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terça-feira, 11 de agosto de 2020

Em evento concorrido, Givaldo confirma filiação ao PCdoB

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Maria Nascimento
Maria Nascimento é repórter do Tempo Novo há mais de 15 anos. Atualmente, a jornalista escreve para diversas editorias do portal, principalmente para a de Política.
Na última sexta-feira (18), lideranças do PCdoB de todo o país prestigiaram o ato público de filiação do deputado federal Givaldo Vieira ao partido. Entre os militantes que marcaram presença no encontro, destaque para as deputadas Jandira Feghali (federal) e Manuela D’Ávila (estadual-RS) e a presidente do partido, Luciana Santos. O Tempo Novo conversou com as deputadas e o recém-filiado Givaldo Vieira. Confira abaixo:
 
Como tem sido a receptividade de lideranças do partido em diferentes cidades e estados brasileiros?
[Manuela] Tem sido boa a acolhida da nossa turma do PCdoB, mas também dos universitários, das universitárias, das mulheres. Tem sido uma acolhida extraordinária das mulheres brasileiras onde a gente passa. É a cara do nosso partido, pode ver que tem a Luciana Santos, a Jandira  (Feghali). A gente até brinca que o Givaldo está entrando pelo critério de cotas. 
 
Qual o cotexto da chegada de Givaldo Vieira ao PCdoB?
É uma alegria muito grande, a militância do Brasil inteiro acolheu com muito entusiasmo um quadro político com a dimensão do Givaldo, com seus compromissos, com capacidade; muito respeitado no seu campo político, mas também escutado pelos adversários pela habilidade; sempre sabe onde está. Givaldo é alguém que age de acordo com seus princípios, dialogando com os trabalhadores, com as trabalhadoras; tem uma trajetória muito bonita no Espírito Santo. Então nós estamos em festa. 
 
Quais são as estratégias eleitorais do PCdoB para 2018 no Espírito Santo? 
[Luciana] Estamos onde sempre estivemos. A gente lado, a gente tem campo. Vamos marchar na composição da aliança das forças progressistas aqui do Estado, com Ronaldo, presidente do partido, com Givaldo, que entra agora; tem uma tradição de luta exatamente nesse lado, nesse campo. Já foi vice-governador de Casagrande, secretário de Estado, tanto na educação como no trabalho e tem um mandato exemplar. No Espírito Santo, o partido tem muita maturidade, muita coerência, e vai rumar no nosso campo, no nosso lado para defender os interesses do Brasil e do Espírito Santo. 
 
Outras lideranças do PT devem migrar junto com o deputado? 
Muitos desses movimentos advêm das circunstâncias locais, contradições locais com as quais o parlamentar ou liderança política se chocam. Temos muita identidade programática de ideias, estamos nas trincheiras ao longo desses anos. E todos aqueles, homens e mulheres desse país, que alimentam o sonho de que um outro Brasil é possível, está dentro das possibilidades de cerrar fileiras no PCdoB.
 
Quais são os objetivos do PCdoB em nível nacional?
Temos uma candidatura ao Governo, com a reeleição de Flávio Dino, que tem um simbolismo muito grande. Ele tem feito a diferença; o Maranhão só perde para Alagoas no índice de desenvolvimento humano. E a ampliação da nossa bancada na Câmara; não somos uma grande bancada em quantidade, mas como diria Castro Alves ‘sou pequeno, mas fito os Andes’; e assim se comporta a nossa bancada, é uma bancada influente, que faz diferença no parlamentamento e com Givaldo a gente vai arrebentar.
 
O que muda do Givaldo do PT para o do PCdoB?
[Givaldo] O Orlando Silva, que é nosso líder na bancada me recebeu dizendo que Givaldo mudou de casa mais não mudou de rua. A brincadeira acolhedora que ele fez mostra bem que estou no partido de muita coerência histórica, são 96 anos de atuação em favor do Brasil; tem nas suas bandeiras as bandeiras pelas quais sempre lutei. Então não muda, a não ser a perspectiva de a gente estar neste momento fortalecendo uma alternativa do campo popular das esquerdas do Espírito Santo. A minha entrada tem este objetivo, este sentido histórico, fortalecer uma alternativa importante no campo popular e nas esquerdas do Espírito Santo, e fazer a resistência ao golpe e toda essa onda de direita, que é uma onda de retirada dos direitos da população, tanto direitos civis, quanto sociais. Estamos fortalecendo o PCdoB para juntos com outros partidos fazer essa resistência.
 
 
Como deve caminhar o partido no Estado nestas eleições?
[Givaldo] O quadro é bastante indefinido, nossa perspectiva é de ajudar a construir uma alternativa para o modelo que dirige hoje o Estado, que ao nosso ver é um modelo excludente, uma repetição do modelo nacional do golpe, dessa linha neoliberal de retirada de direitos, de ajuste fiscal sem nenhum compromisso com a população. Estamos para somar em uma alternativa de construção, mas ainda não há nenhuma definição preestabelecida com relação ao alinhamento do ponto de vista majoritário para o Governo; vamos estabelecer agora muitas conversas formando uma alternativa ao modelo que temos hoje no Estado que nós questionamos. O partido vai se organizar com um foco no seu posicionamento parlamentar, nós queremos ajudar o PCdoB a voltar a ter um representante na Assembleia Legislativa, e terá, com esse movimento que estamos fazendo e queremos contribuir para que, não só o meu ingresso, mas que o PCdoB continue tendo deputado federal representando nosso Estado. Meu planejamento é de reeleição.
 
