Mestre Álvaro | Portal Tempo Novo

Serra, 17 de outubro de 2018

Portal Tempo Novo - O Portal da Serra, ES

Mestre Álvaro

por Eci Scardini

Fla x Flu na política brasileira

Por Bruno Lyra

A percepção mais geral da eleição aponta para confronto de extremos. De um lado, o totalitarismo de direita, cujo formato é o nazifascismo da Itália de Mussolini e a Alemanha de Hitler. De outro a esquerda com ditadura do proletariado, com exemplos no socialismo de governos como o da extinta União Soviética, Cuba, Coréia do Norte. 

Esse é o dualismo clássico que a ideologia do confronto usa, jogando com os extremos. Óbvio que a realidade brasileira é muito mais complexa. Explicar a ascensão do Bolsonaro como retorno puro do nazifascismo é desconsiderar muita coisa. Assim como associar Haddad, o indicado do lulopetismo, ao totalitarismo de esquerda, soa falso. 

De fato, parte do discurso de Bolsonaro e de parte de seus apoiadores remete à ideologia de Mussolini e Hitler. Mas há milhões de fãs do capitão reformado que votam nele pelo desejo legítimo de ter mais segurança, por acreditarem na caça aos corruptos e ao excesso de burocracia. Também são adeptos do conservadorismo religioso e querem o retorno de costumes que desbotaram nas últimas décadas.

Mas desejam fazer isto pelo voto, usando a ferramenta da democracia.  Nem que seja preciso abrir mão de algumas liberdades individuais. Bolsonaro diz que joga no campo democrático. Mas há sinais dados por ele e seu vice, o General Mourão, de que o rompimento institucional é uma possibilidade.

Do outro lado, Haddad traz o que ficou do grupo liderado por Lula. Apesar do pendor autoritário à esquerda defendido historicamente por militantes neste campo, na prática o lulopetismo não levou o país ao socialismo. Tão pouco ao autoritarismo. 

Combalido pelo fracasso do governo Dilma e pela condenação e prisão por corrupção, Lula e seus aliados são a vitrine predileta para a grande onda ‘moralizadora’ à direita. Não é caso isolado, tem acontecido em outros países.

E mais do que defender o legado petista, acabou caindo no colo de Haddad o anseio da parte dos brasileiros que quer garantir a liberdade. E dentro de um estado com rede protetiva para os mais pobres. É gente que também sofre com a violência urbana. Mas não crê na forma reducionista de combate ao problema, entendendo que também é preciso inclusão, cultura, trabalho e renda. Assim vai o Fla x Flu da política nacional.

Nos bastidores 2020 começou

Por Yuri Scardini

Após uma eleição dura, os políticos da Serra tiraram a semana para refletir sobre a conjuntura eleitoral e os motivos que os levaram, em quase sua totalidade, a ter menos votos do que a expectativa. Na prática, deve haver uma mudança de postura e um ajuste de discursos e práticas. Isso tudo, obviamente visando à eleição de 2020, isso pelo menos ainda não mudou.

No tocante, deve haver um rearranjo de forças. O prefeito Audifax Barcelos (Rede) foi um dos poucos que pode dizer que se saiu vitorioso. Apadrinhou o campeão de votos no ES, senador eleito Fabiano Contarato (Rede) e elegeu o pupilo Alexandre Xambinho (Rede) para deputado estadual, apesar de fazer uma votação considerada baixa por muitos.

Pela sua relação orgânica com o prefeito, inegavelmente Xambinho desponta como um nome do grupo de Audifax para sua sucessão, mesmo que publicamente opte por um discurso mais equilibrado. Ainda assim, não é de se duvidar que o grupo de Audifax ‘apresente’ um nome surpresa.
Outro vitorioso das urnas foi Bruno Lamas (PSB). Que já orbita há tempo o posto de prefeito da Serra e deve contar com o suporte do futuro Governador Renato Casagrande (PSB). E ainda nutre chances de ser ‘o cara’ de Audifax em 2020, o que é legítimo.

Outra força em emersão é Vandinho Leite (PSDB). Astuto, Vandinho sabe fazer do limão uma limonada. E já provou sua capacidade de articulação. O tucano é uma força independente e desgarrado. Mas aguarda do ex-prefeito e atual deputado federal reeleito, Sérgio Vidigal (PDT), uma posição. Uma vez que Vidigal cometeu um equívoco político em trocá-lo pela candidatura da esposa, Sueli Vidigal (PDT).

Vidigal, aliás, foi o que mais saiu enfraquecido na Serra. Perdeu confiança dos aliados ao lançar Sueli, viu a derrota nas urnas da esposa, e amargou mais de 80 mil votos a menos do que em 2014. Estaria na hora de Vidigal recuar?

De qualquer forma está claro que os políticos da Serra precisam se reciclar, ou perderão mais espaço para fenômenos eleitorais ainda desconhecidos de uma conjuntura política pra lá de imprevisível e esquizofrênica. A forma tradicional de fazer política parece estar em xeque, e quem ficar na vanguarda da compreensão dessa nova realidade, estará mais perto da cadeira de prefeito da Serra.

A tragédia dos extremos

Yuri Scardini

O Brasil em chamas vai às urnas neste domingo (07), onde paradoxalmente Jair Bolsonaro (PSL) e Fernando Haddad (PT), os dois candidatos mais rejeitados lideram as intenções de votos. Bolsonaro, com todas as suas contradições e discurso antidemocrático e Haddad, que é a versão 2.0 do poste de Lula.

Ambos podem significar profundas instabilidades políticas e mexem com os ânimos inflamados da população. Enquanto isso, o eleitorado de centro se fragmentou em diversas candidaturas que patinam, e sequer conseguiu formar um bloco que pudesse fazer frente à Bolsonaro e Lula/PT.

O que ninguém falou para o brasileiro é que se o partido do próximo presidente for muito bem nas urnas, ele não deve eleger mais de 60 deputados federais. Restando outros 463 deputados para formar uma maioria parlamentar de 2/3, distribuídos entre 35 partidos. Isso sem considerar o Senado Federal que é outro gargalo.

O voto é a condição de acesso, mas a governabilidade é pelo Congresso, uma vez que nosso sistema de governança é por meio do presidencialismo de coalizão. Portanto, inevitavelmente o próximo presidente, seja ele quem for, vai ter que negociar com o centrão, lotear cargos públicos e virar conluiado do clientelismo de Estado, já que o fisiologismo é a regra. A governabilidade é o desafio.

Bolsonaro significa um escalão de uma classe política que não se renovou e que representa inclusive o que há de extremado no povo brasileiro. Ele emergiu no vácuo deixado pelos erros do PSDB e como alternativa extremista potencializada pelas redes sociais. Um subproduto dos equívocos pavorosos do PT. Sem demonstrar de fato qualquer preparo e proposta de Governo, Bolsonaro é o caminho para o desconhecido num contexto global de fragilidade democrática.

Já o PT virou um instrumento do projeto individual de poder do Lula, que teve 13 anos para promover uma agenda reformista, modernizante e sustentável no Brasil, mas não o fez, afundando o país em crise, com uma desastrada política econômica, sendo mais do que cúmplice desse nefasto sistema político. E que nessa eleição teve a chances de unir o campo progressista e estabelecer uma unidade, mas preferiu dividir para reinar, traindo aliados antigos e compondo com seus algozes do impeachment.

O próximo presidente terá que unir o Brasil para superar esse apagão de insensatez, as crises de desemprego, desesperança e ódio. Algo que a essa altura já parece utopia. A Nação baila a beira do precipício, alucinada com o devaneio de um herói da pátria… E agora, quem poderá nos salvar?

Favoritismo agora e desafio depois

Aqui no ES, temos uma eleição de governador sem sal. Com um favoritismo de recall esmagador do candidato Renato Casagrande (PSB), que bate aproximadamente 70% das intenções de votos válidos. Nos bastidores sabe-se que Renato já vem desenhando uma equipe de governo, e tem evitado entrar na onda dos ataques de adversários, para não dar ibope.

Na prática, Casagrande se encaminha para ser proporcionalmente o Governador mais bem votado do Brasil. E apesar de ter um perfil mais estadista, com mais sensibilidade, ser mais ‘povão’ e acessível, é um projeto de continuidade para este cenário estabelecido desde a primeira eleição de Paulo Hartung (MDB), com algumas adaptações.

O ES é muito dependente das commodities e de políticas públicas vindas da União, mas tem uma boa chance de modernizar a economia e investir em modais logísticos como alternativa de fuga para empresas do Rio de Janeiro, que sofre quebradeira financeira e problemas crônicos como explosão de roubo de cargas e mergulhada em violência urbana que já começa a atingir as elites.

Quente mesmo está à eleição para o Senado, com três brigando por duas vagas (Magno Malta PR; Ricardo Ferraço PSDB; Fabiano Contarato), mas nenhum com um projeto claro de desenvolvimento econômico social para o ES.

Já nos cargos proporcionais, a briga também é grande e vitória significa um trampolim para a eleição de 2020, quando o controle das prefeituras estará em jogo. Aqui na Serra é um dos exemplos. Com R$ 1.3 bilhão anual, o segundo maior orçamento entre as cidades e a indicação de quase mil cargos comissionados, é uma das maiores vitrines capixabas.

 

Subproduto do Lulopetismo

Eci Scardini 

Olhando o rumo que tomou a eleição presidencial no país este ano, pode-se dizer que, quem teve mais coragem, sagacidade, agilidade, mais criatividade e articulação, aglutinou melhor os interesses de setores organizados e está levando a melhor sobre aqueles que não apresentaram esse conjunto de quesitos. Associado a isso, tem também as tendências a nível internacional, com um assanhamento dos extremos.

