Em quarto
lugar aparece Vitória, com R$ 6,1 mil por habitante, ou seja, mais que o dobro da
Serra.

Vitória, aliás, é um caso peculiar no Espírito Santo: além de ter a maior arrecadação
total, possui população significativamente menor que a da Serra e com renda média
mais elevada. Esse cenário reduz a demanda por serviços públicos e garante à capital
a combinação de mais recursos e menos obrigações.

## Crescimento populacional:

Esse cenário na Serra tem um motivo principal: o crescimento populacional ininterrupto,
fenômeno contínuo desde que o município alterou sua matriz econômica na década de
1960, deixando de ser agrícola para entrar na fase industrial com a instalação do
Porto de Tubarão. De lá para cá a população cresce continuamente.

Entre os Censos de 2010 e 2022, a Serra foi a 12ª cidade brasileira que mais ganhou
novos habitantes, entre migrantes e nascidos, em um movimento que se repete a cada
levantamento demográfico. Na última década, o município recebeu, em média, 10 mil
novos moradores por ano, o que pressiona o orçamento público diante da necessidade
de ampliar a oferta de serviços de forma escalonada.

O perfil populacional acompanha essa lógica: a cidade atrai moradores de média e
baixa renda por oferecer um metro quadrado mais barato do que Vitória e Vila Velha,
mas, ao mesmo tempo, com mais infraestrutura urbana e serviços públicos que Cariacica.

Essa equação mantém a Serra na parte de baixo no ranking de arrecadação per capita,
comprimindo o orçamento público frente às crescentes necessidades e obrigações. 
Felizmente, o orçamento público da Serra tem crescido nos últimos anos, aliado a
um uso mais planejado dos recursos. Esses fatores afastam o município do colapso
urbano vivido especialmente nos anos 1990. Ainda assim, o cenário impõe um estado
crítico permanente, sobretudo porque a cidade passou a competir de forma intensa
por investimentos públicos e privados com municípios como Linhares e Aracruz.

Uma das estratégias utilizadas para equilibrar o orçamento, preservando o custeio
e mantendo algum ritmo de investimento, é o uso de crédito, viabilizado pela solidez
fiscal do município. No entanto, é evidente que esse instrumento tem limites. Esse
talvez seja o desafio estrutural da Serra ao longo dos últimos 60 anos: conciliar
o crescimento populacional com o crescimento orçamentário, de modo que a rica — 
porém pobre — cidade da Serra não volte a enfrentar o caos.

**1 – Presidente Kennedy –** R$ 16.878,34 por habitante
**2 – Anchieta –** R$ 7.732,28
por habitante**3 – Itapemirim –** R$ 7.120,33 por habitante**4 – Vitória –** R$ 
6.112,72 por habitante**5 – Aracruz –** R$ 6.010,18 por habitante**…****73º – Serra–**
R$ 2.969,86 por habitante**74º – Vila Velha –** R$ 2.872,94 por habitante**75º –
Ibatiba –** R$ 2.855,51 por habitante**76º – Cariacica –** R$ 2.812,83 por habitante**
77º – São Mateus –** R$ 2.706,42 por habitante**78º – Iúna –** R$ 2.700,88 por habitante
