# Deszelo com as águas | Opinião TN

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- Published: 2019-10-25T10:03:24-03:00
- Author: Gabriel Almeida

Não é novidade o descaso com as águas. Episódios recentes confirmam tamanho desleixo
que, além de paulatinamente destruir a biodiversidade, põe em risco a saúde, a economia
e as conquistas da civilização.

Um desses episódios é o desastre/crime ambiental do petróleo nas praias do Nordeste
e que pode até atingir o Espírito Santo e a Serra em breve. Além de escancarar a
nocividade do modelo de consumo desenfreado e insustentável, revela o quanto as 
repostas do poder público e das corporações são inócuas para combater os efeitos.

O caso foi agravado pelo desmonte das políticas ambientais em nível federal. O governo
Bolsonaro demorou para agir. E ainda pôs mais lenha na fogueira da polarização do
país com bravatas acusatórias de seus ministros, amplificadas pelos barulhentos 
seguidores do presidente nas redes sociais, robôs ou reais.

Outros desastres crimes/ambientais de grande amplitude já atestaram a fragilidade
de governos e corporações. Basta ver as repostas aos rompimentos das barragens de
outro setor background da economia contemporânea do superconsumo: a mineração. Os
prejuízos humanitários, ambientais e econômicos do rompimento da barragem da Samarco(
Vale + BHP), em novembro de 2015, e da Vale em Brumadinho, no mês de janeiro de 
2019, estão longe de ser equacionados.

Na Serra, foi adotada uma parceria público-privada (PPP) entre Cesan e Ambiental
Serra no esgoto, iniciada em 2015. Enquanto mais gente passou a pagar taxa de esgoto
e aumentar os lucros de alguns, as águas de rios, córregos e lagoas e praias seguem
poluídas. O Município, que autorizou essa PPP, agora vai gastar dinheiro público
para contratar uma empresa para monitorar o tratamento de esgoto.

No início de outubro, moradores de Serra Sede foram surpreendidos por uma água salobra,
com cheiro de produto químico e cor estranha saindo das torneiras. Há relatos de
que pessoas que consumiram o líquido passaram mal. Quase três semanas depois, a 
Prefeitura – que também é responsável por fiscalizar a qualidade da água distribuída
pela Cesan – disse que o líquido está dentro dos padrões legais. A Cesan sequer 
veio a público se explicar.

As águas pedem socorro, enquanto o direito ao meio ambiente equilibrado previsto
na Constituição é sumariamente ignorado.