Do tiro de partida para a campanha até a data de hoje, estamos vendo uma brutal queda de braços entre duas forças antagônicas e que, literalmente, deixaram as outras para trás, aparentemente sem chances de reação. A queda de braços se dá entre o PT e Jair Bolsonaro (PSL). Fernando Haddad é só um instrumento usado por Lula e por algumas cabeças coroadas do partido para contrapor àquele que se transformou em seu principal polo oposto. Já o PSL é só a sigla que Bolsonaro usa para ter o direito de concorrer à eleição presidencial.

Pode se afirmar que a ascensão política de Jair Bolsonaro se deu como um subproduto dos erros do Lulopetismo.  A corrupção verificada nos 13,5 anos de governo do PT maculou os 38 anos de vida do partido. Associada à corrupção, o desleixo no combate à criminalidade, o excesso de concessões fiscais e tributárias, o financiamento de megaprojetos estruturantes em diversos países em detrimento de projetos semelhantes no Brasil e a relação quase que incestuosa com setores formadores de opinião, levaram o país a um caos social e econômico sem precedentes na história do Brasil e muito cruel para a população.

Até a metade do segundo mandato de Lula, em 2008, quando a crise começou a dar os primeiros sinais, Jair Bolsonaro não passava de um deputado federal do baixo clero, em seu quinto mandato, até então marcado na Câmara dos Deputados por bravatas e por apologia à ditatura militar.

Bolsonaro foi crescendo no vácuo de lideranças fortes e limpas, e se consolidou como o antipetismo embaixo do nariz do PSDB. A estratégia usada por ele se intensificou na medida em que iam caindo nomes como Aécio Neves (PSDB), Sérgio Cabral (MDB), José Dirceu (PT), Antônio Palloci (ex-PT), Geraldo Alckmin (PSDB), entre outros, todos envolvidos em atos de corrupção. Os que sobraram, Marina Silva (Rede), Álvaro Dias (PODE) e outros gatos pingados não foram impetuosos o suficiente para atrair a preferência do eleitorado.

 Dupla face da instabilidade

 A eleição presidencial entra em sua reta final de primeiro turno polarizada entre o PT e Bolsonaro. Um alimenta o outro; o discurso e a história de um é o combustível do outro. O PT vive das benesses que concedeu à alta burguesia do país; do pão e circo que serviu aos pobres, do temor que os bandidos têm de não poderem mais aterrorizar a população e das ideias encantadoras do modelo socialista, fora da realidade do país.

Já Bolsonaro vive de um discurso forte e reducionista de combate à criminalidade, de defesa do conservadorismo e da moralidade e em defesa da ‘família tradicional’.

Mas o que seria um possível governo do PT ou de Bolsonaro? A princípio, ambos carregados de uma instabilidade política enorme.

O PT,por exemplo, nem tem programa de governo; tem sim um amontoado de ideias que nada mais é de continuidade de que já fez em 13,5 anos, até mesmo a relação com os parlamentares que tomarão conta do próximo Congresso seria a mesma, uma vez que o partido não tem condições morais para fazer diferente.

Seria também um governo de caça às bruxas; de vingar de todos aqueles que são considerados algozes da legenda, algozes do ex-presidente Lula e de sua trupe. Provavelmente a criminalidade seria a mesma e a corrupção também. O país poderia até sair do atoleiro no primeiro instante, mas daí um tempo voltaria novamente.

Já um possível governo de Bolsonaro é imprevisível. Como ele nunca governou nada, não há uma referência para servir de ponto de partida; poderia ser um desastre ou não. Além das preocupantes tendências autoritárias e insinuações de golpe militar do capitão do exército.

Tamanho político da Serra

Por Yuri Scardini

Olhando para o futuro, o que a Serra deve esperar das urnas para seus problemas? O município tem grandes carências e muitos projetos agarrados. A cidade precisa de representação, e aguarda que das urnas saiam eleitos figuras com DNA serrano. E são muitos os candidatos com possibilidade de vitória.

A se começar pela Assembleia Legislativa, que em 2014 elegeu um representante, e dessa vez a expectativa é de alçar 4 ou 5 deputados de domicílio eleitoral na Serra. Dar voz a cidade no parlamento capixaba pode redundar em mais atenção por parte do Governo do ES, para dar resolução a demandas micro, como por exemplo, uma calçada do Dório Silva que a pelo menos 5 anos a comunidade reivindica, ou projetos maiores como o Contorno de Jacaraípe que está paralisado a anos com risco de se tornar área de invasão. Ou mesmo dar resolução e questões emblemáticas, como a obra do colégio Aristóbulo em Laranjeiras que já custou R$ 10 milhões e agora foi demolido.

 Já olhando para a Câmara Federal, candidatos da Serra também se fazem presentes, como o ex-prefeito Sérgio Vidigal (PDT), a vice-prefeita Márcia Lamas (PSB) e o vereador Guto Lorenzoni (Rede), só para citar alguns. Espera-se que saiam ao menos dois representantes da Serra lá em Brasília. E com isso ajude a trazer investimentos realmente estruturantes, como o Contorno do Mestre Álvaro, a duplicação da BR-101 que a concessionária Eco-101 leva com a barriga, ou mesmo projetos com potencial de estabelecer um novo ciclo de desenvolvimento, como o aeroporto internacional de cargas.  

Carece a Serra uma presença de representantes no Senado Federal, e no Palácio Anchieta, apesar desse ano ter na corrida Renato Casagrande (PSB) e Carlos Manato (PSL), dois políticos com forte ligação na cidade.

Já olhando a posição da Serra na corrida presidencial, também não é das piores. Entre os candidatos com chances de vitória, temos Jair Bolsonaro (PSL) que tem Manato como uma perna local; Ciro Gomes (PDT) com Vidigal na Serra; Marina Silva (Rede) com o prefeito Audifax Barcelos; Geraldo Alckmin (PSDB) com Vandinho Leite, que é 1º secretário estadual do PSDB. Porém, falta um núcleo do PT local, que nos últimos anos perdeu força na Serra, mas a nível nacional pode retornar ao Governo com Fernando Haddad. Logo, é esperar para ver qual será o tamanho da cidade na política brasileira.

Réquiem do meio ambiente

Por Bruno Lyra

A agenda ambiental sumiu nesta eleição. Na tensa corrida presidencial, o assunto passa praticamente batido. A exceção de Marina Silva, que tocou na questão energética e da Amazônia. Interessante é que dentre os candidatos competitivos, é a que mais vem perdendo espaço.

Na corrida ao Palácio Anchieta, a questão ambiental também não tem tido relevância no discurso e no marketing eleitoral. O mesmo vale para candidaturas ao Senado, Câmara e Assembleia Legislativa.

Não é fortuita a ausência de um assunto que já foi mais trabalhado em eleições passadas. Coincide com a onda neoconservadora e reacionária que ascende no mundo. O Brasil não é exceção. O tema Meio Ambiente vem levando tanta pancada que não parece saudável para as candidaturas exporem isso em 2018.

Se em meados da década de 2000 o Brasil conseguiu frear a destruição da Amazônia, depois, contraditoriamente, as questões ambientais viraram sinônimo de burocracia. Na sequência vieram as mudanças legais que enfraqueceram a proteção a natureza, há inclusive projeto de lei no Congresso para acabar com licenciamento ambiental.

No mundo, cresce a voz dos que negam o aquecimento global. Emblemática a saída dos EUA do acordo de Paris. Enquanto isso, no Brasil, doenças erradicadas voltam com a negativa de pessoas em tomar vacina. O que diria Copérnico vendo gente defender que a Terra é plana em pleno século XXI?

E o que dizer dos brasileiros que mataram macacos durante o surto de febre amarela, apesar do alerta de que os bichos não são vetores, mas sentinelas da doença?  A sensibilidade humana para a questão ambiental, depois de um breve florescer nas décadas passadas, está retrocedendo.

A moda é o discurso de segurança que topa até abrir mão de direitos civis e valores democráticos. Se não cabe nessa narrativa nem as pessoas mais pobres, imagine o meio ambiente.  

Que no caso da Serra, vai mal. Rios, lagoas e praias poluídos por esgoto. Reservas ambientais abandonadas e até reduzidas, caso da Apa Mestre Álvaro. Cinturões verdes e alagados sendo ocupados. Política de coleta de lixo e entulho estacionada.  E até os rios que abastecem a cidade, o Santa Maria e o Reis Magos, negligenciados como se fossem qualquer coisa.

 

Pilhagem com mau cheiro

Por Bruno Lyra

Pela 2ª vez desde que a Ambiental Serra (ex-Serra Ambiental) passou a gerir o esgoto do município em parceria com a Cesan o serviço é alvo de uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) na Câmara de Vereadores.

Reação justa da cidade a um formato de gestão de esgoto que foi vendido como solução para ampliar a abrangência e melhorar a qualidade do saneamento, a chamada Parceria Público- Privada – PPP. Afinal, os problemas crônicos permanecem.

Desde que a PPP entrou em vigor, em janeiro de 2015, nenhuma nova Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) foi construída com o dinheiro da parceria, a de Serra-Sede já estava em obras com recursos estaduais, portanto dinheiro público. Nem mesmo as dezenas de ETE´s defasadas e subdimensionadas para a população atual foram modernizadas. Detalhe que recentemente foi anunciada a expansão da ETE Manguinhos, mas com dinheiro público vindo do Ministério das Cidades.

Rios, córregos e lagoas e trechos poluídos de praia continuam sujos. Basta ir a cada lugar e conferir. Inclusive já durante a PPP acabou a produção de tilápias na lagoa Juara, após uma sequência de mortandade de peixes. A lagoa é bastante poluída por esgoto doméstico.

O recapeamento de vias após obras de redes continua padrão Cesan: pista desnivelada e mais suscetível a abertura de buracos.  Vazamentos de esgoto continuam comuns e em alguns casos há reclamações de moradores sobre a demora no acerto.

