# Como cuidar dos animais em tempos de coronavírus

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- Published: 2020-03-19T09:44:46-03:00
- Author: Gabriel Almeida

Diante da pandemia do novo coronavírus (Covid-19) que vem se instaurando no Brasil,
o Conselho Federal de Medicina Veterinária (CFMV) manifesta a necessidade de cautela
nas decisões e destaca o papel do médico-veterinário como parte integrante do Sistema
de Saúde Única, que envolve o ser humano, os animais e o meio ambiente.

“A relação homem/animal, intensa em todo o mundo e no Brasil, nos faz considerar
que os estabelecimentos veterinários são responsáveis pela saúde animal, considerados
essenciais para a harmonia dessa convivência”, afirma Wanderson Ferreira, médico-
veterinário e tesoureiro do CFMV, pós-graduado em Clínica Médica e Cirúrgica de 
Pequenos Animais.

Nessa mesma perspectiva, a Organização Mundial de Saúde Animal (OIE) e a Associação
Mundial de Veterinária (WVA) emitiram [nota](https://www.oie.int/en/for-the-media/press-releases/detail/article/covid-19-and-veterinary-activities-designated-as-essential/)
defendendo que os serviços veterinários e de nutrição animal são essenciais para
a saúde pública, especialmente na prevenção de doenças, no gerenciamento de emergências
e enfretamento de pandemias, como a que ocorre atualmente.

A partir desse posicionamento e com a autorização dos governos estaduais, o CFMV
reforça que, por enquanto e até segunda ordem, os médicos-veterinários cumpram seu
papel como profissionais de saúde e mantenham o atendimento normal em clínicas e
hospitais veterinários, com algumas ressalvas que devem ser consideradas:

**– CONSULTAS VETERINÁRIAS: **atendimento preferencialmente agendado, com a presença
de apenas um responsável (tutor), para evitar a concentração excessiva de humanos
nos ambientes de espera.

**– HIGIENIZAÇÃO:** adoção de regras básicas de higiene e assepsia pessoais e do
ambiente, antes e após cada atendimento. Usar o máximo de descartáveis (jalecos,
luvas etc.). Consultas em domicílio devem seguir rigidamente essas normas de higiene
e assepsia, além de manter um intervalo mínimo de duas horas entre os atendimentos.

**– INTERNAÇÃO:** desestímulo às visitas aos animais internados, oferecendo maior
número de boletins médicos dos pacientes.

**– _PET-SHOPS_:** são muito importantes na nutrição dos animais, devendo manter
estoque normal dos alimentos, evitando deslocamentos incertos dos tutores à procura
da ração ideal para seu animal.

**– ESTÉTICA ANIMAL:** incentivo aos tutores a diminuir a frequência de banhos e
tosas de seus _pets_, diminuindo a circulação das pessoas. Preferencialmente, realizar
a higiene dos _pets _no próprio domicílio.

**– PASSEIOS COM _PETS_:** devem ser reduzidos, feitos em pequenas distâncias, apenas
para atender às necessidades fisiológicas dos animais, também evitando concentrações
em parques e praças.

**– AUTORIDADES LOCAIS:** todas as recomendações dos órgãos públicos de saúde devem
ser seguidas rigorosamente.

**– ANIMAIS DE PRODUÇÃO: **nos locais de manejo e criação dos animais de produção,
via de regra, já costuma ser baixa a concentração de pessoas, o que mitiga o risco
e já contribui para evitar a propagação do vírus nesses ambientes. Mantendo as distâncias
recomendadas pelos órgãos de saúde, acredita-se que a possibilidade de contaminação
já é pequena. De qualquer forma, em granjas com um quantitativo maior de profissionais,
como as de suínos, recomenda-se que as reuniões em campo para definição de procedimentos
clínicos e de manejo sejam reduzidas e mais curtas, mantendo-se os protocolos de
distância e evitando contatos físicos.

**– QUARENTENA E AS CLÍNICAS:** o CFMV considera que os serviços clínicos veterinários
são essenciais e devem ser mantidos à disposição da população, assim como os de 
nutrição animal, desde que reforcem os cuidados com a higienização a cada atendimento
e organizem o agendamento das consultas com antecedência para evitar concentração
excessiva de pessoas no mesmo ambiente.

_Colaboração: médico-veterinário Roberto Lange, da Comissão Nacional de Estabelecimentos
Veterinários (CNEV/CFMV)_

**TUTORES**

Para esclarecer dúvidas gerais da sociedade e dos tutores, o CFMV divulga perguntas
e respostas sobre o assunto.

