# Audiência sobre esgoto de Vitória na Serra acaba em acusações e ameaças de protesto

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- Published: 2025-07-02T16:14:00-03:00
- Author: Yuri Scardini

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Plenário da Câmara da Serra lotado durante a audiência pública que debateu o projeto
da EPAR, marcada por críticas e protestos de moradores.

Na noite da última terça-feira (01), a Câmara de Vereadores da Serra foi palco de
uma audiência pública que teve como objetivo esclarecer e levantar mais informações
sobre o projeto da EPAR (Estação de Produção de Água de Reuso). Articulada pelos
vereadores Rafael Estrela do Mar e Renato Ribeiro, a audiência foi marcada por momentos
de tensão e serviu como termômetro para as próximas etapas do processo.

A EPAR é um projeto da Cesan, que [prevê a construção de uma estação](https://www.portaltemponovo.com.br/serra-vai-receber-pinicao-de-esgoto-para-vitoria-ganhar-shopping-a-ceu-aberto/)
de produção de água de reuso no município da Serra. A unidade receberá o esgoto 
que hoje é direcionado para a Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) de Camburi, 
em Vitória.

Na Serra, esse esgoto será tratado, reciclado e comercializado para uso industrial.
A principal interessada na compra dessa água é a ArcelorMittal, que, inclusive, 
doou o terreno no bairro São Geraldo para viabilizar a obra. A empresa [multinacional GS Inima](https://www.portaltemponovo.com.br/serra-referencia-internacional-reciclagem-esgoto/)
venceu o leilão para operar o serviço.

## Quem compareceu:

Estavam presentes na audiência representantes da Cesan, da ArcelorMittal e da GS
Inima, além dos vereadores Leandro Ferraço, Wiliam Miranda, Teilton Valin e Raphaela
Moraes. O deputado estadual Fábio Duarte também compareceu.

A Prefeitura da Serra enviou técnicos das secretarias de Obras e Meio Ambiente. 
A audiência contou ainda com a participação da OAB, da Associação dos Empresários
da Serra (ASES), da Federação das Associações de Moradores da Serra (Fams), além
de diversas lideranças populares e moradores, especialmente do bairro São Geraldo.

## Ânimos exaltados sobre esgoto de Vitória

Em diversos momentos, o clima ficou tenso, e os proponentes da audiência precisaram
intervir para conter os ânimos. A reunião teve duração de 3h30, mas, mesmo assim,
não foi suficiente para que se chegasse a um entendimento sobre o projeto. Tanto
é que uma nova audiência já foi deliberada para ocorrer no [próximo mês.](https://www.instagram.com/jornaltemponovo/)

Durante o encontro, a Prefeitura da Serra confirmou que, até o momento, não foi 
formalmente consultada a respeito do projeto, o que tem sido uma das principais 
críticas dos vereadores.

“Como se faz um projeto para tratar o esgoto de Vitória na Serra, realiza um leilão
internacional, dá uma ordem de serviço em Nova York… tudo isso sem perguntar para
a Serra se a cidade concorda com o projeto?”, questionou o vereador Renato Ribeiro.

De forma uníssona, os vereadores e as lideranças comunitárias manifestaram que, 
em seu mérito, o projeto de reutilizar água é louvável. No entanto, questionaram
a Cesan sobre o por que não conceberam um modelo em que a Serra tratasse prioritariamente
o próprio esgoto para ser revertido em água de reuso, ou, ao menos, que a EPAR destinada
a receber o esgoto de Vitória fosse implantada no território da capital.

Na avaliação do vereador Rafael Estrela do Mar, o verdadeiro interesse por trás 
do projeto estaria na desativação da ETE de Camburi e na consequente liberação do
terreno — uma área de 400 mil metros quadrados localizada na orla de Camburi. A 
Cesan, por sua vez, afirmou que aquele terreno não pertence à companhia e disse 
desconhecer qualquer projeto para uso futuro da área.

A ArcelorMittal também foi alvo de críticas de moradores do bairro São Geraldo, 
que cobraram a ausência histórica de projetos voltados à comunidade, marcada por
impactos diversos decorrentes da proximidade com as operações da empresa. Foram 
citados problemas de saúde, especialmente respiratórios, além de impactos urbanísticos.
Moradores cobraram que a área doada para a construção da EPAR seja revertida para
uso coletivo da comunidade.

A ArcelorMittal afirmou que o projeto da EPAR está inserido em um plano mais amplo,
que visa reduzir sua dependência do abastecimento de água proveniente de fontes 
que concorrem com o consumo humano. A empresa citou, por exemplo, investimentos 
na planta de dessalinização, que também faz parte desse planejamento estratégico.

A companhia destacou que a escassez hídrica representa, sobretudo, um risco às suas
operações, já que a produção de aço demanda grandes volumes de água.

A GS Inima, por sua vez, afirmou que está cumprindo rigorosamente o que foi definido
no edital de concorrência que norteou o leilão do serviço, o qual já previa que 
a EPAR seria construída na Serra e receberia os efluentes provenientes da ETE de
Camburi. A empresa defendeu que a tecnologia adotada na estação é moderna e capaz
de operar sem emissão de ruídos ou odores.

Além disso, a GS Inima defendeu que a venda de água de reuso para a ArcelorMittal
tem como propósito reduzir a captação de água do rio Santa Maria para uso industrial
e, consequentemente, aumentar a disponibilidade de água para consumo humano.

## Reclamações e ameaça de protesto na Serra

Todas essas explicações foram dadas em um clima hostil, no qual moradores e lideranças
comunitárias manifestaram desconfiança de forma constante. Acusações e reclamações
foram numerosas, especialmente em relação à crítica sobre a atual conjuntura do 
esgotamento sanitário na Serra, que impõe desafios monumentais, enquanto se discute
um projeto que, segundo moradores e lideranças, visa resolver um passivo ambiental
e imobiliário da capital.

Houve até afirmações de que, caso o projeto avance, as entradas ferroviárias e rodoviárias
da ArcelorMittal serão bloqueadas com pneus em chamas pela população. “Pode deixar
que eu levo os pneus. Vamos parar a ArcelorMittal se esse projeto continuar”, afirmou
o vereador Leandro Ferraço.

Ao final, a audiência deliberou apenas pela realização de uma nova reunião, diante
das diversas dúvidas que permaneceram sem resposta. O encontro, no entanto, serviu
para demonstrar que houve falhas de condução por parte da ArcelorMittal, Cesan e
GS Inima no processo de implantação do projeto — falhas que, para serem revertidas,
podem exigir grandes esforços de diálogo e negociação.