Soma-se a isso tudo a insatisfação da população de ter que pagar 80% a mais na conta de água por conta da taxa de esgoto e a falta de transparência da Cesan dar publicidade a quanto repassa mensalmente ao Ambiental Serra.

Se for pra valer, a CPI é bem vinda, pois lança luz aos questionamentos da sociedade que paga essa  conta cara e leva em troca um serviço duvidoso. Mas é difícil ter esperança que o saneamento avance. Prova disso é o caso do descarte de lixo hospitalar com sangue humano no rio que abastece a cidade. A situação foi descoberta há dois meses e até agora as autoridades ambientais e sanitárias sequer revelaram os responsáveis, quanto mais punir.

E isso com o nome dos pacientes nos invólucros descartados. Pelo jeito, o sangue na ferida continua sem dono.

Depois tem a governabilidade

Por Yuri Scardini

Há três semanas para as urnas e consolidado nos 70% de intenção de votos, conforme mostram pesquisas eleitorais, Renato Casagrande (PSB) está com um pé e meio no Palácio Anchieta. Diante desse cenário cômodo, aliados políticos se dão ao luxo de fazer cálculos para a próxima eleição, em 2020. O pão nem saiu do forno e a turma já pensa na próxima fornada.

Se tudo correr de acordo com as expectativas, Casagrande vai ter que ter muita habilidade para administrar os diversos focos de conflitos que por ventura posam ocorrer. Não poderia ser diferente, o quase futuro governador fez um arco de aliança de 18 partidos, e colocou num mesmo palanque políticos que são praticamente água e óleo.

A começar pela Serra. Renato terá que gerir uma briga que nos bastidores já começou. O ex-prefeito e atual deputado federal Sérgio Vidigal foi peça importantíssima durante as coligações, e segurou o PDT com Casagrande. Agora, aliados de Vidigal relatam que a ‘conta’ será o apoio do governador para a eleição municipal de 2020.

Visando o mesmo objetivo está o deputado Bruno Lamas (PSB), 20 anos de fidelidade ao PSB, Bruno aguentou as sondagens da Rede, permaneceu no partido e leva consigo o DNA Casagrandista na Serra. Ele reivindica o mesmo que Vidigal: carimbo palaciano para prefeito da Serra.

Mas não é só aqui. Socialistas já colocam o nome da quase futura vice-governadora Jacqueline Morais (PSB), como provável candidata a prefeita de Cariacica. Nesse caso, deve estar na briga também o deputado Marcelo Santos (PDT), reeditando em Cariacica uma disputa de poder interno entre PSB e PDT.

Para conjecturar, também podemos ter o deputado Sérgio Mageski contra o escolhido do prefeito de Vitória, Luciano Rezende (PPS) para sua sucessão. E mesmo no interior Renato vai ter que trabalhar como um algodão entre cristais seja em Colatina com o deputado federal Paulo Foletto (PSB) e o estadual Josias da Vitória (PPS), ou mesmo em Cachoeiro de Itapemirim, com a família dos Ferraços (DEM e PSDB) e a família do deputado falecido Glauber Coelho (PSB), que comanda a região. Todos estes citados estão bem cotados para esta eleição.

De qualquer forma, é consenso entre socialistas que este será um problema bom. Uma adversidade política que qualquer governador gostaria de ter, como um técnico de futebol com um elenco de jogadores brigando pela titularidade. Mas, mal administrado, pode gerar dissabores e inclusive refletir na governabilidade.

 

Aristóbulo Barbosa se revirando no túmulo

Por Yuri Scardini

Nascido na Serra em 1887, Aristóbulo Barbosa Leão é um dos conterrâneos mais ilustres de nossa gente. Professor de latim, grego, francês e português, ele militou toda a vida na área da Educação, e fundou em 1913 o Ginásio Vicente de Paulo, em Vitória, que viria a ser uma das principais instituições de ensino no ES, formando nomes como: Clovis Ramalhete Maia, único ministro capixaba no STF; o jornalista e senador João Calmon; o médico e empresário Luiz Buaiz; além do ex-governador e ex-ministro Élcio Alvares. Só para citar alguns.

Aristóbulo foi reconhecido levando seu nome em vias públicas e educandário. Mas nem todo esse feito do passado impediu que uma das instituições que leva seu nome, tivesse uma triste história de descaso e ineficiência no uso do recurso público. Trata-se da escola mais tradicional da Serra, o ABL em Laranjeiras.

A reforma da escola começou em 2012. As obras, que tinham um investimento inicial de R$ 9 milhões, deveriam ter sido entregues em julho de 2014, ano em que foram paralisadas. Segundo o Governo do ES, a empresa contratada para executar a obra faliu e abandonou o trabalho.
Desde 2012 os alunos estão num prédio improvisado em Jardim Limoeiro, onde reclamam das péssimas condições estruturais e de segurança. Ao todo, foram gastos R$ 6 milhões com a reforma que não foi concluída e mais R$ 5.8 milhões de aluguel. Somados os valores, chega-se a quase R$ 12 milhões, montante que já ultrapassou em R$ 3 milhões o investimento final previsto pelo Estado.

Como se tudo isso não bastasse, o prédio do ABL ficou por mais de cinco se deteriorando e agora o Governo está demolindo tudo ao custo de mais R$ 290 mil. Queimou-se R$ 12 milhões e voltamos à estaca zero.

Enquanto isso, o Governo do ES sai por aí comemorando os resultados no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), onde o ES ficou em 1º, com média de 4.4 (numa escala que vai até 10 e a média estipulada pelo Governo Federal era de 5.1), e comemorando a classificação no Ranking de Eficiência dos Estados da Folha de São Paulo, onde ficou entre os 4 primeiros. Mas quando se olha a realidade, parece ser outra. O saudoso professor Aristóbulo a essa atura deve estar se revirando no túmulo.

Promover ou ser depósito de gente

Por Bruno Lyra

O sistema educacional do município tem a despesa empenhada de R$ 384 milhões (2018), a maior dentre todos os setores da gestão pública da Serra, que por força da constituição é obrigada a investir pelo menos 25% de seu orçamento neste serviço prestado à sociedade. Tanto gasto não garante que o setor fique livre de problemas e desafios gigantescos.

Um deles, a qualidade do ensino. A formação intelectual que os alunos recebem é de fato eficiente para promover socialmente as pessoas numa cidade com 1/5 da população na linha da pobreza? Há de se considerar que o modelo escolar é velho, baseado num tempo em que não havia internet na palma da mão.

É problema crônico a qualificação do professor. Não é incomum alunos com acesso a internet e conhecimento adquirida em outros ambientes, desbancarem um professor em conteúdo. As deficiências na formação do docente tendem a ficar mais agudas quando esse profissional inicia a atuação nas escolas, pois para ter um rendimento proporcional a atividade que exerce, precisa trabalhar em dois ou três turnos. Sobra quase nada de tempo e energia para a necessária atualização. Aí talvez resida uma das causas da falta de interesse dos alunos pelas aulas.

Sem contar os falsos professores. Recentemente a Serra demitiu 300 deles por apresentarem diplomas fakes, forçando reposição de aulas. Nesse contexto, a função das escolas pode estar muito mais próxima do papel de segurança pública do que efetivamente da educação. Tira-se diariamente, por algumas horas, crianças e adolescentes das ruas.

Não é absurdo pensar que as escolas podem ter perdido o protagonismo da educação para outros espaços sociais: Igreja, esporte e, infelizmente, tráfico e banditismo. Salvo exceções, a escola é analógica, antiga. Até nos horários, que refletem um tempo onde a humanidade era muito mais dependente das leis da natureza. Na Câmara da Serra há até um projeto de lei para antecipar a entrada dos alunos de 7h para 6h e 15. Isso para que os pais possam chegar a tempo nos trabalho onde vão ganhar salários baixos em sua maioria.    

Enquanto isso, uma das principais queixas dos empregadores, segue sendo a baixa qualificação da mão de obra. As deficiências do ensino público formal da Serra, que também ainda com a chaga da violência, estão longe de ser uma realidade só do município, se alastram pelo país. O ensino formal precisa de um novo modelo, senão ficará condenado a ser depósito de gente.

O esgoto continua fedendo

Por Bruno Lyra

Há três anos e sete meses o esgoto da Serra é gerenciado pela Cesan em Parceria Público- Privada (PPP) com a Ambiental Serra, empresa que mudou recentemente o nome. Antes era Serra Ambiental. O município foi o primeiro a ter esse modelo, vendido como panaceia para os problemas crônicos do setor, segundo agentes públicos e privados defensores das PPP´s: a falta de dinheiro para expandir redes de coleta e construir novas e modernizar velhas Estações de Tratamento de Esgoto (ETE´s).

De fato tem havido instalação de novas redes em regiões onde elas não existiam, o que também redunda em maior arrecadação da PPP, já que a Cesan repassa a taxa de esgoto cobrada na conta de água (o esgoto custa 80% do valor da água) para a Ambiental Serra.

Fora isso, não estão claros os demais benefícios. Nenhuma nova ETE foi construída ou modernizada na Serra neste período. Rios, lagoas e córregos continuam imundos. Trechos de praia onde deságuam, também. Em três anos, a Ambiental Serra já acumula 41 multas por poluição. E pelo menos as últimas três foram anuladas ou convertidas pelo Conselho Municipal de Meio Ambiente (Consema) em serviços como jardinagem e pintura de meio fio.

A Cesan não divulga quanto já repassou de dinheiro ao Ambiental Serra. Esse fato, somado a sensação generalizada de que não houve despoluição das águas e a estranha anulação/conversão de multas já repercute politicamente, a Câmara prepara mais uma CPI do Esgoto na Serra.