**O coronavírus é transmitido pelos animais? Devo evitar contato com os meus _pets_?**

A Organização Mundial da Saúde (OMS) diz que, até o momento, não há evidência significativa
de que animais de estimação possam ficar doentes ou transmitir o novo coronavírus(
Covid-19).

Mesmo assim, a recomendação é de que **pessoas infectadas** evitem o contato com
seus cães e gatos e também façam quarentena de convivência com eles.

**Se o animal não transmite, nem pega o Covid-19, por que não posso ficar perto 
do meu _pet _se eu estiver com o coronavírus?**

Realmente, não há comprovação científica de que o animal transmita o Covid-19, mas
o tutor infectado, ao espirrar ou tossir, poderá espalhar partículas com vírus na
pelagem do animal. Até o momento, não há informações de que o animal em si desenvolva
a doença, mas se o pelo estiver contaminado e outra pessoa o tocar, não há garantia
de que não haverá transmissão. Nesse momento de incertezas, todo cuidado faz a diferença
para evitar o contágio.

**Existe um coronavírus que atinge o cachorro?**

SIM, existe o coronavírus canino, que atinge o trato gastrointestinal de cães, podendo
desencadear um processo de diarreia e vômito. Mas o homem é resistente a esse vírus,
que não tem nada a ver com o Covid-19, o qual ataca as vias respiratórias.

**Tem vacina para o coronavírus de cachorro? Humanos podem tomá-la?**

As vacinas V-8 e V-10 imunizam o cachorro contra o corononavírus canino, que não
é o mesmo que está se espalhando agora, causando a pandemia. Essas vacinas não podem
ser aplicadas em humanos e não são eficazes contra o Covid-19.

**Posso passear com o meu cachorro na rua?**

Nesse período de contenção do coronavírus, a recomendação é que as saídas ao ar 
livre com os animais de estimação sejam curtas e objetivas, acompanhadas de apenas
um responsável, apenas para atender às necessidades fisiológicas – sempre evitando
contato com outros animais e pessoas, buscando os lugares menos aglomerados e os
horários mais tranquilos.

**Como devem ser as consultas veterinárias em domicílio?**

Os médicos-veterinários devem redobrar os cuidados com a higiene; usar o máximo 
de material descartável possível, inclusive o jaleco; e reservar os resíduos para
dar a destinação adequada, especialmente o material biológico. Assim como no atendimento
em clínicas, orientar que apenas um tutor acompanhe a consulta para evitar concentração
de pessoas.

**Meu animal está internado. Posso visitá-lo?**

Durante o período crítico de surto do coronavírus, recomenda-se que os tutores evitem
visitar os animais internados. Também sugere-se que os serviços que não são de urgência
e emergência sejam reprogramados, para não haver uma exposição desnecessária nesse
momento crítico de propagação do novo coronavírus.

**O médico-veterinário pode fazer atendimento a distância?**

NÃO, o atendimento a distância continua proibido, conforme determina o Código de
Ética do Médico-Veterinário. A consulta clínica deve ser presencial, seja no consultório
ou em domicílio, mas sempre que possível, de forma restrita, individualizada, reduzindo
aglomerações.

**Como deve ser a higienização dos estabelecimentos veterinários?**

Os médicos-veterinários devem ser mais severos com a higienização dos ambientes,
limpando o recinto a cada atendimento. Limpar, principalmente, o mobiliário e os
utensílios que tiveram contato direto com o animal ou com o tutor, como mesas, bancadas,
instrumentos, cadeiras e tudo o que foi utilizado durante o atendimento dos pacientes.
As recepções também devem intensificar a limpeza.

**Não abandone os animais**

O abandono de animais é inaceitável e já era um problema de saúde pública no Brasil
antes mesmo da ameaça do coronavírus, uma vez que cachorros e gatos errantes, sem
vacinação e cuidados de saúde, além de indefesos, são potenciais transmissores de
zoonoses, aquelas doenças transmitidas de animais para seres humanos, como raiva,
leishmaniose, leptospirose, toxoplasmose e outras. Como afirmado anteriormente, 
não há ainda relação de transmissão do Covid-19 por animais. Dessa forma, reforça-
se a necessidade de que as pessoas pratiquem a guarda responsável, cuidem da saúde
dos seus _pets _e mantenham as medidas necessárias para evitar a propagação de doenças.
