Condomínios populares pressionam serviços públicos em Manguinhos

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Os líderes comunitários Ieda Gazen e Marcelo Vargas, dizem que escola e posto de saúde já estão sobrecarregados. Foto: Fábio Barcelos
Os líderes comunitários Ieda Gazen e Marcelo Vargas, dizem que escola e posto de saúde já estão sobrecarregados. Foto: Fábio Barcelos

Clarice Poltronieri

A possível construção de mais um condomínio de baixa renda no bairro Ourimar, vizinho a Manguinhos, vem enfrentando resistência dos moradores do balneário.  É que o bairro Ourimar recebeu mais de 2 mil moradores com a inauguração de um conjunto habitacionais para baixa renda. Como o local não tem escolas, creches e posto de saúde, toda essa demanda está sendo atendida em Manguinhos, cuja comunidade alega falta de estrutura para tanta gente.

Parte do aumento da população ocorreu no início de julho deste ano, com a inauguração de dois condomínios, Ourimar I e II, que atendem a 608 famílias de baixa renda pelo Programa Minha Casa, Minha Vida, parceria entre Prefeitura e Governo Federal. Tem ainda um conjunto de uma construtora, com 300 apartamentos e que agora quer construir mais 320.

A presidente da associação de moradores de Manguinhos, Ieda Gazen Freitas, aponta os problemas. “Como Ourimar não tem nenhuma estrutura para atender a população, todos vêm para Manguinhos que mal atende os moradores do bairro. Tem 608 apartamentos do Minha Casa, Minha Vida e uns 300 da MRV que quer instalar outros dois condomínios no local. Cabe a nós perguntar à prefeitura: cadê a estrutura? Cadê o estudo de impacto de vizinhança? Não queremos que as pessoas não venham, mas que se tenha estrutura no bairro delas. Aqui aumentou a busca por escola, creche, posto de saúde e afetou a estrutura viária, mobilidade urbana, segurança”, enumera.

A situação também preocupa a associação de moradores de Ourimar. Segundo o presidente Marcelo Vargas, não houve audiência pública para apresentar os projetos habitacionais à comunidade.  “Colocaram as pessoas e não deram assistência. Falta unidade de saúde, creches e escolas. E tem mais dois empreendimentos da MRV querendo vir para cá, mas ninguém fala em infraestrutura”, protesta.

Inclusive sobre estes últimos, acrescenta Marcelo, está marcada uma audiência pública para o próximo dia 14 de setembro às 19h no auditório da faculdade UCL. A informação foi confirmada pela assessoria de imprensa da Prefeitura da Serra.

Secretária diz que infraestrutura dá conta

Segundo a secretária municipal de Planejamento Estratégico, Lauriete Caneva, a escolha do local para a instalação do condomínio de baixa renda foi feita pela Caixa Econômica Federal e à prefeitura, cabe dar a assistência, o que é suprido pelos bairros vizinhos. “Vimos que 50% das famílias já eram da região e os equipamentos locais já atendiam. Ampliamos o atendimento nas escolas e postos de saúde próximos”, afirma.

Já os questionamentos a respeito do aumento da insegurança, Lauriete diz que a Polícia Militar passou a fazer rondas diárias na região. “Estamos em parceira com o governo do Estado, que ampliou a segurança local e deve fazer um estudo de implantação de um sinal para melhorar a travessia na ES 010 e diminuir riscos no trânsito”.

Lauriete acrescenta que as famílias moradoras foram selecionadas conforme a faixa de renda. “Damos assistência social, explicando como funciona a vida em condomínio, apoio na documentação e acompanhando as famílias com oficinas de teatro, dança e artesanato”, explica.
Quanto ao condomínio particular, a secretária disse que se a infraestrutura da região não comportar a empresa terá que dar contrapartidas.

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