# Com base em parecer da OAB, vereadores da Serra propõem Lei “Eci Scardini” contra censura na Câmara

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- Published: 2022-08-19T14:20:37-03:00
- Author: Yuri Scardini

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 Eci Scardini ao lado do prefeito Sergio Vidigal e demais servidores públicos apresentando
a nova rotativa adquirida em abril de 2000.

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 Ex-prefeito Erix Guimarães (1971-1972) em visita a sede do Jornal Tempo Novo ao
lado de Eci Scardini no ano de 2000.

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 Em 1999, Eci Scardini entrevistando Adão Célia, médico e fundador dos hospitais
Meridional e Vitória Apart.

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 O ex-vereador, Gildo Gomes, Eci Scardini e o ex-deputado Gilson Gomes, na inauguração
do Fórum em 1995.

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 Eci Scardini entrevistando o ex-ministro do STF Carlos Veloso em 1996.

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 Eci Scardini, o Sr. Geraldo Vidigal (pai do atual prefeito Sergio Vidigal) e o 
ex-presidente da Câmara da Serra, Aloísio Santana, na antiga sede do TN em 1997.

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 Eci Scardini entrevista Paulo Hartung no final dos anos 90.

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 Eci Scardini cobrindo a solenidade de lançamento da pedra fundamental da Escola
Técnica da Serra em 1996.

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 Eci Scardini é eleito patrono da Feira Esportiva da Serra em 1992.

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 Eci Scardini é um dos fundadores da Academia de Letras da Serra. Ele entrega diploma
para empresária Valesca, dona do antigo Colégio Metropolitano, início dos aos 2000.

Com base no parecer da 17ª Subseção da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-Serra)
vereadores da Serra protocolaram um Projeto de Resolução (PR) que propõe a mudança
do Regimento Interno da Câmara, permitindo livre acesso de profissionais da imprensa
no Plenário da Casa de Leis durante as sessões. O documento leva o nome Projeto “
Eci Scardini”.

O parecer da OAB apontou violação de liberdade de imprensa, no caso ocorrido no 
dia 13 de julho quando dois jornalistas do Tempo Novo foram impedidos de adentrar
no plenário (entenda o caso abaixo).

Assina o PR o vereador Paulinho do Churrasquinho com a co-autoria do vereador Anderson
Muniz, que é jornalista; e antes de exercer a função de vereador, já fez coberturas
jornalísticas no plenário da Câmara.

De acordo com Paulinho, “a liberdade de imprensa é fundamental para manutenção do
sistema político brasileiro, que é a democracia. Não existe democracia, e uma sociedade
livre, sem a presença de uma imprensa livre, que possa informar à população sobre
o que acontece. A sociedade necessita de informações para que possa formar sua própria
opinião, a partir de uma diversidade de olhares e opiniões diante de um mesmo fato”,
disse.

O Projeto de Resolução tem o número 05/2022 e garante aos veículos de imprensa acesso
e permanência em plenário durante as sessões ordinárias, extraordinárias e quaisquer
outras, mediante apresentação de credencial previamente emitida pela Câmara Municipal
da Serra.

Atualmente o Regimento Interno prevê assento aos veículos de imprensa na galeria
da Câmara, que além de ser sempre recheada de assessores e populares, que atrapalham
o trabalho dos profissionais, ainda é dividida por um vidro blindado do Plenário,
comprometendo assim em absoluto o exercício da profissão.

“Não existe isso de não entrar; eu mesmo já fiz cobertura no Plenário. Isso sempre
ocorreu, então vamos corrigir essa lacuna no Regimento para que nunca mais haja 
casos semelhantes”, disse Anderson Muniz. Vale ressaltar que o Projeto de Resolução
está aberto para assinatura de outros vereadores como co-autores.

### **O projeto:**

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Câmara da Serra, em Serra Sede. Foto: Gabriel Almeida

O documento já protocolado acrescenta três incisos no artigo 184 da Resolução nº
278, de 23 de setembro de 2020. Além disso, presta uma “homenagem ao jornalista 
Eci Scardini pelo seu trabalho na luta pela liberdade de imprensa”.

