# É preciso ser antirracista: racismo estrutural e os desafios da representatividade na política da Serra

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- Published: 2025-05-19T14:36:22-03:00
- Author: Opinião do Leitor

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“A democracia se fortalece com diversidade, com respeito às diferenças e com a valorização
de todas as identidades que constroem essa cidade. É preciso ser antirracista. Sempre”,
disse Ivo Lopes. Crédito: Divulgação

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    Por Ivo Lopes
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A política da Serra tem exposto de forma cada vez mais nítida os limites da representatividade
quando não está acompanhada de consciência política e compromisso com as lutas históricas
do nosso povo. Em um município onde a maioria da população é negra, a presença de
corpos negros nos espaços institucionais ainda não se traduz, necessariamente, em
práticas políticas antirracistas.

O racismo estrutural não é uma falha do sistema: ele é o sistema. É a forma como
as instituições foram historicamente organizadas para manter privilégios e desigualdades.
Já o racismo institucional se expressa quando essas estruturas impedem o pleno acesso
de pessoas negras a direitos, oportunidades e participação social e política. Isso
ocorre até mesmo quando há presença negra nos cargos, mas sem compromisso com as
pautas negras.

Nos últimos dias, vimos agentes públicos da cidade usarem de seus mandatos para 
atacar políticas de igualdade racial, ofendendo conquistas históricas. Em discursos
recheados de conservadorismo, tentam deslegitimar o papel das políticas voltadas
aos povos tradicionais, à população negra e às mulheres. Chamam essas pautas de “
irrelevantes”, ignorando o Brasil real que sofre com desigualdade, exclusão e violência
cotidianas.

Mais delicado ainda é quando essa retórica aparece também entre representantes negros,
que muitas vezes, ao ingressarem nesses espaços institucionalizados, acabam reproduzindo
discursos que negam as próprias lutas históricas do povo negro. Isso não acontece
por acaso. O sistema foi desenhado para neutralizar resistências e moldar condutas.
A estrutura racista tenta fazer com que mesmo os nossos, ao ascenderem politicamente,
abandonem suas raízes ou se desconectem das pautas coletivas. Como diz a frase tantas
vezes repetida nos movimentos: “Não basta ser negro, é preciso ser antirracista”.
A cor da pele, sozinha, não é sinônimo de compromisso com o povo negro. É preciso
consciência e formação política.

E esse cenário se agrava quando o discurso de ódio deixa de ser apenas simbólico
e se torna incentivo direto à violência. Em 2022, acompanhamos na cidade a organização
de uma rifa de uma arma de fogo,uma espingarda calibre 12, supostamente para arrecadar
fundos para uma igreja. Mais do que imoral, essa ação revela uma naturalização da
violência e da cultura armamentista dentro da política institucional, com forte 
apelo entre setores conservadores. O gesto escancara o desprezo pela vida e o perigo
real que tais posturas representam para a sociedade.

Não podemos tratar isso como normal. O discurso de ódio já tem provocado cenas terríveis
em diversas partes do país. Ataques a terreiros, assassinatos motivados por racismo
ou LGBTfobia, perseguições a professores e lideranças populares: tudo isso é consequência
direta da irresponsabilidade de quem usa o microfone público para incitar o ódio,
o preconceito e a intolerância.

**[+ Casagrande se diz “preocupado” e cobra Lula para que a Serra não perca R$ 4 bilhões da Arcelor](https://www.portaltemponovo.com.br/casagrande-diz-preocupado-e-cobra-lula-para-que-a-serra-nao-perca-r-4-bilhoes-da-arcelor/)

É hora de cobrar responsabilidade. Palavras têm peso. Mandatos não são espaços para
promover violências simbólicas e práticas, e sim para defender o bem comum. Precisamos
de instituições que investiguem, denunciem e punam com seriedade esse tipo de conduta,
antes que situações ainda mais graves aconteçam.

A cidade da Serra precisa enfrentar esse debate com maturidade. Não se constrói 
justiça racial apenas com símbolos, mas com ações concretas, com recursos públicos
investidos onde historicamente faltaram, com escuta e participação popular. Precisamos
de representantes que não só sejam negros, mas que também estejam a serviço do povo
negro.

O combate ao racismo exige coragem. Exige romper com privilégios, desafiar estruturas
e incomodar setores conservadores. Não podemos permitir que, em pleno século XXI,
a política local se transforme num palco de discursos de ódio, negacionismo e exclusão.
A democracia se fortalece com diversidade, com respeito às diferenças e com a valorização
de todas as identidades que constroem essa cidade. É preciso ser antirracista. Sempre

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    Ivo Lopes é Advogado e Presidente do Conselho Municipal de Promoção de Política de Igualdade Racial
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