# CPI pede prisão de acusados pela morte de animais em apartamento de Vila Velha

- Link: https://www.portaltemponovo.com.br/cpi-pede-prisao-de-acusados-pela-morte-de-animais-em-apartamento-de-vila-velha/
- Published: 2021-02-25T13:26:27-03:00
- Author: Gabriel Almeida

![](https://www.portaltemponovo.com.br/wp-content/uploads/2021/01/cpi.jpg "cpi")

Situação de um dos animais vivos encontrados no apartamento em Vila Velha. Foto:
Divulgação

A reunião da CPI dos Maus-Tratos Contra os Animais da Assembleia Legislativa do 
ES na tarde da última quarta-feira (24) foi marcada por confusão.

O advogado de defesa da família investigada pela morte dos animais no apartamento
em Vila Velha, no dia 8 de janeiro, foi proibido de interrogar as testemunhas do
caso.

Bianca Guimarães, Lívia Guimarães e José Neto não atenderam a convocação da CPI 
dos Maus-Tratos Contra os Animais da Assembleia Legislativa para prestar depoimento.
Somente o advogado da família foi ao encontro.

“Essa era uma oportunidade deles esclarecerem os fatos e se defenderem. Essa ausência
só mostra a falta de compromisso dos três com a causa animal. Nós já estávamos de
posse dos depoimentos que eles prestaram à Polícia Civil e por tudo que ouvimos 
aqui hoje das testemunhas temos provas de que eles exploravam os animais resgatados
para arrecadar dinheiro, por meio de vaquinhas virtuais em redes sociais. Vamos 
pedir imediata prisão dos envolvidos”, declarou a deputada Janete de Sá, presidente
da CPI.

Os primeiros a depor foram dois amigos pessoais de Bianca, Samara Caliari Arize 
e Vitor Hugo Moreira Saraiva. Os dois afirmaram que ela nunca usou cocaína, que 
morava na casa deles e que não deixava ninguém ir no apartamento dela. A informação
de que ela seria usuária de drogas foi dada pelos pais dela à imprensa e em depoimentos
à polícia.

Também foram ouvidos os síndicos do condomínio. “Eu só via animais entrarem no apartamento,
nunca vi sair. O único que saiu foi um cachorro que pulou a janela do segundo andar,
desesperado”. A afirmação foi feita pelo ex-síndico do edifício, Sérgio Augusto 
Azevedo Santos à CPI dos Maus Tratos aos Animais. Ele disse ainda que o apartamento
constantemente ficava sem ninguém e que o mau cheiro era insuportável. “Algumas 
vezes eles retiravam muito sacos de lixo do local, mas não era possível ver o que
tinha neles. Nós procuramos ajuda das autoridades mas não fomos atendidos”, disse
ele.

O atual síndico do apartamento onde 11 animais foram encontrados mortos no dia 8
de janeiro, em Vila Velha, Bruno Serafim Coelho disse que, desde 2019, eles reclamam
de mau-cheiro vindo do imóvel e que Bianca não morava no local. “Não ouvia os animais
latirem e nem Bianca andando com os mesmos. Os animais ficavam abandonados no apartamento
e no início do ano aconteceu a tragédia que chocou a população capixaba”, disse 
ele.

A presidente da CPI também mostrou imagens de um pet shop em Vila Velha que mostram
Bianca Guimarães bem disposta na noite anterior à data em que os animais foram encontrados
mortos. Nas imagens, Bianca tira fotos das compras e do valor pago no caixa. A mulher
que aparece com ela no vídeo é Samara Caliari Arize que confirmou ter ido com a 
amiga ao Pet na véspera do ocorrido. “Eu fui ao Pet Shop comprar ração para os meus
animais. Bianca só comprou um petisco para o cachorro do namorado mais deixou na
minha casa”, alegou.

A CPI ouviu outros depoimentos importantes. “Pelo que conseguimos apurar, tudo indica
que a família tinha uma lógica criminosa. Eles sempre pediam dinheiro e divulgavam
as contas em nome deles em todos os posts. O cachorro Zeus, que a CPI resgatou e
estava sob a custódia de Lívia, é um dos sobreviventes da chacina no apartamento
da Bianca, filha dela. Como as reclamações dos moradores vinham desde 2019, entendemos
que os animais mais debilitados eram colocados no apartamento para morrer”.

Janete de Sá ressaltou ainda que o Brasil tem uma lei que pune com prisão os agressores
de cães e gatos. “Nós não vamos sossegar enquanto os responsáveis por esse crime
bárbaro não forem punidos. Nós não podemos aceitar que pessoas de má fé sobrevivam
as custas dos animais, maltratando os mesmo e dificultando a vida dos bons protetores
que por conta disso estão tendo dificuldades em conseguir ajuda para realmente investir
no tratamento e custeio dos animais carentes”.

O advogado Jamilson Monteiro Santos, que defende os suspeitos não apresentou justificativa
para ausência de seus clientes e ainda tentou tumultuar os trabalhos querendo interrogar
as testemunhas. Não satisfeito ele ainda acionou outros advogados da OAB na tentativa
de garantir a fala do mesmo o que foi indeferido pela deputada Janete de Sá depois
de consulta a Procuradoria da Assembleia Legislativa.

Com cartazes e faixas cobrando punição para os culpados os protetores de animais
acompanharam a sessão da CPI nas galerias do plenário e também fizeram protesto 
em frente à Assembleia Legislativa.