Eci Scardini é o fundador do Jornal Tempo Novo, que teve sua primeira edição impressa
circulada em 24 de dezembro de 1983, sendo, portanto, um dos jornais mais antigos
em operação no Espírito Santo e o mais antigo na Serra. Eci Scardini também é um
dos membros fundadores da Academia de Letras da Serra (Aleas) e diagramou voluntariamente
o Regimento Interno da Câmara da Serra, em 1986.

 * Fica garantido aos veículos de imprensa acesso e permanência em plenário durante
   as sessões ordinárias, extraordinárias e quaisquer outras, mediante apresentação
   de credencial previamente emitida pela Câmara Municipal da Serra.
 * Será permitida a utilização de câmeras fotográficas, celulares e quaisquer outros
   equipamentos desde que não perturbem os trabalhos dos vereadores ou a atenção
   dos demais presentes.
 * Será garantido o acesso e permanência em plenário durante as sessões ordinárias,
   extraordinárias e quaisquer outras, o quantitativo de seis profissionais de imprensa
   sendo um de cada veículo de imprensa, podendo a presidência flexibilizar as quantidades
   deste inciso”.

### **Entenda o caso**

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Membros da Comissão de Acompanhamento Legislativo e Direito Constitucional da OAB-
Serra (17º subseção). Crédito: divulgação

O parecer da OAB foi divulgado no dia 08 e apontou que o Jornal Tempo Novo teve 
seu direito à liberdade de imprensa violado pela Câmara da Serra na sessão ordinária
do dia 13 de julho/2022, quando dois jornalistas foram impedidos de adentrar ao 
plenário da Casa de Leis; fato nunca ocorrido em 38 anos de atividades jornalísticas.

Naquela sessão, os ânimos políticos estavam exaltados devido a uma disputa de grupos
em torno da proposta de antecipação da eleição interna da Câmara da Serra. Houve
manobras de ambos os lados e a presença jornalística do Tempo Novo poderia gerar
constrangimento para os vereadores.

Após o Tempo Novo denunciar os fatos, a OAB levou o caso para análise da Comissão
correspondente. No mesmo dia 13 de julho, a Câmara da Serra também veio a público
dar a versão sobre o ocorrido e mesmo violando o direito do exercício profissional
dos jornalistas, disse por meio de nota o atual presidente Rodrigo Caldeira que:“
é a favor da liberdade de imprensa e se fez valer do Regimento Interno para justificar
o cerceamento aos jornalistas”. Regras das quais nunca foram seguidas nem pela atual
gestão da Câmara e nem por nenhuma outra nos últimos 38 anos.

O Regimento diz que é preciso credenciamento de agentes de imprensa para o acompanhamento
dos trabalhos legislativos (que nunca foi pedido e no dia dos fatos, sequer foi 
oportunizado aos jornalistas); citou também o Art. 184. do qual determina que somente
os vereadores poderão permanecer na parte do recinto do Plenário – outro item nunca
antes cumprido; e afirmou que os jornalistas poderiam acompanhar a sessão pela galeria,
que estava lotada de assessores aos gritos.

A OAB analisou as justificativas da Câmara da Serra e concluiu que a galeria não
é adequada tecnicamente para o exercício da função jornalística; citou também a 
falta de espaço reservado para a imprensa realizar o trabalho sem sofrer com a intervenção;
e lembrou que há o costume “já sedimentado de se permitir que agentes da imprensa
estejam presentes no Plenário, justamente por conta da má estrutura da Galeria no
que se refere à viabilidade dos trabalhos jornalísticos”.

Concluindo que apesar do Regimento Interno possuir normas específicas para o trabalho
jornalístico, na prática elas, são inaplicáveis e lesam a atividade da imprensa:“
tais normas do Regimento Interno caíram em desuso por conta da própria conduta da
Câmara dos Vereadores (que não pode agora exigir seu cumprimento estrito, sob pena
de incidir em comportamento contraditório)”, disse o parecer.

