# Empresa mineira apresenta projeto de novo bairro na Serra com World Trade Center e Central Park

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- Published: 2025-05-05T10:38:57-03:00
- Author: Yuri Scardini

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Área do Contorno de Vitória, possível local para surgimento de um novo bairro. Crédito:
Divulgação

Uma empresa de Minas Gerais, a 2D Real Estate, está sondando a cidade da Serra para
desenvolver um projeto imobiliário de grande porte e, em última análise, faraônico.
Ainda em fase conceitual, o empreendimento já movimenta os bastidores: a coluna 
apurou que houve um primeiro contato institucional com a Prefeitura da Serra e com
o Governo do Estado para apresentar ideias preliminares, que incluem a construção
de um World Trade Center (WTC) e de um espaço inspirado no Central Park, compondo
um amplo projeto de urbanização com investimento estimado em cerca de R$ 1 bilhão.

Segundo informações levantadas até o momento, a região que melhor reúne características
para abrigar um investimento dessa magnitude seriam as imediações do Alphaville,
no extremo sul da Serra. Inclusive, já estariam em andamento negociações com a família
Larica, proprietária de milhões de metros quadrados na cidade. Entre essas áreas
está a Fazenda Jacuhy, próxima à Rodovia do Contorno de Vitória, onde parte já foi
usada, em parceria com a Alphaville Urbanismo, para implantação do atual complexo
de condomínios. A área em negociação seria provavelmente o restante da fazenda —
uma extensão imensa, que se espalha pelos dois lados da rodovia.

De acordo com setores da Prefeitura, estima-se que a família Larica detenha cerca
de 30 milhões de metros quadrados na Serra, embora o número possa ser ainda maior,
já que parte das terras estaria registrada em nomes de empresas e terceiros. Durante
anos, membros da família tentaram comercializar essas áreas, gerando diversas especulações.
Parte expressiva desses terrenos está em áreas de proteção ambiental ou regiões 
alagadiças próximas ao Mestre Álvaro, onde, na época agrícola da Serra, predominavam
plantações de arroz.

Na prática, o projeto criaria um novo bairro, formando um centro urbano integrado
ao Alphaville, com fácil acesso a Cariacica, Vila Velha e Vitória.

A 2D Real Estate tem experiência no setor e é responsável pelo Bairro Jardins, em
Ribeirão das Neves (MG), lançado em 2021 com quase 900 lotes. O bairro foi projetado
para transformar a realidade urbanística de uma cidade historicamente marcada pelo
crescimento desordenado e pela carência de infraestrutura, cenário que guarda semelhanças
com a formação urbana da Serra.

O Bairro Jardins foi planejado para oferecer um espaço urbano organizado, qualidade
de vida e valorização imobiliária em uma cidade que tradicionalmente apresentava
valorização imobiliária abaixo da capital mineira. O contexto se aproxima da realidade
capixaba, já que Vitória enfrenta limitações de expansão e tem o metro quadrado 
mais caro do Espírito Santo, tornando a Serra estratégica para novos empreendimentos.

O projeto incluiria também um prédio comercial com o selo World Trade Center. A 
marca pertence à World Trade Centers Association (WTCA), organização fundada em 
1970 que licencia o nome para projetos imobiliários no mundo todo. Para utilizar
a marca, os desenvolvedores precisam cumprir padrões mínimos de operação, compromisso
com o comércio internacional e integração à rede global de mais de 300 WTCs em cerca
de 90 países. Além do prestígio, os associados têm acesso a eventos, serviços e 
uma ampla rede de negócios. No Brasil, há WTCs em São Paulo, Curitiba, Joinville,
Belo Horizonte, Recife e Fortaleza.

Outra proposta em análise é a retomada do antigo projeto de uma marina. Nos fundos
da região do Alphaville passa o rio Santa Maria da Vitória, que se conecta ao estuário
do Lameirão e desemboca no canal da Passagem, em Vitória, ou na Baía de Vitória,
próximo à Vila Velha. Isso permitiria uma ligação fluvial entre a Serra, a capital
e Vila Velha, criando um novo modal de transporte.

Vale lembrar que esse projeto de marina é antigo e, no passado, não avançou devido
a questões ambientais. Além disso, o rio Santa Maria da Vitória é usado para abastecimento
humano, exigindo maior cuidado e fiscalização. Outro ponto que precisará ser avaliado
é a capacidade do rio para suportar embarcações de médio porte. No século 19, há
registros de embarcações de até 9 toneladas navegando rumo ao Porto de Vitória, 
mas hoje a situação é crítica, com o volume de água frequentemente no limite para
captação na estação da Cesan, localizada a poucos quilômetros acima. Esse é um ponto
importante para entender se a retomada desse projeto de marina seria com olhar em
mobilidade urbana ou apenas para uso individual. De qualquer forma são questões 
que, certamente, precisarão ser analisadas futuramente.

O projeto, ao que tudo indica, está alinhado com o interesse público, já que o equilíbrio
do perfil socioeconômico da população da Serra é visto como estratégico. Isso porque
tende a promover o aumento da arrecadação pública, impulsionado pelo alto potencial
de consumo de um público com maior poder aquisitivo, o que também deve atrair novos
negócios e serviços associados à demanda. A Serra já vem passando por mudanças nesse
sentido guinado especialmente pelo setor habitacional. Um exemplo é que, após décadas,
um bairro fora do circuito das ocupações irregulares passou a ser o mais populoso
do município, segundo o Censo Demográfico de 2022: Colina de Laranjeiras. Até então,
essa posição era ocupada por Feu Rosa, um loteamento que se expandiu por meio de
ocupações irregulares – fenômeno urbano que historicamente impõe desafios extras
para a administração pública.

A coluna apurou que houve sondagens junto à Prefeitura da Serra e ao Governo do 
Estado, e um projeto formal foi apresentado, contendo projeções e propostas de como
ficaria. Evidentemente seria lançado em etapas, embora outras cidades também estejam
sendo consideradas para o projeto. A coluna tentou contato com um representante 
da 2D Real Estate, que apresentou o projeto a autoridades capixabas, mas não obteve
retorno.