Quais são as bandeiras do PCdoB para 2018?
[Manuela] O centro da construção de candidatura passa pela ideia de que o Brasil precisa de um projeto de desenvolvimento nacional para enfrentar a crise econômica; precisamos recuperar a capacidade de investimento do Estado; garantir que a política macro-econômica esteja a serviço da indústria nacional e do povo brasileiro. Dentro disso existem áreas que o país precisa enfrentar para retomar seu desenvolvimento; uma delas é a área da segurança, porque essa eleição nós não ouviremos mais de que esse é um tema de responsabilidade exclusiva dos governos estaduais; acho que todos os candidatos estão refletindo sobre quais os dilemas da segurança pública nacional, foco na investigação e inteligência; foco na Corregedoria e Ouvidoria policial. Esse episódio do Rio de Janeiro nos reforça a necessidade de termos instrumentos de controle onde a população possa se ver para legitimar as polícias; não existe segurança pública sem polícia; precisamos garantir que os policiais tenham remuneração digna, mas garantir que eles possam se relacionar com as comunidades que são os que sofrem violência; é preciso vincular esses assuntos. Nossa candidatura não poderia ser diferente. Nós entendemos que o desenvolvimento nacional tem compromisso na diminuição das desigualdades sociais que o Brasil vive; passa pela desigualdade das mulheres; a forma como o racismo se estrutura a desigualdade entre negros e brancos. O Brasil só será um país desenvolvido, uma nação se as mulheres participarem dessa construção. 
 
Acredita ter peso eleitoral para chegar ao segundo turno?
[Manuela] estamos construindo isso junto com a população; fazendo política ouvindo os movimentos sociais; estamos com um diálogo muito intenso com a Frente Favela Brasil, um movimento de negras e negros que se estruturam no Brasil inteiro para aglutinarem força política de ideias na nossa candidatura, convidamos eles para participarem democraticamente do PCdoB nesse processo eleitoral porque reconhecemos o movimento que eles fazem de empoderamento dos homens e mulheres negros. Nós temos debatido com o setor produtivo brasileiro porque achamos que essa saída de Temer do conjunto de candidatos ultraliberais (Temer, Meireles, Rodrigo Maia, Alckimin e até mesmo Marina), o conjunto de medidas ultraliberais; temos debatido muito intensamente com os coletivos que surgem de mulheres no Brasil inteiro, que não têm vínculo partidário, mas que organizam por lutas comuns à nossa. Se isso der certo nós temos capacidade para chegar ao segundo turno.
 
Poderia ser uma substituta natural do ex-presidente Lula?
Não existe substituto natural de um homem com a dimensão do Lula; foi o maior presidente da história do Brasil, absolutamente popular. Temos trajetórias de vida diferentes. Temos uma relação política muito sólida; a nossa lealdade vem desde 1989. Fico feliz por poder representar, com as diferenças que temos nos 12 anos que governamos o Brasil.
 
O Espírito Santo tem base econômica ligada à minero-siderurgia, agroindústria, celulose, rochas ornamentais. São empresas impactantes ao meio ambiente e ao social. Quais são as propostas econômicas para o Espírito Santo do PCdoB, que perdeu o Fundap, que recebeu a lama da Samarco…?
Nós acreditamos que o Brasil precisa ter um projeto de desenvolvimento que passe pelo enfrentamento dos temas das indústrias regionais. Existem temas que são nacionais e que punem a um conjunto de indústrias do país inteiro, usando um exemplo mais claro, juros e câmbio. Existem outros instrumentos, como a existência ou não de políticas vinculadas a bancos públicos para fomento da indústria regional e até mesmo substituição; podem fomentar por exemplo a redução de impactos ambientais. Precisamos conjugar os esforços para desenvolver o Brasil com esforço para garantir a sustentabilidade; isso faz parte do desenvolvimento do nosso tempo. Também existe um debate que é importante que a gente perceba que é sobre a indústria de inovação, a aposta que é preciso fazer na inovação, na tecnologia para que a gente siga produzindo, desenvolva, garanta emprego e produtos de qualidade para o nosso povo no Brasil. 
 
Pode disputar os votos que podem migrar de Lula com Ciro Gomes?
Ciro é um homem do nosso campo político; nós dois estamos disputando o mesmo eleitorado, mas é momento de muita maturidade no nosso campo político, precisamos respeitar uns aos outros e fomentar o diálogo.
 
 
 
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Maria Nascimento
Maria Nascimento é repórter do Tempo Novo há mais de 15 anos. Atualmente, a jornalista escreve para diversas editorias do portal, principalmente para a de Política.

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