# “Dezembro é o prazo máximo para o Audifax posicionar um sucessor”, diz marqueteiro

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- Published: 2019-08-28T15:55:39-03:00
- Author: Gabriel Almeida

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O marqueteiro eleitoral Ronaldo Cassundé acumula 17 anos de estrada e dois livros
escritos. Foto: divulgação.

Com 17 anos de experiência na área de marketing eleitoral e autor de dois livros,
Ronaldo Cassundé acumula quilometragem suficiente para olhar o cenário político 
em perspectiva. Morador da Serra, o marqueteiro pincela os rumos da eleição de 2020.
Ele aposta em uma “grande renovação” na Câmara; avalia que vereadores de oposição
que se envolveram na crise política com o prefeito Audifax, deverão ter mais dificuldade
de reeleição; e acredita que dezembro é o prazo máximo para o prefeito apresentar
um sucessor.      

**Em termos de legislação eleitoral, o que vai ser diferente em 2020, em comparação
a última eleição municipal de 2016?**

Até o momento, a mudança mais impactante é o fim das coligações proporcionais. Os
partidos terão que construir chapas ‘puro sangue’ altamente competitivas se quiserem
garantir representação parlamentar. Outra novidade é que pela primeira vez o dinheiro
do fundo eleitoral será utilizado nas eleições municipais. Por um lado, isso permitirá
que um número maior de candidatos tenha acesso ao mínimo de recursos necessários
para defender suas bandeiras. Por outro, aumentará as chances dos partidos com direito
a parcelas maiores do financiamento público.

**E o que essas mudanças podem acarretar num contexto de eleição local da Serra?**

A primeira mudança será a redução do número de partidos em condições de impactar
o resultado das candidaturas a prefeito. Lembrando que, sem tempo de TV, a principal‘
moeda de troca’ das siglas é o poder de mobilização das chapas proporcionais. O 
segundo impacto deverá ser a diminuição drástica da quantidade de partidos na Câmara.
A nova composição do parlamento será marcada por bancadas expressivas das agremiações
mais fortes.

**Como fica a polarização esquerda x direita (que marcou 2018) na eleição da Serra?
Isso terá peso da disputa pela Prefeitura?**

A tendência é não haver uma polarização binária ideologizada, como ocorreu em 2018.
É claro que teremos ainda algum reflexo nas eleições, com ativistas de esquerda 
e direita trocando farpas nas redes sociais. Mas o debate decisivo será em torno
do modelo de cidade desejado pelos cidadãos serranos. 

**Em 2018, houve uma onda de renovação que varreu políticos tradicionais, essa tendência
deve continuar em 2020?**

A dança das cadeiras no parlamento gira em torno de três fatores: 1 – desejo de 
mudança do eleitorado. 2 – o trabalho dos vereadores junto aos seus redutos, garantindo-
lhes ficar na parcela que não será renovada. 3 – o mandatário conseguir abrigo numa
boa chapa. Prevendo a combinação dos fatores que acabo de citar, imagino que haverá
uma grande renovação na Câmara da Serra.   

**O ano de 2019 foi marcado por uma violenta crise institucional entre vereadores
de oposição e o prefeito Audifax, isso pode ter algum desdobramento na eleição?**

Avalio que o prejuízo maior será para aqueles vereadores que passaram muito tempo
numa guerra desgastante e perderam o foco dos seus mandatos. O prefeito sempre tem
a “força da caneta”, com ordens de serviço, inaugurações e medidas populares que
tradicionalmente antecedem ao período eleitoral.

**Atualmente, já se destacam na corrida eleitoral da Serra os nomes que giram em
torno do Governador Casagrande, com Bruno Lamas ou Sergio Vidigal; e do Presidente
da Assembleia Legislativa, Erick Musso, com Xambinho, Vandinho ou Amaro Neto.   
Como você avalia estes movimentos iniciais da sucessão?**

É notório que existe um grande clamor por novidades na política da Serra. Vidigal
é um líder consagrado, jamais pode ser subestimado. Mas o Bruno é jovem e filiado
ao mesmo partido do governador e isso tem um peso. Xambinho também é jovem, está
em crescimento, tem rejeição baixa e transita bem nas principais forças políticas
do município. Ele pode representar o sentimento de novidade que o eleitor serrano
procura. A fibra do Vandinho faz dele um nome competitivo. Quanto ao Amaro, acredito
que será candidato na capital.  

**Ainda existe tempo hábil para Audifax lançar uma candidatura que venha “de fora
da política” como se ouve nos bastidores?**

O tempo e o raio de manobra do Audifax estão cada vez mais apertados. Calculo que
dezembro seja o prazo máximo para o prefeito posicionar um nome capaz de impactar
o quadro sucessório. Caso contrário, vai buscar o entendimento com alguma pré-candidatura
já colocada.

**Podem surgir outras novidades?**

Embora seja pré-candidato a prefeito de Vitória, o ex-deputado federal Carlos Manato
tem força para sacudir o tabuleiro eleitoral da Serra. Ele possui ligações estreitas
com o Presidente Jair Bolsonaro e conhece como poucos os bastidores da política 
serrana. Também merecem atenção os movimentos do médico Gustavo Peixoto, que no 
início de setembro assumirá a direção do Pros no município.