O histórico da Cesan em relação à gestão do esgoto não é bom. Desde a década de 1990 a empresa gastou dinheiro de empréstimos bilionários do Estado junto a bancos internacionais para melhorar o serviço. Prodespol, Prodesan, Águas Limpas e agora Águas e Paisagem foram nomes dados a programas de despoluição de rios e praias do ES que até agora fracassaram.

E renderam investigações dos órgãos de controle. Basta lembrar que um dos focos da Lava Jato no ES foram os contratos da Cesan com a Odebrecht em obras por dentro desses programas. Tanto dinheiro, publicidade, promessas. Mas o esgoto continua fedendo. E muito. 

Favoritismo e falta de empolgação

Por Yuri Scardini

Já transcorridos 15 dias de campanha eleitoral no ES, a sensação é de que pouca coisa efetivamente está acontecendo. Até mesmo entre os candidatos, alguns deles ainda nem lançaram oficialmente suas campanhas. Na prática está quase tudo proibido, o tempo e a grana estão curtos e o eleitor desconfiado e imerso no debate presidencial, que se encontra fragmentado, muito imprevisível e inflamado.

É nesse contexto que candidatos correm por aí pedindo votos, seja na rua ou nas redes sociais. O mercado político espera dar uma guinada após essa sexta (31), quando será dado o pontapé da campanha eleitoral na TV e no rádio. Aqui no ES um cenário ainda mais específico corrobora para essa sensação de vazio. Trata-se do favoritismo de Renato Casagrande (PSB) ao Governo do ES. Nenhuma campanha parece empolgar, e sobra o recall político do ex-governador, que é cotado para levar no 1º turno. Correndo por fora há mais cinco candidatos, como a senadora Rose de Freitas (Podemos) e o deputado Carlos Manto (PSL).

Candidatos a deputado estadual e federal dizem que o quente da campanha será nas duas últimas semanas do pleito. Quem começar grande e gastar os escassos recursos agora pode chegar pequeno e sem dinheiro nos dias que antecedem a urna. É para esses cargos que as principais lideranças da Serra estão verdadeiramente engajadas. A candidatura ao Senado e ao Governo tornara-se secundário para Serra, uma vez que não há representantes diretos do município.

Espera-se que a cidade eleja 4 representantes para a Assembleia Legislativa e ao menos dois na Câmara Federal. Se ocorrer, será um ‘up’ e tanto na representação do município, ao menos no que tange ao Parlamento capixaba. Para muitos políticos locais, essa eleição pode ser o trampolim para 2020, quando estará em jogo a Prefeitura da Serra, com seu orçamento bilionário.

Difícil prever um cenário desses, mas fato é que não haverá a polarização direta entre o deputado federal Sérgio Vidigal (PDT) e o prefeito da Serra, Audifax Barcelos (Rede), uma vez que Audifax não terá a opção de reeleição. Com isso abre-se arestas para novas lideranças emergirem, e a porta de entrada é no dia 7 de outubro agora. Uma coisa está ligada a outra, falta agora combinar com o eleitor que não entrou no clima da eleição local.

Sob o escárnio da Eco 101

Bruno Lyra

A situação da rodovia do Contorno de Vitória (BR 101) é um dos escárnios da concessionária Eco 101 para com o Espírito Santo. Da mesma forma que escancara a fragilidade das lideranças políticas capixabas.  Quando a concessão foi feita o governador do ES tinha ótimo relacionamento com o Palácio do Planalto. Da mesma forma que o atual governador, que até é do mesmo partido do presidente. 

Como pode um dos trechos mais importantes e movimentados da rodovia concessionada à iniciativa privada em 2013, com cobrança de pedágio desde 2014 cujo valor médio da tarifa já subiu cerca de 40%, estar em situação tão ruim? São buracos e desnivelamento da pista em diversos pontos nos 25 km entre o trevo da Ceasa em Cariacica e Carapina na Serra.

Além de retirar o trânsito de veículos pesados da capital Vitória, que inclusive tem restrições a esse tipo de tráfego, o Contorno abriga expressivo parque logístico e industrial. Certamente é um dos trechos com maior tráfego nos mais 400 km da 101 no ES. Na Serra tem os polos Tims, Piracema e Jacuhy. Em Cariacica, diversas distribuidoras, portos secos e até filial da Zona Franca de Manaus. 

Mesmo tendo os maiores bolsões de pobreza e demandas sociais do ES, Cariacica e Serra tiveram gastos milionários para iluminar a rodovia. Iluminação esta que praticamente não funciona por conta dos constantes roubos de fiação. Nem para monitorar e chamar a polícia para impedir esses roubos a Eco 101 serve.

O argumento da Eco 101 de que não pode fazer melhorias estruturais na pista porque ainda não tem a concessão do trecho é esdrúxulo. Como não? O que faz o Serviço de Apoio ao Usuário da própria empresa na Serra perto da ponte do rio Santa Maria? E as passarelas de pedestres instaladas no trecho com frases informando que foram feitas com recursos do pedágio do usuário?

Aliás, para o usuário uma certeza. Que além dos impostos que paga, tem que custear pedágio também. E os pneus e outras peças dos veículos que quebram com frequência ao passar em via tão precária. Conta que fica ainda mais feia ao lembrar que a duplicação está para lá de atrasada e a Eco já admitiu que não cumprirá o contrato. Aliás, o Contorno é duplicado porque já foi entregue assim pelo poder público. Será que não dá pra Eco fazer pelo menos um tapa buraco no trecho?

Rumo a Câmara Federal

Yuri Scardini

A Serra vai contar com pelo menos 11 candidatos à Câmara Federal em Brasília, com domicílio eleitoral na cidade. Vidigal é sem dúvida o mais competitivo, dado a todo o histórico político de três mandatos de prefeito. O PDT projeta-se algo em torno de 80-90 mil votos a Vidigal. Número que pode significar pouco menos da metade dos votos válidos previstos.

Mas Vidigal que se cuide, pois tem nomes de peso eleitoral correndo por fora. Um deles é Amaro Neto (PRB), que apesar de não ter intensa ligação política com a Serra, é cotado para ter uma boa votação por aqui. Dado ao seu perfil político e o histórico da campanha de 2104, quando foi o 3º candidato a deputado estadual mais votado na Serra.

Além dele, a ex-secretária de Educação da Serra, Márcia Lamas vem chancelada por Renato Casagrande e pode abocanhar uma boa quantidade de votos. Expectativa também está no tamanho que Guto Lorenzoni (Rede), candidato do prefeito Audifax Barcelos (Rede), pode tomar. É notório o esforço de Audifax em eleger Guto, além de ser um compromisso do prefeito com a presidenciável Marina Silva. Entre os desafios de Guto está a coligação (MDB, Rede, Podemos, Patriota e PMN), que pode dificultar já que conta com o atual deputado Lelo Coimbra (MDB) na chapa e não há certeza se conseguirão fazer duas vagas.

Outro apertado na chapa é Givaldo Vieira (PCdoB). Que ficou com PPS, PP, Pros e PHS. Givaldo vai precisar bater os candidatos de Luciano Rezende (PPS- Prefeito de Vitória), como Da Vitória, Lenise Loureiro e Luiz Paulo. Além dos Progressistas como Evair de Melo e Marcos Vicente, apoiado pelo deputado estadual Jamir Malini (PP).

Já Manato, deixou a reeleição para disputar o governo, e escalou a esposa, Soraya Manato (PSL) para tenta transferir seu espólio. Manato vinha em alta no eleitorado serrano por conta da ligação com Jair Bolsonaro, e é possível que Soraya leve uns votinhos por aqui.

Além desses, a Serra ainda conta com o vereador Miguel da Policlínica (PTC) e o médico Luiz Carlos Bezerra (PV). Espera-se também uma votação razoável para o vice-governador Cesar Colnago, impulsionada pela transferência de votos que Vandinho Leite possa dar a ele. Como visto, são muitas opções, resta saber se isso vai redundar em mais representação da cidade ou enforcamento coletivo dado ao excesso de candidatos… 

Esgoto cada vez mais sujo

Yuri Scardini

A Serra Ambiental, que recentemente trocou de nome para Ambiental Serra, ainda sucinta muitos questionamentos e acumula um histórico pra lá de controverso. Desde 2015 a empresa é a responsável pelo serviço de coleta, tratamento e descarte do esgoto através de uma parceria público-privada com a Cesan.

Essa semana o Tempo Novo traz uma matéria especial sobre a mudança de postura do Comdemas com a Ambiental Serra. Mas para, além disso, o que é possível falar sobre o serviço prestado pela empresa?

A se começar pelo óbvio: rios, lagoas e córrego ainda são uma confraria da poluição. Só para se ter ideia, neste intervalo de três anos a lagoa Juara, 3ª maior do ES, já sofreu com tamanha degradação que gerou duas grandes mortandades de peixes e o fim da produção de tilápia em tanques redes. Hoje, o tradicional Festival da Tilápia é somente uma boa lembrança. A Juara é só um exemplo, mas são múltiplos os casos.

Outra questão é o custo desse serviço. Pagar 80% de taxa referente à conta de água é dispendioso. Quem definiu isso? Essa conta é justa? De que forma a população participou desse debate? As contas da Ambiental Serra são uma caixa preta. Ninguém sabe dizer o quanto de dinheiro público essa empresa já recebeu, nem mesmo estimar qual é a taxa de investimento versus faturamento. Até porque, não houve nenhum investimento significativo, além das obras de ligação de residências na rede coletora de esgoto, o que obviamente significa mais lucro para a empresa.

