# “Brasília está tramando contra a Educação nos municípios”

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- Published: 2018-09-14T08:46:24-03:00
- Author: Ana Paula Bonelli

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Márcia Lamas: “A maioria dos deputados federais está despreparada para tratar desses
assuntos, pois desconhece o processo educacional”. Foto: Jansen Lube

_Yuri Scardini_

_Empunhando a bandeira da Educação, veterana na política e na gestão pública, a 
vice-prefeita da Serra, Márcia Lamas topou um novo desafio: se candidatar a deputada
federal. Nesta entrevista, ela disse que quer atuar em Brasília, uma vez que nos
próximos anos o Congresso Nacional vai debater mudanças estruturantes para a área
da Educação, o que pode gerar impactos no sistema educacional dos municípios. Além
disso, ela aponta os rumos de seu grupo político, que é aliado ao prefeito Audifax
Barcelos (Rede), mas aguarda um “sinal” visando a linha sucessória. _

**Você é uma veterana na política capixaba, mas nunca ocupou um cargo em Brasília.
O que te motivou a ser candidata à deputada federal?**

Uma meta pessoal é permitir duas funções públicas para o cargo de pedagogo. Todos
os servidores podem, menos o pedagogo, quero corrigir esse erro através de uma mudança
na Legislação. Mas tenho andado muito preocupada com o que se conversa em Brasília.
Sou professora; fui vereadora por dois mandatos na Serra, duas vezes vice-prefeita,
12 anos conduzindo a Educação do município. Durante todos esses anos pude contribuir
na estruturação da Educação na Serra, mas agora eu vejo uma ameaça muito grande 
tomando corpo lá no Congresso, que pode por em risco tudo o que fizermos na Serra.

**Do que se trata essa ameaça que você diz?**

O Congresso Nacional vai discutir um novo formato do Fundeb (Fundo de Manutenção
e Desenvolvimento da Educação Básica). Mas sabemos que estão motivados por interesses
escusos. Brasília está tramando contra a Educação nos municípios. Já se fala até
em um ‘FundebFlex’.

**Mas objetivamente, o que pode mudar?**

A Lei terá vigência até 2020, e então deverá haver um novo Fundeb. Só para Serra
esse recurso significa R$ 205 milhões, e é responsável pelo pagamento de toda a 
folha salarial de mais de 5 mil professores. Eles querem limitar e flexibilizar 
o uso desse dinheiro, o que pode ser perigoso uma vez que os municípios estão apertados
por conta da crise. Já pensou salários atrasados de professores ou recursos sendo
aplicados em outras áreas?

**E o que é possível fazer, uma vez que você será uma entre 513 deputados?**

Fazer barulho, brigar, apontar os erros. Fazer campanha nas ruas, nas redes sociais.
Trazer a sociedade civil organizada, mobilizar as escolas, os professores. Eu defendo
que se ampliem os recursos do Fundeb e que crie outros programas de apoio a Educação
nos municípios. Outra questão que vai ser debatida na esteira do Fundeb é voltar
com a Educação Infantil para a Assistência Social, um escárnio.

## “Não podemos permitir retroceder

## a Educação infantil nos moldes do

## assistencialismo do século passado”

**Pode explicar melhor isso?**

Brasília também discute retomar as creches para a Assistência Social. Foi uma luta
trazê-las para a Educação Infantil. É na primeira infância que se formam as bases
para o desenvolvimento físico, intelectual e emocional, portanto, começar atacando
as raízes da desigualdade. Não podemos permitir retroceder a Educação infantil nos
moldes do assistencialismo do século passado. A maioria dos deputados federais está
despreparada para tratar desses assuntos, pois desconhecem o processo educacional.

**O que é possível fazer pela Serra lá na Câmara Federal?**

Ao final de um mandato de deputado federal, serão R$ 60 milhões em emendas. A minha
proposta é concluir projetos com esse recurso. Precisamos construir mais creches
e escolas na Serra. Recebemos muitos imigrantes, muita gente de baixa renda. A Serra
não se pode dar ao luxo de não construir escolas para atender essas pessoas. Região
de Laranjeiras, Jacaraípe, Nova Almeida, Nova Carapina, são lugares que precisam
com urgência.

**Você é de família muito tradicional na política da Serra, mas nunca foram os protagonistas.
Quando vão ‘puxar esse boi pelo chifre’ e disputar a Prefeitura da Serra?**

Nosso projeto era em 2016, com Bruno Lamas (deputado estadual). Ele vem se preparando
para isso. Mas naquele momento entendemos que seria melhor formar uma aliança com
Audifax, para permitir dar continuidade a um trabalho que vem dando certo. Mas não
vamos abrir mão disso em 2020. Bruno tem um projeto de cidade, ele tem o sonho de
alçar a Serra na condição de cidade mais próspera do ES. Ele se prepara para isso
todos os dias.

**Se eleito governador, Renato Casagrande vai apoiar vocês? Uma vez que o PDT de
Sérgio Vidigal também faz costuras nesse sentido?**

Tanto Vidigal e Audifax, quando terminarem esse mandato, já cumpriram seu papel 
como prefeitos da Serra. Existe um movimento muito forte de renovação. A Serra quer
um candidato novo, com novas perspectivas. Associado a esse clamor popular, tem 
nossa fidelidade de 20 anos no PSB, Renato vai entender que Bruno é o futuro para
a Serra.

**Como está o relacionamento do seu grupo político com o prefeito Audifax Barcelos?**

Somos aliados. Mas estamos esperando um sinal dele. Entendemos que ele tem o partido
dele, mas para além disso, sempre fomos aliados de primeira hora. Sempre lutamos
a mesma luta em prol da Serra. Estamos esperando uma reciprocidade, um sinal.
