# Câncer de boca: consumo de cigarro eletrônico aumenta risco e preocupa médicos

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- Published: 2024-11-06T12:23:00-03:00
- Author: Gabriel Almeida

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A moda do uso dos cigarros eletrônicos entre a população mais jovem tem preocupado
a comunidade médica e um dos motivos é o potencial aumento do risco de desenvolvimento
de cânceres, entre eles o de boca.

Apesar de não haver estudos fazendo uma ligação direta entre o uso desses dispositivos
e o desenvolvimento dos tumores, sabe-se que as substâncias presentes têm potencial
tóxico e cancerígeno. Já foram encontrados, em dispositivos desse tipo, metais pesados
como o latão e o níquel, além de substâncias cancerígenas, como o benzeno.

“Justamente pela falta de segurança e de regulamentação sobre os cigarros eletrônicos,
a Anvisa proibiu a comercialização dos dispositivos no Brasil, em abril, baseando-
se em documentos da Organização Mundial da Saúde e da União Europeia sobre o tema”,
relembra o cirurgião de cabeça e pescoço Marco Homero de Sá.

Entre os riscos oncológicos que podem estar associados aos cigarros eletrônicos 
está o do câncer bucal, doença que, segundo o Instituto Nacional do Câncer (Inca),
deve ter mais de 15 mil novos diagnósticos no Brasil, levando aproximadamente 6 
mil pessoas a óbito no país. Por isso, a Semana Nacional de Prevenção do Câncer 
de Boca, que ocorre nos primeiros sete dias de novembro, reforça a conscientização
sobre os cuidados preventivos e os sinais de alerta da doença.

“É importante destacar que o tabagismo é um fator que aumenta muito o risco do surgimento
do câncer de boca, já que o cigarro promove o contato de diversas substâncias cancerígenas
com a mucosa da boca. Os cigarros eletrônicos também têm deixado a comunidade médica
em alerta, sobretudo porque caíram no gosto da população mais jovem”, alerta o cirurgião.

Segundo dados da Coordenação do Programa Nacional de Controle do Tabagismo, 25% 
das pessoas entre 18 e 24 anos estão tendo a primeira experiência com o fumo por
meio do cigarro eletrônico, índice que aumentou 20% em 2023.

O câncer de boca é um tumor maligno que pode afetar os lábios, estruturas da boca(
gengiva, bochecha, céu da boca) e a língua. Em estágio inicial, ele pode ser silencioso,
por isso, o ideal é consultar um dentista regularmente para avaliação e prevenção.

“É preciso, também, estar em alerta com feridas nos lábios e na cavidade bucal, 
que não cicatrizam em até 15 dias. Manchas vermelhas ou esbranquiçadas também são
um sinal sugestivo. Um erro muito comum cometido pelas pessoas é aguardar longos
períodos, imaginando que a ferida possa ser uma afta e terá uma resolução espontânea.
Mas é importante destacar que lesões na boca que ultrapassam o período de duas semanas
devem ser avaliadas por um profissional”, sinaliza a dentista oncológica Beatriz
Coutens.

As principais causas para o desenvolvimento do câncer de boca são o tabagismo, o
abuso no consumo de bebidas alcoólicas e a exposição sem proteção aos raios solares,
uma vez que o câncer labial, que atinge a pele dos lábios, também é considerado 
uma doença da cavidade oral.

Relações sexuais sem proteção também podem contribuir para o aumento do risco do
câncer bucal, já que são uma via de transmissão do vírus HPV, que podem elevar as
chances de desenvolvimento da doença.

**Prevenção**

Para reduzir a chances de desenvolvimento do câncer de boca, manter uma higiene 
bucal adequada é fundamental. “A presença de restos alimentares pode levar a inflamações
que liberam substâncias nocivas ao organismo, portanto, a escovação diária e o uso
de fio dental são parte de uma estratégia de prevenção ao câncer de boca”, destaca
Coutens.

Além disso, visitar regularmente o dentista e evitar o tabagismo e abuso de álcool
também ajudam a evitar o desenvolvimento da doença.

“É essencial também alertar a população sobre a importância da observação de sintomas
e do diagnóstico precoce. Quanto mais cedo a doença for descoberta, menos invasivo
será o tratamento, reduzindo as chances de mutilações e queda na qualidade de vida
dos pacientes”, pontua o cirurgião de cabeça e pescoço Marco Homero de Sá.
