# Entenda o processo de criação da urna eletrônica no Brasil

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- Published: 2024-07-01T17:42:04-03:00
- Author: Gabriel Almeida

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jpg "eleição urna")

Crédito: Divulgação

Inicialmente chamado de Coletor Eletrônico de Voto (CEV), as primeiras urnas eletrônicas
do Brasil surgiram há 28 anos, no dia 13 de maio de 1996, sendo utilizada nas eleições
municipais daquele ano.

A ideia de usar uma máquina para votar é antiga, nascida na época do primeiro Código
Eleitoral, que também criou a Justiça Eleitoral. Entre outros avanços, o Decreto
21.076, de 1932, estabeleceu o anonimato da votação e instituiu o voto feminino.
A idealização de um modelo eletrônico de votação teve início no mesmo período, mais
precisamente entre os anos 1930 e 1950.

Em 1937, o Tribunal Superior de Justiça Eleitoral (TSJE) – como era chamado na época–
analisou alguns equipamentos que poderiam ser usados para coletar o voto do eleitorado.
Um deles, desenvolvido por uma empresa norte-americana, The Automatic Voting Machine,
tinha um braço mecânico que marcava a opção escolhida pelo eleitorado e, no encerramento
da votação, abria uma folha de metal na qual os votos eram registrados.

Em 1952, uma invenção brasileira chamada de Televoto foi apresentada à Corte. Apesar
da promessa inédita de unir recursos presentes na televisão, no telefone e na máquina
fotográfica, a ideia não prosperou, pois o radiografista responsável pelo protótipo
jamais conseguiu desenvolvê-lo no nível esperado e o equipamento nunca foi usado
em eleições.

Mais uma tentativa aconteceu em 1958, ano em que foi concebida a Máquina de Puntel.
O aparelho funcionava por meio de teclas e de duas réguas que indicavam os cargos
a serem preenchidos. Porém, por ter uma operação demasiadamente complexa, o equipamento
acabou não sendo adotado no Brasil.

As décadas de 1970 e 1980 foram marcadas pela informatização da totalização dos 
votos em algumas unidades da Federação. Em seguida, houve a criação de uma rede 
de dados que interligava a Justiça Eleitoral e o recadastramento geral do eleitorado
por meio magnético.

Em 1989, já ocorriam experiências de votação eletrônica com o uso de microcomputadores
em Santa Catarina. Dois anos depois, em 1991, o plebiscito que emancipou o distrito
de Cocal do Sul foi conduzido com computadores adaptados pelo Tribunal Regional 
Eleitoral de Santa Catarina (TRE-SC).

No segundo turno das Eleições Gerais de 1994, eleitoras e eleitores de cinco seções
eleitorais de Florianópolis votaram para o cargo de governador nos equipamentos 
desenvolvidos pelo Regional. Depois, em fevereiro de 1995, todo o eleitorado do 
município de Xaxim elegeu o prefeito com votos coletados por microcomputadores.

**Eleições 1994: o divisor de águas para a Justiça Eleitoral**

O pleito geral de 1994 foi marcado por tensos episódios de fraudes na votação por
meio de cédulas de papel. Os problemas observados na cidade do Rio de Janeiro (RJ)
culminaram na anulação das eleições para os cargos de deputado federal e estadual.
Entre as conhecidas fraudes que ocorriam na votação manual, destacam-se a **urna
grávida ou emprenhada e o mapismo (desvio de votos)**. Dessa forma, a utilização
do equipamento passou a ser questionada. Por outro lado, era nítida a dificuldade
para se manter a custódia das cédulas de papel.

Em seguida, comissões nomeadas pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) passaram a
testar projetos criados internamente e também apresentados por empresas privadas.
O relatório final aprovado pelo TSE no dia 31 de agosto de 1995.

O projeto de informatização, realmente, tomou forma. Naquele ano, a subcomissão 
de informática, instituída pelo ministro, analisou três protótipos apresentados 
pelos tribunais regionais eleitorais.

**Os ninjas:**

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Foi criado um grupo técnico formado por servidores do Instituto de Pesquisas Espaciais(
Inpe), do Instituto Tecnológico da Aeronáutica (ITA), do Tribunal Superior Eleitoral(
TSE), da Telebrás, dos Ministérios do Exército e da Marinha e do Tribunal de Justiça
do Rio de Janeiro (TJ-RJ). Por terem três integrantes de ascendência oriental, a
equipe ficou nacionalmente conhecida como “ninjas”. Essa equipe foi responsável 
pela elaboração do edital de contratação da empresa que produziria a primeira urna
eletrônica (modelo 1996), chamada, na época, de Coletor Eletrônico de Voto.

A urna eletrônica veio para coletar e contar os votos de maneira correta. O sucesso
da urna eletrônica se deve ao reconhecimento de que era necessário minimizar a interferência
humana no processo eleitoral.

 

 

 