As estações de tratamento de esgoto continuam defasadas, com tecnologia antiga, datadas da década de 80, o único investimento anunciado foi a limpeza do lodo no fundo das estações. Havia a previsão de construir novas estações, mais eficientes e modernas, mas até agora nada. Adianta coletar esgoto e tratá-lo em estações ineficientes, retornando-o com água ainda contaminada na rede pluvial?

Na prática, o que há é uma profunda falta de transparência, desrespeito com a população e com o meio ambiente, e o que fica não são respostas, são dúvidas e desconfianças. Só para lembrar, todo esse histórico negativo é fruto de menos de 3 anos de atuação na Serra, ainda faltam 27 anos de contrato.   

Guerras rumo à Assembleia

Yuri Scardini 

Apertos e desapertos nas chances eleitorais de conhecidos candidatos da Serra a deputado estadual. Após as tratativas das coligações, há certa apreensão, já que as condições de eleição foram um pouco dificultadas para grande parte das lideranças locais.

A se começar pelo PSB do deputado Bruno Lamas. O partido coligou com o PSDC que tem Euclério Sampaio, que em 2014 fez 23 mil votos. Estima-se que Euclério cresça, uma vez que politicamente se juntou com o deputado Josias da Vitória (candidato a federal), que deve carregar votos no interior para Euclério.

Paralelamente a isso, o PSB conta com Sérgio Mageski que desceu da candidatura de senador e vai disputar a reeleição de estadual, o deputado Freitas, forte no norte do ES, e alguns candidatos que podem surpreender, como Antônio da Emater, ex-prefeito de Pinheiros entre outros. Estima-se que essa coligação faça três, então será briga de foice.

Outra apertada é a ex-deputada Sueli Vidigal. Ela ficou na chamada ‘chapa da morte’. Com PDT, DEM, PPL e PSD, a chapa está pesada e conta com nomes com Marcelo Santos, Enivaldo dos Anjos, Ismael Almeida, Theodorico Ferraço e a própria Sueli. Estima-se que a chapa faça 3 nomes, e é possível que candidatos com 25 mil votos não se elejam nesse contexto.

Difícil também ficou para a Rede. No chapão com Podemos, Patriota, PMN e PRTB, a Rede terá que se superar, uma vez que a chapa pode chegar a 3 vagas, mas com Janete de Sá, Rafael Favatoo e Marcos Bruno na disputa, as lideranças da Serra podem ter dificuldades de eleição, e vão ter que superar a barreira dos 20 mil votos para ter chance.

Situação um pouco mais confortável está Jamir Malini (PP). O partido coligou com o Pros e há a expectativa de fazer duas vagas. Além de Malini, nessa chapa está à deputada Raquel Lessa, e olha-se com certa atenção para Renzo Vasconcelos. Herdeiro da família dona da UNESC e muito forte em Colatina. A briga deve ficar nesses três nomes para duas vagas.

Já o PSDB, de Vandinho Leite, está bem acomodado com o PSC, do vereador da Serra, Aílton Rodrigues. Essa pode fazer três nomes, e Vandinho é cotado para liderar os votos, e até mesmo Aílton tem boas chances de eleição.

Acredita-se que será alta a renovação política na Assembleia. Candidatos fora dos ‘favoritos’ podem surpreender e o eleitor está instável e deve haver grande número de abstenções.

Julho de 9 assassinatos

Por Bruno Lyra

Julho último já é considerado um mês histórico para a Serra, cidade que chegou a ser mais violenta do mundo anos atrás. Pela primeira vez desde 1996, a cidade teve menos de 10 assassinatos num mês. No caso deste julho, nove, precisamente. Cada vida tem seu valor, por isso o dado não é algo que se deva comemorar, a não ser que a chegue a zero.  Mas é positivo e leva a reflexões.

A mais óbvia é: O que explica tal queda? A Serra, assim como o Estado, vive as consequências sociais das crises política e econômica que atingem o país. Desemprego alto, SUS pior, rede de seguridade e assistência social menores. E até que se tenha notícia, não houve nenhuma grande melhora no aparelho estatal da segurança.

Pelo contrário. A PM tem dificuldades (vide a greve de fevereiro de 2017), a polícia investigativa (Civil) segue com baixo índice de resolução de homicídios por conta da histórica defasagem de pessoal e infraestrutura. O sistema carcerário continua muito mais como ‘pós- graduação’ do crime do que como espaço de punição e preparação para reinserção de infratores ao convívio social.

Outro fator relevante é que o recuo nos assassinatos acontece num tempo em que não há nenhum grande vetor de desenvolvimento ocorrendo na cidade e no ES. Na verdade ocorre o oposto. O setor mínero siderúrgico, âncora do crescimento populacional e vertiginoso da Serra a partir da década de 1970 (e que também foram acompanhados pelo crescimento da violência) dá sinais de declínio. Vide os casos Samarco, Companhia Siderúrgica de Ubu (CSU) e ferrovia litorânea sul.

Arcelor Mittal e Vale anunciaram investimentos ambientais para tentar amenizar multas e processos que recaem sobre ambas por poluição. Serão 2,5 mil vagas temporárias de trabalho. Será interessante ver como ficarão os homicídios na Serra durante as obras.

Outro fato curioso sobre a estatística de assassinatos em julho: o dado foi divulgado pelo Governo no dia 02 de agosto, quase de bate pronto, o que é incomum. Há anos Tempo Novo cobre números mensais desses crimes e nunca a divulgação foi tão rápida. O normal é sair em 15, 20 dias ou até mais. É ano eleitoral. Tomara que seja a realidade. E que a Serra deixe de ser uma das capitais mundiais da matança. 

Mil dias: colapso e calotes

Bruno Lyra

No próximo dia 05 de agosto completam mil dias do rompimento da barragem de rejeitos da mineradora Samarco (Vale + BHP Billiton) em Mariana, Minas Gerais. Foram 19 mortes, Bento Rodrigues destruída, 324 hectares de mata Atlântica devastados, contaminação por metais pesados e assoreamento do rio Doce e poluição do oceano Atlântico de Abrolhos (Bahia) a Arraial do Cabo (Rio de Janeiro).

As ações de reparação até agora são pífias. E a impunidade aos responsáveis um exemplo de injustiça. Vide o calote da Samarco e suas controladoras Vale e BHP às multas ambientais. 

O impacto econômico vai muito além dos pescadores, agricultores e moradores das cidades que dependem do rio. Chega à saúde de quem continua bebendo água do rio ou consumindo alimentos do rio e do enorme trecho marítimo afetado.

E vai mais longe. Há dano gigantesco pouco mensurado na economia mineira e capixaba. Pior para o Espírito Santo que, diferente do seu vizinho, não tem economia diversificada. É mais dependente do arranjo mínero-siderúrgico. Por isso a paralisação da siderurgia e da exportação de pelotas de minério de ferro na usina e porto da Samarco em Anchieta é tão desastrosa.

Não foi à toa que o PIB capixaba caiu 12,2 % em 2016, contra um recuo nacional de 3,6 %, mesmo com o país em crise brava.  Fornecedores de bens e serviços da Samarco ficaram a ver navios. Até na Serra houve perda de1 mil empregos e a cessão de R$ 300 milhões em negócios/ano. Em alguns municípios do sul capixaba o cenário foi pior.

Um efeito cascata, que chegou a Fíbria, que depende da água do Doce para fazer celulose. O caso da barragem da Samarco e o vazamento do mineroduto da Anglo American em março de 2018, também em Minas, podem ser sinais de desinvestimento do arranjo minero siderúrgico na região Sudeste.

Cabe ao ES se preparar para reinventar sua economia. Toda a infraestrutura portuária e ferroviária hoje usada pela siderurgia é o maior trunfo capixaba. Por sua posição geográfica, o estado tem que amplificar o corredor de exportação do agronegócio do Brasil central (Minas, Goiás e Mato Grosso) e importação para o enorme mercado consumidor dessa região. 

Rose (Hartung) de Freitas

Yuri Scardini

Semana importante para partidos e lideranças políticas que vivem neste caótico cenário político capixaba (e nacional). Muita coisa já foi definida, mas algumas dúvidas que podem alterar o formato atual seguem em aberto e as amarrações que vão definir os espaços eleitorais continuam em negociações.

O principal deles é a não-candidatura do governador Paulo Hartung (MDB). Após anunciar e reafirmar que não será candidato, na noite da última quarta-feira (01) voltou a circular nos bastidores políticos a possibilidade de Hartung disputar a reeleição. Ele segue elegível legalmente, já que não descumpriu nenhuma regra que poderia inviabilizá-lo na disputa.

Essa dúvida deve seguir até os últimos minutos, até lá, o que há de real é um crescimento do palanque da Senadora Rose de Freitas (Podemos). Antes isolada, Rose viu sua candidatura dar um salto quase que a base de anabolizantes através do espólio de PH e já se soma entre 10-15 partidos aliados. E caso o panorama não mude, deve ser ela a rivalizar com o ex-governador Renato Casagrande (PSB).

Difícil é mensurar até que ponto esse arranjo partidário que embarcou no quintal de Rose de última hora, pode se transformar naquilo que interessa: votos. Primeiro que esse ‘upgrade’ vem com o DNA de Hartung, desgastado com um governo questionado e marcado, entre outros desgastes, pela ‘greve’ da polícia militar. Além do mais, resultados de pesquisas eleitorais recentes, mostram que PH e Rose lideram os índices de rejeição, se separados são tão rejeitados, imagine juntos.

Rose é política profissional com mais de 4 décadas de caminhada, portanto não se pode vender como novo. Outra questão é que Rose é municipalista. Trabalha com prefeitos e lideranças locais. Acontece que a crise é para todos. As cidades estão sem dinheiro e muitos prefeitos desgastados com a população. Os recursos que Rose traz de Brasília são importantes, mas passam despercebidos para a massa de eleitores que não sabe qual a procedência do dinheiro que provém as obras públicas.

