# Casos de infarto abaixo dos 40 anos disparam no Brasil; saiba como se proteger

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- Published: 2025-01-20T10:40:51-03:00
- Author: Gabriel Almeida

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O infarto é a morte do tecido cardíaco em função da falta de circulação sanguínea
no coração e a obesidade pode ser um fator de risco. }Crédito: Freepik

Os infartos, tradicionalmente associados a pessoas com mais de 40 anos, estão se
tornando uma realidade preocupante para jovens abaixo dessa faixa etária. Dados 
recentes do Ministério da Saúde, analisados pelo jornal O Estado de São Paulo, revelam
um aumento alarmante de 184% nas internações por infarto de pessoas com menos de
40 anos no Sistema Único de Saúde (SUS), entre 2000 e 2022. Nesse período, a taxa
passou de 1,7 casos por 100 mil habitantes para quase 5.

A faixa etária mais impactada foi a de 35 a 39 anos, com um aumento de 79,8% nas
internações, que saltaram de 9,3 para 18 casos por 100 mil habitantes. Jovens entre
25 e 29 anos também enfrentaram um crescimento expressivo, com os casos mais que
triplicando no mesmo período. Apesar de os dados contemplarem apenas internações
registradas no SUS, que atende cerca de 75% da população brasileira, especialistas
alertam para possíveis subnotificações.

Especialistas apontam que o aumento nos casos de infarto precoce está relacionado
a uma combinação de fatores genéticos e ambientais. Um dos destaques é o crescimento
da obesidade no Brasil. Segundo a Fundação Oswaldo Cruz, em 2024, 34% dos adultos
brasileiros apresentavam obesidade – um salto de aproximadamente 70% em comparação
aos 20% registrados em 2019, conforme a Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade
e Síndrome Metabólica (Abeso).

“A gordura abdominal é um dos mais importantes marcadores de risco para doenças 
cardiovasculares. Normalmente, esse tipo de acúmulo de gordura está associado a 
níveis elevados de triglicerídeos, baixos níveis de colesterol bom (HDL) e resistência
à insulina, todos fatores de risco para saúde cardiovascular”, alerta o cardiologista
Jansem Bonfim, da Cardiodiagnóstico

Outros fatores de risco incluem o estresse, sedentarismo, alimentação inadequada
e o aumento do uso de dispositivos como cigarros eletrônicos (vapes) e hormônios
sintéticos, incluindo o “chip da beleza”. Em 2024, tanto o chip como os cigarros
eletrônicos (também conhecidos como vapes) ganharam notoriedade devido a relatos
de efeitos adversos e à pressão de sociedades médicas para que a Anvisa proibisse
a comercialização desses itens.

“Quanto ao cigarro eletrônico, muitas pessoas pensam que o dispositivo é inofensivo,
mas a falta de regulamentação sobre eles faz com que ninguém saiba ao certo quais
substâncias estão presentes nos vapes, o que abre margem para diversos tipos de 
problemas de saúde, entre eles os relacionados ao coração e à circulação sanguínea”,
afirma o cardiologista Rafael Altoé.

O infarto é a morte do tecido cardíaco em função da falta de circulação sanguínea
no coração. Normalmente, ele está relacionado ao surgimento de placas de gordura
nas paredes dos vasos sanguíneos que irrigam o tecido cardíaco. As placas podem 
crescer até obstruir a artéria ou podem se romper, liberando fragmentos que vão 
obstruir os vasos que levam o sangue até o coração.

“A prevenção ao infarto envolve um conjunto de hábitos, como uma alimentação balanceada,
a prática regular de atividades físicas, o controle do estresse e evitar o tabagismo
e o excesso no consumo de bebidas alcoólicas. Muitas vezes, o desenvolvimento de
disfunções cardiovasculares acontece de forma silenciosa, portanto, manter uma rotina
de consultas médicas também é recomendado”, finaliza Bonfim.
