# Câncer de colo de útero: vacinação contra HPV é a principal forma de prevenção

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- Published: 2025-01-13T13:18:29-03:00
- Author: Gabriel Almeida

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Também conhecido como câncer cervical, o câncer de colo de útero é um dos mais comuns
entre as mulheres brasileiras. Crédito: Freepik

De acordo com oncologistas, o vírus do HPV é responsável por 70% dos casos desse
tipo de câncer. O exame Papanicolau e o uso de proteção nas relações sexuais são
medidas fundamentais de prevenção.

Também conhecido como câncer cervical, o câncer de colo de útero é um dos mais comuns
entre as mulheres brasileiras. O Instituto Nacional do Câncer (INCA), estima que
17.010 novos casos da doença serão registrados anualmente entre 2023 e 2025. De 
acordo com especialistas, esse tipo de câncer está diretamente relacionado ao Papilomavírus
Humano (HPV). Por isso, a prevenção e a detecção precoce do vírus, bem como do câncer,
são fundamentais para a redução das estatísticas.

“O HPV é responsável por cerca de 70% dos casos de câncer de colo de útero. A relação
entre a infecção persistente pelo HPV e o desenvolvimento desse tipo de câncer é
muito clara. Por isso, medidas preventivas, como a vacinação contra o HPV e o rastreamento
por meio do exame preventivo, são indispensáveis. É preciso reforçar esta ideia 
durante a campanha Janeiro Verde, voltada para o combate ao câncer de colo de útero”,
explica a oncologista e cofundadora do Ellas Oncologia, Camila Beatrice.

**[+ Exercícios físicos ajudam a combater dores do lipedema, revela estudo ](https://www.portaltemponovo.com.br/exercicios-fisicos-ajudam-a-combater-dores-do-lipedema-revela-estudo/)

A médica explica que a vacinação contra o HPV tem demonstrado resultados expressivos
na redução dos casos deste tipo de neoplasia. Como exemplo, um estudo realizado 
pela Sociedade Americana de Câncer comprovou a queda na incidência de câncer de 
colo de útero na primeira geração de mulheres que, no início da adolescência, acessaram
a vacina contra o HPV.

Entre 2012 e 2019, nos Estados Unidos, a incidência deste tipo de câncer em mulheres
de 20 a 24 anos caiu 65%. No período anterior analisado, de 2005 a 2012, a queda
havia sido de 24%. Já na faixa etária de 25 a 29 anos a queda foi de 5,5 mulheres
a cada 100 mil, em 2016, para 4,3 mulheres a cada 100 mil, em 2019.

“É importante destacar que, no Brasil, a vacina quadrivalente contra o HPV está 
disponível gratuitamente no Sistema Único de Saúde (SUS) para meninas e meninos 
de 9 a 14 anos. Ela protege contra os tipos de HPV mais associados ao câncer, como
o 16 e o 18, mas ainda vemos taxas de vacinação abaixo do esperado. A vacina é segura
e eficaz, e sua ampliação é fundamental para diminuir os índices da doença, tendo
em vista que o HPV é um vírus muito comum e muitas pessoas vão ter contato com ele
ao longo da vida”, reforçou a especialista para o [Tempo Novo.](https://www.instagram.com/jornaltemponovo/)

A fala de Camila vai ao encontro dos dados do Ministério da Saúde, que apontam que
apenas cerca de 50% das meninas e 36% dos meninos tomaram todas as doses recomendadas
da vacina.

**Diagnóstico precoce**

O câncer de colo de útero é caracterizado pelo crescimento anormal de células na
região inferior do útero. Em estágios iniciais, a doença costuma ser silenciosa,
mas pode se tornar grave quando diagnosticada tardiamente.

“Infelizmente, muitas mulheres só procuram ajuda quando apresentam sintomas avançados,
como sangramento vaginal anormal ou dor pélvica. Daí vem a importância das visitas
anuais ao ginecologista, assim como da realização do exame Papanicolau. Ele consegue
identificar alterações/lesões precursoras do câncer, que se não forem tratadas corretamente,
podem evoluir para neoplasia”, diz Aurenivea Cazzotto, oncologista e também cofundadora
do Ellas Oncologia.

A especialista também reforça que a prevenção é a chave para reduzir significativamente
o número de mulheres afetadas pela doença. De forma geral, as principais formas 
preventivas são:

 * Vacinação contra o HPV: disponível no SUS, protege contra os tipos mais comuns
   do vírus relacionados ao câncer.
 * Exame preventivo (Papanicolau): recomendado a partir dos 25 anos ou após o início
   da vida sexual, detecta alterações celulares precoces.
 * Práticas sexuais seguras: o uso de preservativos reduz o risco de transmissão
   do HPV.
 * Hábitos saudáveis: evitar o tabagismo e adotar uma dieta balanceada.

“Além das dores e do desconforto, o câncer de colo de útero também impacta a saúde
reprodutiva das mulheres, podendo causar desde complicações em uma gravidez até 
a infertilidade. Além disso, há uma série de consequências emocionais e até mesmo
econômicas, pois essas mulheres precisam, muitas vezes, se afastar do trabalho para
serem tratadas. Sem contar o risco de agravamento da doença, que quanto mais tarde
for descoberta, mais complexa se torna, exigindo tratamento mais agressivos”, explica
Aurenivea.

O tratamento varia conforme o estágio da doença e pode incluir cirurgia, radioterapia,
quimioterapia e, em casos específicos, imunoterapia. “Hoje, as chances de cura são
altas quando o câncer é identificado em estágios bem iniciais, mas o ideal é sempre
prevenir”, finaliza a oncologista.