Outro fator é a quase nulidade de Rose nas redes sociais. Diferente do rival Casagrande. Até quando Rose vai olhar para dentro da política e dos partidos em detrimento ao eleitor. Quando Rose vai começar a se comunicar com quem mais importa e ir para as ruas gastar sola de sapatos? Quais são as propostas da senadora e qual seu discurso eleitoral? A poucos dias das urnas, parece que as contas eleitorais de Rose se resumem a simplicidade binária de quem tem mais partidos e prefeitos.

Acomodados na casa grande

Yuri Scardini

Semana agitada na política capixaba. O governador Paulo Hartung (MDB) protagonizou uma verdadeira volta dos que não foram, e deixou o cenário capixaba atônito. Passada a cambulhada, o que fica é (novamente) um grande favoritismo ao ex-governador Renato Casagrande (PSB).

Este arranjo pró-Casagrande parece ter beneficiado muitas lideranças políticas da Serra. Talvez o maior apaniguado tenha sido Sérgio Vidigal (PDT), que engoliu os sapos passados com Casagrande e sem titubear, se alinhou ao PSB. E ao mesmo tempo, manteve suas raízes bem semeadas com Hartung e seu grupo político, já que em tese, Vidigal ‘foi obrigado’ a compor com Casagrande sob discurso de ‘determinações partidárias’. E agora é o cotado para ser interlocutor entre Paulo e Renato durante essa transição política que se avizinha.

Já para a Rede do prefeito Audifax Barcelos, também ficou bom. Não é prioridade para o partido discutir questões ligadas à eleição de governador. A Rede precisa se viabilizar enquanto partido e eleger deputados federais. Sob essa perspectiva, a Rede que vinha isolada no palanque de Rose de Freitas (Podemos), ganhou um leque de partidos órfãos do grupo de Hartung para coligar. Além disso, a princípio, Rose garante uma vaga de senado para a candidatura do delegado redista, Fabiano Contarato, porta da qual Audifax pretende sustentar o palanque de Marina Silva no ES.

Outro beneficiado é o deputado Bruno Lamas (PSB), que está com um sorriso de canto a canto da boca. Situação diferente de Vandinho Leite (PSDB) que teve que engolir um alinhamento com o PSB. Mas que ao mesmo tempo, Casagrande não se pode dar o luxo de desmerecê-lo, já que é cotado para ser um dos candidatos a estadual mais bem votado no ES, e uma liderança muito expressiva do PSDB.

Bem também ficou o deputado Jamir Malini (PP), que permanece como vice-líder do governo e alguém de confiança de Hartung, mas seu partido se alinhou à Casagrande. Malini é reconhecido pela sua natureza conciliadora e dá mais uma prova da sua capacidade de se manter em pé sob a areia movediça. Já Givaldo Vieira com o PCdoB, orbita no palanque de Rose e Renato e pode coligar com a Rede.

​Os principais líderes políticos da Serra parecem ter se acomodado nos arranjos partidários e tem tudo para atingir seu objetivo em 2018. Mas por outro lado, seguem como figuras secundárias na política capixaba e continuam olhando apenas a Prefeitura da Serra, ao invés de levantar a cabeça.

Restinga entre erro e exagero

Bruno Lyra

O corte raso da restinga de Jacaraípe feito pela Prefeitura da Serra com autorização do Governo do Estado virou alvo de polêmica. Não era para menos. A restinga é considerada por lei federal como Área de Preservação Permanente (APP), ajuda a conter a erosão do mar, evita o deslocamento de dunas, impede o arraste da areia da praia em direção à orla, ruas e residências próximas, além de servir de habitat para fauna nativa, incluindo espécies ameaçadas de extinção.

Amplificou a controvérsia o fato da área devastada ter sido fruto de uma recuperação ambiental tocada por surfistas e entidades ambientalistas da região desde o início da década de 2000. Trabalho feito inclusive, sob orientação técnica da própria Prefeitura e, por diversas oportunidades, aplicado como compensação ambiental de obras da Cesan e até do aeroporto de Vitória. Iniciativas semelhantes também aconteceram em outras orlas do município.

O argumento para o corte, que foi considerado uma “poda” pela Prefeitura, procede: a insegurança. Com o crescimento da vegetação perdeu-se a visibilidade da areia, além das moitas altas terem formado esconderijos para pessoas mal intencionadas. Isso numa praia urbana não é bom negócio, ainda mais numa orla que até o início da década de 1990 era um dos principais destinos turísticos do ES, posto que perdeu por conta da violência. Problema que, é bom ressaltar, não tem a ver com a restinga, mas com o modelo de desenvolvimento implantado na Serra associado a outras mazelas históricas do país, como a desigualdade social e a impunidade.

Mas nesse contexto ter a vegetação muito alta não ajuda a recuperar a vocação turística. Por isto o manejo é necessário. Uma coisa é restinga dentro de parques e reservas, outra coisa é em praias urbanizadas, caso de Jacaraípe. Aí é preciso manejo.

No caso da ação feita pela prefeitura houve um exagero. Não precisava cortar tão rente. O ideal seria um projeto de jardinagem. E deveria ter sido feito com pleno diálogo com os ativistas locais, que tanto trabalharam pela recuperação e por isso, conhecem bem o ambiente. Além de reclamarem da falta de diálogo, esses ativistas denunciam que não houve remanejo dos animais silvestres que habitavam o local. Além do fato de terem sido cortadas muitas plantas nativas. Da maneira como foi feito, o corte escancara desqualificação da gestão ambiental.

Toque de recolher institucional

Por Bruno Lyra

Emblemático o fechamento das portas das quatro unidades do Conselho Tutelar na Serra por falta de segurança na semana passada. Fato que é mais um indicador da fragilidade do estado de direito frente ao alastramento da cultura de violência.  É literalmente um toque de recolher institucional.

Ainda que o atendimento permanecesse por telefone, conforme informou a coordenação do Conselho, não é a mesma coisa. As portas reabriram no início dessa semana, mas uma nova ameaça a um conselheiro voltou a deixar dúvidas quanto ao funcionamento normal da instituição, que foi estabelecida pelo Estatuto da Criança e Adolescente (ECA) como uma das  ferramentas da política federal para proteger as pessoas que serão os futuros adultos do país.

A violência contra conselheiros não é exclusividade da Serra. Mas é particularmente dramática por estas bandas, haja vista que a cidade segue no topo do ranking da violência no ES. Estado que, por sua vez, registrou recentemente a maior taxa de homicídios contra crianças, adolescentes e jovens do Brasil. Em 2015, quase 30% das pessoas assassinadas no Espírito Santo eram pessoas de até 19 anos, segundo a Fundação Abrinq.

A precarização do funcionamento do Conselho Tutelar é especialmente preocupante neste cenário de aguda crise econômica, quando mais crianças e adolescentes ficam sujeitas a exploração, maus tratos e recrutamento para o crime. Isso num momento em que o recrudescimento de ideias e políticas conservadoras pode levar a uma redução da maioridade penal, que se por um lado é clamor para melhorara a segurança, por outro pode desproteger ainda mais os adolescentes. O debate é complexo e exige amadurecimento da sociedade.

Se o município não conseguir viabilizar o funcionamento dos Conselhos, deve pedir ajuda ao Estado, que é o responsável constitucional pela segurança pública. Será uma irresponsabilidade se o Estado não atender. Mas caso isso aconteça, o município precisa sacrificar sua receita para contratar segurança. O que não pode é o Conselho ficar de portas fechadas. 

 

Luiza Dias Barbosa, mulher e cidadã

“Há homens que lutam um dia e são bons, há outros que lutam um ano e são melhores, há os que lutam muitos anos e são muito bons. Mas há os que lutam toda a vida e estes são imprescindíveis”.

Por Eci Scardini

Quando o romancista, dramaturgo e poeta alemão, Bertolt Brecht, que viveu entre 1898 e 1956 escreveu o texto acima não imaginava que na América do Sul, no Brasil, no Espírito Santo e na Serra, uma mulher iria encarnar o estado de espírito que emana de cada palavra do seu texto. Essa mulher é Luiza Dias Barbosa, que morreu na última segunda-feira (16) e foi sepultada na terça (17).

Luiza não foi uma mulher efêmera nessa cidade eclética; foi uma mulher única. Educadora, professora, líder comunitária, ativista social, militante política; uma mulher que soube fazer da sua simplicidade, humildade e sabedoria a sua grande arma e com isso lutar o bom combate.

Desde a década de 1970, Luiza enfrentava os desafios de fazer política comunitária em uma cidade de feudos. Passou por José Maria Feu Rosa, João Baptista da Motta, Adalto Martinelli, Sérgio Vidigal e Audifax Barcelos. Sempre com a sua peculiar educação, voz mansa, habilidade com as palavras; mas firme no posicionamento e nas suas convicções de retidão e moral inabalável.

Teve presença e passagem marcante pelo movimento popular; militou por décadas no PSB e por último no PCdoB. As últimas duas décadas foram dedicadas ao bairro Jardim Limoeiro e a estimular jovens e adolescentes em estado de vulnerabilidade social á prática esportiva e a estudar, como forma de mudar uma trajetória predestinada ao fracasso.

Muitos jovens hoje, bem sucedidos ou bem encaminhados agradem à Luiza, que batia de porta em porta em busca de apoio para o time de futsal de Jardim Limoeiro que ganhou projeção estadual com títulos e vitórias memoráveis e através dos ensinamentos e da disciplina do esporte, portas como as da UCL e de dezenas de empresas se abriram para eles.

Esses mais de 40 anos de militância política, social, comunitária e de entrega ao próximo sempre foram pelo caminho da honestidade e da retidão.
Luiza fora internada na UPA de Carapina com quadro de infecção urinária e depois transferida para um hospital de São Mateus onde foi acometida de um quadro de pneumonia e não resistiu, vindo a óbito.

