# Dúvidas

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- Published: 2017-05-26T10:21:00-03:00
- Author: Ana Paula Bonelli

Ando meio confuso. O partido da estrela vermelha que era fonte de toda a corrupção
no Brasil, agora, de uma semana para cá, tem a companhia de seu principal adversário
nas manchetes. Isso porque Aécio Neves pediu um empréstimo pessoal simbólico de 
R$ 2 milhões. Até o Bolsonaro (quem diria?), fonte ética para alguns brasileiros,
admitiu publicamente que seu partido recebeu propina da JBS. Nas palavras do próprio
deputado afinal: “qual partido não recebe?”.

E por falar na JBS, porque só agora a nova sensação de Goiás – Joesley e Wesley (
parece nome de dupla sertaneja, não é?) – resolveu fazer suas gravações e lançar
no mercado? Certo é que foi sucesso imediato em todas as rádios, TV’s e jornais.
Resta saber quanto tempo ficará no _trending topics_ do país.

O caso da JBS chama a atenção. Ao contrário de Marcelo Odebrecht, que estava preso
há mais de um ano quando acertou as bases de sua delação premiada, os irmãos goianos
estão nos EUA – enquanto estamos aqui no Brasil no caos causado por eles. Segundo
os próprios, foram cerca de 2.000 políticos e algo em torno de meio bilhão de reais
em subornos e propinas, inclusive beneficiando o atual presidente.

E por falar em Temer, quanto tempo ainda fica como presidente? Ele vai renunciar?
O Congresso vai abrir e julgar procedente o seu impeachment? O Poder Judiciário 
vai intervir? Os militares vão tomar o poder? Muitas são as hipóteses… Se Temer 
cair, garantidas as premissas democráticas, como iremos substituí-lo: eleições indiretas–
como prevê a atual regra constitucional – ou diretas?

É plausível supor que a forma de escolha vai interferir diretamente no perfil do
presidenciável. Eleições indiretas tendem a coroar um perfil mais centrista, agregador
de maiorias. A questão decisiva do modelo indireto no contexto atual é a falta de
legitimidade do Parlamento brasileiro, que seria o responsável pela escolha. Caso
a opção seja pela eleição direta, há a possibilidade de uma maior radicalização 
por parte de candidatos, bem como a emergência de novos nomes como já andam sendo
discutidos nas redes sociais.

Tenho mais dúvidas que respostas, mas como diria Tom Jobim: “O Brasil não é para
principiantes”. Definitivamente não.
