Mestre Álvaro
Yuri Scardini é autor do livro 'Serra: a história de uma cidade' e escreve sobre política e economia

Eleição já bate à porta, mas ainda há tempo para outras surpresas na Serra

eleição Serra
Da direita para esquerda: Audifax Barcelos (PP); Pablo Muribeca (Republicanos); Weverson Meirreles (PDT), Roberto Carlos (PT); Igor Elson (PL) e Wylson Zon (Novo). Caricaturas de propriedade do Jornal Tempo Novo

As convenções partidárias irão acontecer entre os dias 20 de julho e 5 de agosto, intervalo de tempo em que os partidos e federações precisarão realizar seus eventos para decidir formalmente junto à Justiça Eleitoral sobre coligações e escolhas de candidatos aos cargos de prefeito, vice-prefeito e vereador. Dessa vez, a Serra entra nessa fase ainda com indefinições muito expressivas e um tempo curto para negociações, mas mesmo assunto, surpresas podem acontecer.

Essa semana, aguarda-se a participação do prefeito Sergio Vidigal (PDT) em algum evento público da Prefeitura da Serra. Não é um detalhe qualquer, já que, a partir de 6 de julho, ou seja, três meses antes do 1º turno, ficam vedadas algumas condutas por parte de agentes públicos, como nomeações, exonerações e contratações, assim como participação em inauguração de obras públicas, ordem de serviços e afins.

Se comparecer a algum evento da Prefeitura, ele ficará constitucionalmente impedido de disputar o pleito, dadas essas restrições do calendário eleitoral. Dessa forma, não pairarão mais dúvidas quanto à candidatura de Weverson Meireles para a sucessão de Vidigal. Este assunto a respeito do declínio de Vidigal e lançamento de Weverson já é bem solidificado dentro do PDT, porém, ainda é tratado com dúvidas em outros cantos. Por esse motivo, é aguardado que Vidigal participe de um evento da Prefeitura da Serra, para que essas dúvidas sejam efetivamente encerradas.

Este assunto gera até certo nível de irritação no prefeito, uma vez que ele já apresentou Weverson como seu pré-candidato e desde então tem reafirmado esse projeto de renovação de forma intensa. Mas são dúvidas comuns, considerando que ele, até o momento, é legalmente apto a disputar a eleição, além de estar muito bem avaliado.

Weverson está em ritmo acelerado de pré-campanha e conta com aliados muito expressivos, incluindo o governador Renato Casagrande (PSB), que demonstra entusiasmo com esse projeto. A Serra é absolutamente estratégica para o governador, visando a eleição de 2026. A vinda de Weverson também abriu espaço para estreitar diálogos entre o PDT e o PSDB, do deputado Vandinho Leite. Este ano, o parlamentar não será candidato, mas tem grande importância no cenário eleitoral e na geopolítica partidária, especialmente considerando que PSDB e PSB são aliados em âmbito estadual. Hipoteticamente, Vandinho apoiando um palanque oposto ao do governador pode ser um problema para o PDT.

Vandinho e Vidigal têm aparecido juntos em eventos públicos, em um clima político ameno, algo que até alguns meses atrás era impensável, além disso, Weverson e Vandinho tem um ótimo relacionamento político. Sabe-se que os tucanos almejam a indicação da vice, mas esse arranjo ainda não está totalmente claro. Recentemente, Nilza Cordeio, aliada de Vandinho, pediu exoneração na Assembleia Legislativa, sinalizando que, caso o PSDB apresente um nome para composição, o dela estaria em jogo.

Weverson conseguiu até mesmo aliviar as tensões entre o ex-prefeito Audifax Barcelos (PP) e Vidigal. Sem Vidigal na disputa, Audifax retomou um bom nível de protagonismo político e foi reinserido nas cabeças da disputa, algo que seria complicado caso Vidigal fosse candidato, já que eles dividem o mesmo eleitorado. Há possibilidade de uma composição entre PP e PDT? Tudo é possível, especialmente na Serra, que tem alto nível de dinamismo político. Certo é que Weverson impõe um novo ponto de virada para o PDT e, nesse contexto, pode haver espaço para um diálogo entre esses dois grupos políticos que no passado, antes do racha em 2007/2008, já foram um só. Este é um ponto que nos próximos dias será definido para dar sequência às convenções; mas é algo em potencial que sem a participação de Casagrande na mesa de negociações, não vai girar.

O deputado Pablo Muribeca (Republicanos), por sua vez, está mantendo sua candidatura como pode. Na visão de seus aliados mais próximos, ele “não tem o que perder”, já que está com mandato e na perspectiva deles, não há um cenário em que ele saia menor do que entrou, fazendo dele um franco-atirador. Evidente que ele, assim como a maioria, não esperava o declínio de Vidigal, o que complicou sua pré-campanha, deixando-o numa encruzilhada em relação à narrativa política.