O nosso rei estava nú

Por Yuri Scardini

Após o anúncio do governador Paulo Hartung (MDB) de não disputar mais eleições, o mercado político capixaba ficou alvoroçado. Não é para menos, já que em tese, encerra-se um ciclo de quase duas décadas de hegemonia política de PH. As verdadeiras razões que levaram Hartung a tomar tal decisão é uma variável secundária nesse momento, já que há apenas 34 dias para o prazo de registro de candidatura, o grupo governista corre contra o relógio para conceber uma candidatura viável.

De cara o ex-governador Renato Casagrande (PSB) é favoritíssimo diante desse cenário. Mas esse, ainda desconfiado, tem evitado falar no assunto e espera o governador decantar. Casagrande terá também que ajustar seu discurso eleitoral, uma vez que ele perdeu o flanco do ‘anti-Hartung’.

Agora o trabalho do ex-governador é aumentar seu palanque, e não permitir que o grupo governista cresça. Entre os preferidos estão o PDT do deputado Sérgio Vidigal, o PP (2º maior partido do Brasil em nº de deputados), o PR de Magno Malta e há quem defenda o PT nesse bojo.

Já sobre o espólio de Hartung, o grupo governista deve decidir neste final de semana entre Amaro Neto (PRB), Ricardo Ferraço (PSDB) e Cesar Colnago (PSDB). Este grupo trabalha para escolha de um nome unânime com condições de ir para o 2º turno e joga com a expressividade de siglas como o PSDB, MDB, PSD e PRP visando o fundo partidário e o tempo de TV.

Isolada nesse arranjo partidário, está à senadora Rose de Freitas (Podemos), que nem mesmo o apoio da Rede está confirmado. Ela vem tentando juntar com os governistas, mas estes relutam já que tal união diminui as chances de ter 2º turno.

É necessário também inserir no cálculo a candidatura do PM Coronel Foresti pelo PSL. A expressividade eleitoral de Bolsonaro no ES (por agora com quase metade das intenções de voto) pode ocasionar num avanço do PSL local, podendo ser um fator razoavelmente expressivo na contagem para 2º turno.

Já na Serra, essa gangorra política subiu pra uns e desceu pra outros. Fato que o mais encurralado é o prefeito Audifax (Rede). Enquanto o palanque de Rose está esvaziando, Audifax não encontra abertura nos governistas e com Casagrande (ainda mais com Vidigal por lá). Mas não se pode subestimar a capacidade encontrar soluções de última hora do prefeito, ainda mais com uma Prefeitura da Serra em mãos.

O declínio mínero-siderúrgico

Por Bruno Lyra

O anúncio de que a Vale não irá fazer a ferrovia litorânea sul ligando a Grande Vitória ao município de Presidente Kennedy é mais um sinal do declínio do arranjo minero siderúrgico na região.

Se tal empreendimento fosse bom a Vale, suas parceiras investiriam nele independente da condicionante do Governo Federal de que a mineradora terá que fazer uma ferrovia entre Mato Grosso e Goiás para ter renovado a concessão da Vitória – Minas, linha férrea usada para escoar minério de ferro das serras mineiras para a planície capixaba, dentre outros usos secundários.

Outros sinais do declino estão postos. O estouro da barragem da Samarco (Vale + BHP) e o rompimento do mineroduto da Anglo American expõem a precarização da gestão. A incerteza do retorno do Samarco  fortalece tal tese.

Há mais variáveis indicadoras do declínio. A Vale é detentora de outra estrada de ferro no ES, a  Ferrovia Centro Atlântica (FCA), antiga Leopoldina. A via está abandonada, fazendo com que um dos clientes da Vale na logística, a Fíbria, voltasse a usar as perigosas e carretas bitrem para transportar eucalipto produzido nas regiões sul e serrana para a fábrica em Aracruz pelas BR´s 262 e 101.

Tudo ao mesmo tempo em que a Vale inaugura a maior mina de minério de ferro do mundo, na Serra dos Carajás, Pará, Amazônia. Lugar com menos gente e pressão social sobre os impactos. Sem contar as mudanças estruturais da economia mundial, que apontam para um índice maior de reciclagem das ligas metálicas em detrimento do uso de matérias primas virgens. Somado ao fato do uso cada vez mais intenso do plástico.           

Variações de preço e concorrência no mercado internacional e até a estratosférica taxação pelos norte americanos também arrocham os cintos do setor.

A venda da mais antiga siderúrgica capixaba, a Cofavi (Companhia Siderúrgica de Vitória), pela gigante ArcelorMittal para um grupo menor, o mexicano Simec, é outra evidência. Ato contínuo a venda, a atual é Simec chegou a ficar com a produção paralisada por semanas.

Toda a estrutura portuária montada para atender ao complexo minero siderúrgico pode e deve ser a saída para a economia capixaba. Vocação iniciada em 1535, quando Vasco Fernandes Coutinho aportou por essas terras.

Vidigal fortalece Audifax!

Por Yuri Scardini

Há alguns dias para começar as convenções partidárias, ainda existem muitas indefinições que devem ser acertadas no limite do prazo. E naturalmente as duas principais lideranças da Serra então envoltas em tais indefinições, até porque parte expressiva da eleição passa por eles: o prefeito Audifax Barcelos (Rede) e o deputado Sérgio Vidigal (PDT).

O Pedetista se encontra atualmente numa sinuca de bico pra lá de controversa. Enquanto assumidamente prefere ficar no projeto de reeleição do governador Paulo Hartung (MDB), o PDT Nacional pressiona Vidigal por uma dobradinha com o PSB do pré-candidato ao governo, Renato Casagrande. O deputado e ex-prefeito da Serra se vê em mais um dilema: seguir sua vontade, contrariar o PDT e permanecer com PH, podendo inclusive ser o vice na chapa, ou aceitar a determinação partidária, engolir no seco todo o histórico que pesa entre ele e Casagrande e ficar com os socialistas.

Essa decisão de Vidigal, ironicamente pode ter efeitos positivos para Audifax. A Serra é a cidade com o maior eleitorado, qualquer um que quer ser governador precisa ter atenção com o município e não pode se dar o luxo de não ter nem Audifax nem Vidigal como aliado. Portanto, se Vidigal sucumbir ao PDT e deixar Hartung, fato muito possível de ocorrer, o governador vai precisar obrigatoriamente de Audifax. Esse, por sua vez vem namorado uma aliança com a senadora Rose de Freitas (Podemos), que também é pré-candidata ao Governo.

Com isso, Hartung vai ter que ceder espaço e fazer acordos políticos que atendam aos anseios do prefeito e da Rede. E pode estar ai o trampolim para o partido deslanchar na eleição. Audifax vem em ritmo forte de inauguração de obras e assinaturas de ordem de serviço, alguns já oriundos do empréstimo de R$ 100 milhões junto a Caixa. O prefeito trabalha para ficar bem na cidade e detém controle de uma poderosa máquina administrativa. Sem contar que todos os prefeitos da Grande Vitória estão no campo de oposição.

Todo esse conjunto de coisas põe Audifax na condição de predileto de Hartung, e paradoxalmente Vidigal e o PDT podem ser o potencializador disso ao dar a faca e queijo na mão de seu grande adversário.

 

Retrocesso com o meio ambiente

Por Bruno Lyra

É avassalador o retrocesso ambiental no país e, por conseguinte, no Estado e na Serra, como partes da federação. Não é algo isolado que se restringe ao Brasil: o mundo está vivendo um dissenso do humanismo, então o que é de interesse de grupos tende a se sobrepor aos interesses coletivos, com a balança pendendo sempre para aqueles que tenham o maior poderio econômico, político ou ambos.

Em pleno Copa o Congresso aprova lei que afrouxa o controle de agrotóxicos. Muda o nome, agora é pesticida. Clara tentativa de ludibriar a opinião pública. Como se não bastasse, tramita na mesma casa outro projeto de lei que prejudica a venda de produtos orgânicos. Coincidência ou não, isso ocorre no momento em que estão se fundindo as duas maiores produtoras de agrotóxicos e outros insumos químicos para agricultura do planeta: a alemã Bayer e a norte americana Monsanto.

Em 2012 o Brasil reduziu a proteção ambiental, enfraquecendo o Código Florestal.  No ES, uma nova lei estadual este ano afrouxou exigências no licenciamento ambiental. Na Serra idem, embutida nas chamadas “10 medidas para a desburocratização” de empreendimentos. Ano passado, o governo estadual tentou desconstruir o Instituto Estadual de Meio Ambiente (Iema).

Pássaros silvestres em gaiolas voltaram a ser vistos em qualquer lugar, em horas movimentadas. Tem cada vez mais gente querendo a liberação da caça. A APA do Mestre Álvaro acabou de ser reduzida em mil campos de futebol. Língua negra fétida do rio Jacaraípe se espalha no mar do Barrote e é considerada como natural.

Há tempos não são criadas novas reservas ambientais expressivas na cidade e no estado.  Da lama e metais pesados da Samarco que devastaram (e seguem devastando) o rio Doce, o oceano Atlântico, vidas humanas e a economia capixaba, sobraram acordos generosos que até agora só beneficiaram a mineradora e suas donas, as multimilionárias Vale e BHP.

A poluição do ar na Grande Vitória continua brava. E tome acordos para construir praças de lazer como compensação, suspendendo processos contra as siderúrgicas. Sangue humano com lixo hospitalar é jogado em rio que abastece a Serra e autoridades não divulgam o nome dos responsáveis, mesmo com a identificação das instituições de saúde nos invólucros. E a resposta da Cesan é de que está tudo ok.

