# Eleições 2020: Na Serra, Fernanda é Lula e Lula é Fernanda

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- Published: 2020-07-28T20:00:24-03:00
- Author: Gabriel Almeida

Era setembro de 2018, o ex-presidente Lula estava preso, condenado pelo ex-juiz 
e ex-ministro Sérgio Moro por lavagem de dinheiro e corrupção passiva. O PT tinha
o objetivo de lançar um candidato próprio e fazer frente a onda bolsonarista que
se agigantava. Eis que naquele momento, o Partido dos Trabalhadores chegava a uma
decisão final: Fernando Haddad para presidente.

Nacionalmente, Haddad era um pouco conhecido ex-prefeito de São Paulo, que em poucos
dias saiu do semianonimato para o topo das pesquisas de intenção de votos – ao lado
de Jair Bolsonaro, que naquele momento era o fenômeno das redes sociais. Para isso,
Haddad, ou ‘Andrade’, como era confundido, se banhou nas bençãos do ex-presidente
e assumiu o espólio lulista – que talvez seja até maior do que o próprio petismo.

Haddad não levou, mas serviu para demonstrar que apesar do sentimento anti-Lula,
o ex-presidente segue sendo um cabo eleitoral promissor. Na Serra, o ‘Andrade’ abocanhou
26% dos votos no primeiro turno, perdendo apenas para Bolsonaro que atingiu 50%.
No segundo turno, Lula/Haddad colocaram 42% para dentro da urna e Bolsonaro 58%.

Agora em 2020, o PT da Serra estima que pode criar outro fenômeno de votos ancorados
em Lula – que dessa vez está solto e disposto a cair para dentro das campanhas petistas.
Se antes era Fernando Haddad, agora é Fernanda Souza a bola da vez do PT da Serra.
Filiada ao partido desde os 14 anos, Fernanda militou em movimentos sociais e sindicais;
já foi secretária municipal de Trabalho Emprego e Renda na gestão passada do Prefeito
Audifax Barcelos; além de ter sido professora durante 11 anos em uma popular faculdade
capixaba.

Fernanda não é nenhuma desconhecida no município, mas proporcionalmente, pode-se
dizer que ela está para a Serra, assim como Haddad estava para o Brasil. Afinal,
estamos falando de uma cidade de meio milhão de habitantes (em número de moradores,
é a 21° maior cidade brasileira excluindo as capitais).

Mas se Fernando chegou lá, porque Fernanda não pode? É o que se perguntam petistas
entusiastas da campanha na Serra. O partido aposta no processo de nacionalização
da eleição local, dado o aprofundamento das polarizações especialmente potencializadas
pelo presidente Jair Bolsonaro.

Petistas, inclusive a própria Fernanda Souza afirmam que Lula estará na Serra, andará
pelas ruas da cidade, fará vídeos e material conjunto. O PT quer surfar no anti-
bolsonarismo e quer protagonizar o movimento “anti-fascista”, nas palavras deles.

Além disso, o partido quer apresentar um plano de governo para a pós pandemia. Fernanda
já adiantou que Saúde e Assistência Social terão maior peso no bojo da proposta.

Petistas dizem, que se o processo eleitoral nacionalizar com força, até para o segundo
turno eles podem ir e o passaporte é o Lula. Parte da aposta está nos votos da juventude:‘
alguns jovens não sabiam o que era um Governo sem o PT, depois do Temer e Bolsonaro,
eles viram as diferenças’, defende Fernanda.

Além dos jovens, está no roteiro os professores, o meio cultural, os movimentos 
negros, sindicais, sociais, LGBTQ+, os anti-bolsonaristas, entre outros. Na prática,
Fernanda é Lula, e Lula é Fernanda. E se isso descer para o grosso da população,
o PT pode surpreender. Até porque, vale lembrar que o partido tem grandes fatias
dos fundos eleitorais e partidários, se a nacional mandar e a estadual acatar, pode
injetar recursos e dar estrutura de campanha robusta.

Sabe-se que nos bastidores, o ex-prefeito Sérgio Vidigal (PDT) trabalha a todo momento
para tirar todas as candidaturas possíveis, para se valer da sua quilometragem na
Serra e vencer a eleição. Por isso, há um risco circundando o PT da Serra, já que
existem arranjos em curso envolvendo Vitória. Vidigal costuma gostar só do bônus
das coisas, e trazer o PT para seu palanque implica em assumir também os ônus, por
isso essa conta é difícil de fechar. Além disso, Vidigal votou a favor do impeachment
da ex-presidente Dilma Rousseff, coisa que até hoje não desce para muitos petistas.

Para o PT da Serra, a campanha de Fernanda é irreversível, e ela será a antítese
ao bolsonarismo na Serra, posição que a princípio, nenhum outro pré candidato parece
estar disposto a fazer. Enfim, é jogo que segue na eleição para prefeito da maior
cidade do Espírito Santo.