O documento segue afirmando que “não há local adequado para que os profissionais
da imprensa exerçam seu labor, de modo que não havendo tal espaço, e impossibilitando-
se o ingresso no Plenário, resta frustrada a atividade da imprensa, e por via de
consequência violada a liberdade de informação”.

E completa: “Assim, entende a Comissão de Acompanhamento Legislativo e Direito Constitucional
que no caso concreto, por conta do contexto fático que o revolve e dos costumes 
já sedimentados acerca da possibilidade de ingresso de jornalistas no Plenário, 
somando-se isso ao fato de que a galeria é local impróprio para o adequado desenvolvimento
do trabalho jornalístico, houve violação à liberdade de imprensa”.

### **Instituição propôs mudança nas regras**

Além de defender que houve efetivamente violação à liberdade de imprensa, o documento
propôs que seja criado o procedimento de credenciamento de jornalistas, dando-se
efetividade à norma contida no art. 30, XIV, do Regimento Interno da Câmara de Vereadores
da Serra.

Enquanto tal procedimento não é criado, a OAB defende que seja garantido o acesso
de jornalistas ao Plenário; e após o credenciamento passar a ser utilizado, que 
seja estabelecido número máximo de jornalistas que podem ingressar no Plenário, 
garantindo-se aos demais um local adequado para realização dos trabalhos: “entendendo-
se por local adequado um ambiente sem algazarras, falatório e/ou tumultos provocados
por terceiros que acompanham às sessões legislativas”, detalhou.

A OAB também recomenda que caso a Câmara não cumpra com as propostas elencadas, 
o Jornal Tempo Novo, ou mesmo as Associações de Classe (dos jornalistas), devem 
ingressar com mandado de segurança ou mandado de injunção perante o Poder Judiciário.
Se for colocado em votação e aprovado, o Projeto de Resolução atende as recomendações
da OAB-Serra.

### **Ex-presidentes criticam violação de liberdade de imprensa**

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Câmara da Serra na sede antiga, população comparecia em peso – 1998. Crédito: Acervo/
TN.

A reportagem procurou ex-presidentes da Câmara da Serra para se posicionarem a respeito
do parecer da OAB e das justificativas dadas pela Câmara.

Aloísio Santana que presidiu a Câmara de Vereadores entre os anos de 2007 e 2008
disse que tais regras nunca foram utilizadas e que a Câmara jamais proibiu jornalistas
de adentrarem o plenário.

“Isso não existe! Cercear a imprensa de fazer o seu trabalho, pra mim soa como uma
coisa muito grave e é sinal de que estão querendo esconder alguma coisa por baixo
do pano. Acho isso uma situação extremamente preocupante. No meu tempo era porta
aberta, não só para imprensa como para a população, que encontrava a porta aberta
no gabinete do presidente. Aquela recepção virou exposição de artista. Enfim, acho
isso ridículo, revoltante”, disse Aloísio.

O ex-presidente ainda completou: “É um absurdo. Isso nunca aconteceu enquanto fui
presidente. E fui presidente várias vezes. Isso nunca aconteceu na história da Serra,
chega a ser um retrocesso muito grande porque nós devemos ter mais democracia e 
acesso à informação, porque a democracia só existe com informações da imprensa”.

Adir Paiva foi presidente da Câmara da Serra entre 2005 e 2006. Ele também se posicionou
contrário ao impedimento da entrada da imprensa. “[Isso é] Um total desrespeito 
a um conceituado veículo de comunicação do nosso município. Uma afronta ao direito
de informação. Na minha administração as portas da Câmara foram abertas à imprensa”,
contou.

Outro ex-presidente, Miguel Arino, considerou um absurdo. “Acho um absurdo proibir
a imprensa de divulgar as coisas. Na minha época não tinha isso; a imprensa tinha
livre acesso a tudo na Câmara; a população tem que saber o que acontece lá. A imprensa
tem que ter acesso a tudo que é lugar. É aquela história, os tempos são outros, 
a gente até estranha essa posição. Acho que precisam repensar e respeitar o Tempo
Novo, que é um patrimônio do nosso município”, disse Miguel.
