# Entenda a substituição de Ferraço por Vidigal no 1º escalão de Casagrande

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- Published: 2025-01-21T12:54:04-03:00
- Author: Yuri Scardini

![Vidigal Casagrande](https://www.portaltemponovo.com.br/wp-content/uploads/2025/
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Sergio Vidigal, Renato Casagrande e Ricardo Ferraço. Crédito: Divulgação

Nesta segunda-feira (20), o ex-prefeito da Serra, Sérgio Vidigal (PDT), foi anunciado
como o novo secretário estadual de Desenvolvimento, substituindo o vice-governador
Ricardo Ferraço (MDB). A nomeação está prevista para ser oficializada no dia 12 
de fevereiro, uma data carregada de simbolismo na trajetória pública de Vidigal.

Em uma análise inicial, alguns podem interpretar a substituição como um rebaixamento
de Ricardo Ferraço, mas, na verdade, ocorre o oposto. O vice-governador é o sucessor
natural de Casagrande nas eleições de 2026. Contudo, o pragmatismo político deve
prevalecer: se Ferraço não estiver eleitoralmente competitivo, o grupo casagrandista
não dará um de suicida. Nesse contexto, Ricardo precisa “tomar um banho de rua” 
para fortalecer sua base e viabilizar sua candidatura.

Liberando Ricardo de suas atribuições na Secretaria de Desenvolvimento, ele estará
mais apto a assumir o papel de “rosto” desta segunda metade do governo Casagrande,
período em que estão previstas diversas entregas importantes. Apesar de ter sido
um secretário ativo, com uma visão estruturante para o desenvolvimento do estado
nas próximas décadas, sua atuação na pasta apresentou limitações em termos de projeção
eleitoral.

Essa situação reflete um dilema entre a política de resultados reais – aquela que
gera benefícios concretos e duradouros para a sociedade –, mas que frequentemente
carece de apelo popular, e a política eleitoreira, de curto prazo, onde a presença
física e temas, por vezes, meramente especulativos ou de menor relevância ganham
mais destaque e engajamento junto à população.

Na prática, para se viabilizar como sucessor de Casagrande, Ricardo terá que se 
render à segunda opção: investir na política de curto prazo, mais próxima da base
eleitoral. A substituição de Ferraço por Vidigal aponta claramente para uma estratégia
de Casagrande de tornar Ricardo mais popular, já que ele é o plano A para a sucessão.

Por outro lado, a entrada de Vidigal evidencia o interesse de Casagrande em mantê-
lo em evidência. Informações de bastidores indicam que foi oferecido a Vidigal qualquer
espaço de destaque de sua preferência, incluindo a poderosa Secretaria de Saúde.
Após a negativa de Vidigal, Casagrande teria mantido certa pressão para que ele 
não ficasse fora dos holofotes políticos. Assim, surgiu o entendimento de que a 
troca entre Ferraço e Vidigal seria uma solução conveniente para as três partes:
Casagrande, Vidigal e o próprio Ricardo Ferraço.

Diferentemente de Ferraço, Vidigal não deve priorizar a relação com o alto empresariado,
grandes investidores ou projetos de longo prazo. Sua ênfase será na conexão com 
pequenos empresários, microempreendedores, comerciantes e trabalhadores informais.
Isso porque, na estrutura da secretaria que Vidigal assumirá no próximo dia 12, 
estão instituições estratégicas, como Sebrae, Aderes e Bandes.

Se bem articuladas, essas instituições podem oferecer a Vidigal uma visibilidade
significativa no chamado “chão de fábrica” da pasta. Em termos eleitorais, essa 
abordagem pode representar um quantitativo de votos expressivamente maior, ao focar
em públicos mais numerosos e diretamente impactados pelas políticas da secretaria.
Ao que tudo indica, Vidigal deverá interiorizar mais as políticas de incentivo e
apoio aos “pequenos”, alcançando especialmente o público das cidades menores. Esse
movimento tem o potencial de levar seu nome para além da Grande Vitória, onde ele
já é amplamente reconhecido como político.

Essa estratégia reforça o fato de que, se Ricardo Ferraço é o plano A para a sucessão
de Casagrande, Vidigal é claramente o plano B. Contudo, é evidente que Casagrande
não pode admitir isso publicamente no momento, pois precisa manter o PP e o Podemos
alinhados ao seu grupo político, evitando que esses partidos migrem para o Republicanos,
do prefeito de Vitória, Lorenzo Pazolini, ou sejam atraídos por uma eventual candidatura
de Paulo Hartung (sem partido). A manutenção dessa unidade depende de um movimento
político cuidadoso e bem orquestrado por Casagrande.