Existem informações de que o time de Casagrande já entrou no circuito para desmontar alguns importantes apoiadores de Muribeca, que lhe davam a sustentação necessária. Essa estratégia de esvaziamento também foi observada no período de filiações partidárias, quando Pablo foi alvo tanto de Audifax quanto de Vidigal. Recentemente, surgiram rumores de que ele poderia declinar, informação negada com veemência pelo deputado. Sua equipe está animada, é barulhenta e deve impor uma narrativa que vincule Audifax, Vidigal e Weverson no mesmo pacote, colocando Pablo como a verdadeira terceira via. Ainda que seu principal mote de campanha tenha caído por terra com o declínio de Vidigal, já que, se Pablo se apresentava como renovação, Weverson surgiu como uma antítese a ele.

Muribeca não é alguém a ser subestimado; mostrou que, mesmo com seu jeito particular de se movimentar, sabe atacar e contra-atacar. Ele tem capital digital, algo que Vidigal, Audifax e Weverson possuem em menor grau, embora isso esteja sendo potencializado nos últimos meses. Ele enfrentará uma estrutura robusta e precisará de uma narrativa concisa, que ainda não apresentou, além de encontrar uma forma de controlar sua rejeição, que cresce paralelamente à sua intenção de voto. Esses dois aspectos serão pontos chave que devem ficar mais claros nas próximas semanas, caso o deputado mantenha seu projeto de disputar a eleição.

No campo da polarização nacional, o PT lançou o professor e ex-deputado estadual Roberto Carlos. É um projeto que tem respaldo nacional na cúpula do partido e que alcançou certo nível de notoriedade, considerando a retomada da governança brasileira pelas mãos do presidente Lula. Por outro lado, há também o fato de que o PDT e o PT se uniram em Vitória para apoiar a candidatura de João Coser a prefeito. Esse fato insere a possibilidade de que, nas negociações, Vidigal mantenha algum nível de gerência nos planos do PT para a Serra.

O que não seria novidade, pois historicamente, os interesses do PT de Vitória se sobrepõem aos do PT da Serra, estratégia que se mostrou acertada, já que dessa forma o partido governou Vitória por várias vezes. Não se sabe se Roberto Carlos manterá esse projeto para a prefeitura; ele está fazendo seu dever de casa e continua na pré-campanha. No entanto, é evidente que, se não for interessante para o partido em nível estadual, ainda há tempo para negociar a candidatura na Serra.

Diferente do PT, o PL não sinaliza de forma alguma que irá retirar a candidatura do atual vereador Igor Elson a prefeito. Segundo informações, o senador Magno Malta, líder estadual do partido, garantiu apoio a Igor em caso de derrota, incentivando o vereador a seguir em frente. Igor tem mantido um ritmo de pré-campanha intenso, vinculando-se ao ex-presidente Jair Bolsonaro e a movimentos de direita. Ele trabalha com a possibilidade real de se tornar deputado estadual, já que ele tem a segunda suplência, e os dois políticos à sua frente na fila serão candidatos a prefeitos com boas chances em suas respectivas cidades.

Essa situação é vantajosa para Igor, pois ele pode ir para as ruas, aumentar seu reconhecimento, se apresentar ao eleitorado e, mesmo que seus planos sejam frustrados, ainda pode ganhar um mandato de deputado estadual ou ser absorvido dentro do projeto do senador Magno Malta, deixando-o com boas perspectivas para 2026, quando a polarização deve retomar a força. Igor trabalha com a proposta de crescer através do engajamento bolsonarista e, se reunir votos suficientes para ingressar no segundo turno, deixará a narrativa ideológica de lado para concentrar-se em aspectos locais.

Nesse sentido, independente da situação que se desenrole, o PT tem um projeto mais associado a Vidigal e Weverson, mesmo que publicamente não o explicitem. Se Roberto Carlos for efetivamente candidato, dificilmente adotará uma narrativa oposicionista e de desgaste. Enquanto isso, o PL está mais independente e deve atacar tanto Weverson quanto Pablo Muribeca, que tem tentado conquistar votos dos eleitores da direita.

Há também outras pré-candidatos em voos mais solos, como o Partido Novo que lançou o empresário Wylson Zon. É alguém que conhece muito a Serra e sempre foi partícipe de instituições e projetos importantes para a Serra, como a presidência da Associação do Empresários da Serra.

 

+ Pelo bem das duas cidades, a muralha institucional entre Serra e Vitória precisa ser superada

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