Desleixos a parte, o desafio ambiental permanece como uma das megas tarefas da humanidade no decurso desse século XXI. Porque vivemos no planeta. Simples assim.

Se essa rua fosse minha

Por Bruno Lyra

Está na Câmara de Vereadores da Serra um projeto de lei que, caso aprovado, vai permitir que ruas sem saída possam ser fechadas por moradores, criando um condomínio fechado. A proposta é de autoria do vereador Alexandre Xambinho (Rede) e na prática prevê a transformação de áreas públicas, de livre circulação, em espaços privados.

A ideia não é isolada e muito menos por acaso. Está num contexto onde o clamor por segurança é tão grande no Brasil e vários outros lugares do planeta que as pessoas têm topado abrir mão da própria liberdade. É um debate complexo que no limite opõe democracia e república versus uma sociedade mais vigiada.

A história está cheia de exemplos. O mais recente é muro que Trump quer fazer entre México e EUA. Teve o emblemático Muro de Berlim separando a Alemanha por décadas. Também os Bantustões, espécies de cidades – estado onde negros eram confinados durante o Apartheid na África do Sul.

Nos últimos 20 anos a Serra se destacou pelo elevado número de condomínios fechados que se instalaram nela. Mesmo assim o município seguiu sendo o mais violento do ES, um dos mais inseguros do Brasil e em 2004 chegou a ser a cidade com maior índice de assassinatos no mundo. Rio de Janeiro e Cidade do México são dois exemplos de grandes cidades que transformaram bairros abertos em condomínios fechados, e nem por isso deixaram de ser violentas.

Outra questão relevante é a isonomia do Estado. Não é justo que áreas fechadas recebam iluminação pública, drenagem, esgoto, água, coleta de lixo, dentre outros serviços pagos por toda a sociedade, uma vez que não há direito de ir e vir para todos nesses locais.   

É compreensível que propostas de fechar bairros tenham grande apelo, sobretudo junto às classes média e média baixa, cansadas que estão de sofrer tantos roubos. Contudo, é uma solução retalhada que só escancara e não combate a falência da segurança pública e a brutal desigualdade social no Brasil.

Isso ainda misturado a um macrocontexto em que a desterritorialização e os relacionamentos virtuais se aprofundam com o avanço da internet. As pessoas já quase não precisam interagir mais com a cidade onde moram, resolvem tudo pelo dispositivo digital em suas casas ou apartamentos blindados por muros, cercas elétricas, câmeras e vigilantes armados. Um ótimo negócio para a segurança privada e vendedores de soluções drásticas, tipo super heróis que se apresentam como salvadores da pátria.  

É cíclico na história. Os mesmo que pedem pelo cerceamento da liberdade irão sentir falta dela e, no futuro, brigarão por sua volta.   

O dilema de Vidigal

Por Yuri Scardini

Com a avizinhamento da eleição de outubro, vai se afunilando os acordos partidários. E o que indica é que há sim uma forte possibilidade do deputado federal e ex-prefeito da Serra, Sérgio Vidigal (PDT) ser vice na chapa do atual governador Paulo Hartung (MDB), mesmo que PH nem ao menos tenha oficializado sua candidatura à reeleição.

Essa é uma decisão definidora na carreira de Vidigal, que no alto dos seus 61 anos, não têm mais espaço para cometer erros. Mas isso não necessariamente signifique que ele não pode ousar, pois eleição é isso, riscos.

O dilema de Vidigal encontra-se na possibilidade de ficar bem próximo da cadeira de governador, sob pena de sepultar sua carreira política em caso de derrota. Vidigal costura com Hartung uma vice-governadoria, e se bem sucedida, em tese seria o 1º na linha de sucessão do governador. Já em caso de derrota, ficaria sem cargo, enfraquecido frente a vários de seus adversários políticos, e poderia ser engolido pelo ostracismo político.

Se declinar, Vidigal caminhará por um trajeto mais tranquilo, deve se reeleger sem problema para deputado federal. E vai mirar a prefeitura da Serra em 2020, posto que já ocupou por 16 anos. Podendo inclusive perder a eleição, fato que já ocorreu por duas vezes consecutivas, e encurtar sua trajetória.

Vidigal trabalha com situações extremas, e não há matemática que posa calcular seu o destino. Vidigal tentou ser governador há 12 anos. Perdeu, e viu lideranças políticas até então menores do que ele tomar projeção. E foi ficando para trás na política capixaba, e para piorar, em seu reduto, a Serra, foi derrubado por Audifax Barcelos (Rede).

Agora Vidigal vê uma possibilidade real de dar uma rasteira no passado e voltar com tudo mirando no Palácio Anchieta e a caneta de R$ 16 bilhões por ano do governador. Se bem sucedido, o vice-governador Sérgio Vidigal abriria espaço para outras lideranças da Serra buscar a prefeitura. Ao que parece o primeiro da lista é Vandinho Leite (PSDB), e nesse cenário estaria bastante estruturado um eixo de oposição ao prefeito Audifax, que a dois anos da eleição municipal ainda não sinalizou o nome de sua sucessão. Parece ser esse o dilema: Tudo, nada, ou mais do mesmo. 

Greve dos caminhoneiros, Democracia e eleições

Por Hélio Maldonado

A “Lava Jata” acabou por reflexamente ruir a “imagem” daquela que em um passado recente era o orgulho nacional: a Petrobrás. A empresa pública, líder da produção e exploração de combustíveis no país, assim age para salvaguardar os “imperativos de segurança nacional”. Por tal razão é que a mesma, na regulação do mercado, promovia subsídio do preço dos combustíveis em geral. Mas, com a eclosão da “Lava Jata”, quantificado o estratosférico prejuízo ao erário decorrente da corrupção lá impregnada, passou-se a disseminar no senso comum que a empresa pública não mais serve ao Brasil. Desestatize-a, bravata agora “o povo”.

Seguindo assim, instaura-se uma nova política de gestão, permitindo que o preço dos combustíveis acompanhe a flutuação do dólar. Logo, a variação em escala progressiva do preço do diesel acabou por sufocar a mais valia do frete dos caminhoneiros. A greve eclodiu, persistindo por dez dias.

O episódio lança luzes sobre as condições de possibilidade da democracia no país. É intuitivo que o poder do Estado provém do “povo”. Contudo, em tempos de “modernidade líquida” os interesses são fragmentários, aglutidos em grupos de interesse. Destarte, na “arena política”, esses interesses estão em permanente guerra, agindo a opinião pública como força gravitacional sobre a formação desses “partidos”, tudo com o fim maior de influir no agir do Estado.

Por isso é que as Eleições se afiguram como o momento propício de consenso entre os grupos de interesse convergentes e divergentes. Ocorre que, a “Lava Jato” acabou também por sepultar a confiança já cambaleante do sistema político brasileiro. Esquerda e direita, respectivamente personificadas no PT e PSDB, estão derrotadas, dado o homogeneizado envolvimento no escândalo.

A míngua da existência de liderança que possa arregimentar partidos em torno de um projeto de Governo, as candidaturas se pulverizam, provocando um efeito cascata sobre as Eleições estaduais. Pior, haja vista um período de campanha que perdura por apenas quarenta e cinco dias, existe uma certeza da incerteza do resultado das Eleições de 2018.

O efeito Vidigal

Yuri Scardini

Enquanto o governador Paulo Hartung (MDB) atrofiou a política local ao não anunciar oficialmente sua intenção de ser candidato à reeleição, um efeito cascata ocorre no mercado político da Serra. É grande a possibilidade do deputado federal Sérgio Vidigal (PDT) ser vice numa possível chapa com Hartung. Entre as muitas consequências eleitorais caso isso ocorra, estará algo absolutamente relevante: Se Vidigal deixar da disputa de federal, projeta-se que cerca de 100 mil votos estarão à solta na Serra, o que significa aproximadamente metade dos votos válidos.

Essa indecisão tem feito com que as lideranças políticas planejem suas campanhas sempre em dois cenários: um ‘com’ e outro ‘sem’ Vidigal na disputa. Se as costuras com PH não avançarem e Vidigal permanecer com o projeto de reeleição, isso fecha as arestas para diversas candidaturas, e possivelmente até candidatos de fora não devem se assanhar tanto para vir pra cá pedir voto. Agora, se Vidigal fizer a dobradinha com Hartung, o eleitorado da Serra para candidato a deputado federal vai se transformar no mais sedutor do ES.

Na prática o campo vai estar aberto. Mesmo que Vidigal lance sua esposa, Sueli Vidigal, muitos acreditam que essa transferência de votos não será fácil. Neste cenário, a família Lamas tem uma tendência de lançar uma candidatura, ou com o deputado Bruno Lamas (PSB) ou a ex-secretária de educação, Márcia Lamas. O mesmo vale para o candidato da Rede, Guto Lorenzoni. Ele vem articulando redutos fora da Serra, mas admite que sem Vidigal em seu caminho, abre-se uma avenida a seu favor.

Há quem acredite em um cenário pra lá de irônico. Sem Vidigal e com Sueli na disputa, militantes da Rede dizem que é possível pensar numa candidatura a federal da esposa do prefeito Audifax Barcelos (Rede), Mara Barcelos, que se filiou à Rede no prazo limite em março.

De qualquer forma, esse é uma decisão definidora na carreira de Vidigal. Se mantiver como deputado federal, acredita-se que no máximo, num cenário bem favorável, consiga voltar a condição de prefeito da Serra, posto que já ocupou três vezes. E correndo o risco de se caso não conseguir, ver praticamente encerrada sua trajetória.

Agora, se topar ser vice de PH são duas situações: Ou ganha a eleição e entra na linha de sucessão para o Governo, e estende sua carreira e toma a projeção estadual que sempre sonhou, ou perde a eleição, e esteriliza suas chances de ao menos voltar a prefeitura da Serra.

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