# Ativistas convocam ato em defesa da fé após conflito entre vereador e servidora umbandista

- Link: https://www.portaltemponovo.com.br/ativistas-convocam-ato-em-defesa-da-fe-apos-conflito-entre-vereador-e-servidora-umbandista/
- Published: 2025-05-13T15:38:50-03:00
- Author: Yuri Scardini

![](https://www.portaltemponovo.com.br/wp-content/uploads/2025/05/foto-capa-5-1-
1024x576.jpg)

Antonio CEA: Crédito divulgação

Diversas entidades religiosas e organizações de defesa da igualdade racial estão
convocando ativistas e simpatizantes para uma manifestação em frente à Câmara da
Serra. A ação, intitulada “Convite para Ato de Denúncia e Resistência”, está marcada
para esta quarta-feira (14), às 15h — apenas uma hora antes do início da sessão 
ordinária do Legislativo.

Participarão do ato o Fórum Chico Prego, a União Espírita Capixaba (Unescap), o 
Movimento Negro Unificado (MNU), o Conselho Municipal de Promoção de Políticas de
Igualdade Racial (Comppir), a União de Matrizes Africanas (UMA) e o Instituto Eco
Vida.

Segundo os organizadores, o protesto tem como objetivo denunciar as “violências 
institucionais dirigidas à população negra, às religiões de matriz africana e às
pautas de diversidade e inclusão”. As entidades [acusam nominalmente o vereador Antônio Carlos CEA](https://www.portaltemponovo.com.br/vereador-da-serra-e-acusado-de-humilhar-servidora-e-vai-parar-na-delegacia/)(
Republicanos) de intolerância religiosa e de violência contra uma servidora adepta
da Umbanda, identificada como Saionara Paixão.

As tensões começaram em março, quando os movimentos alegam que o parlamentar teria
feito provocações de cunho religioso após uma sessão solene em homenagem ao Queimado.
A crise se intensificou nesta semana, após CEA votar contra a atualização da nomenclatura
da Comissão de Direitos Humanos da Câmara, que passou a incluir o termo “Povos Tradicionais”
e substituiu a palavra “Negro” por “Igualdade Racial”. [Na ocasião, o vereador afirmou que o tema era “irrelevante”.](https://www.portaltemponovo.com.br/vereador-da-serra-diz-que-comissao-que-trata-de-minorias-e-irrelevante-e-causa-constrangimento/)

Esse contexto foi o pano de fundo para a confusão registrada na sessão da última
segunda-feira (12), quando Saionara teria se manifestado durante a fala de um vereador
que defendia CEA – situação que não é permitida pelo Regimento Interno. O protesto
da servidora teria provocado reações de alguns parlamentares, entre eles CEA — que
se dirigiu até a cabine onde a funcionária estava —, desencadeando uma situação 
ainda nebulosa. A servidora deixou o plenário chorando, alegando ter sido ofendida
e humilhada. Ambos se dirigiram à delegacia, onde um novo desentendimento foi registrado.

“Nos últimos dias, presenciamos ataques que não são isolados: são expressões de 
racismo religioso, machismo e intolerância dentro de espaços que deveriam garantir
direitos. Diante disso, reafirmamos: não nos calaremos. Nosso encontro será um momento
de força coletiva, de cuidado mútuo e afirmação política. Vamos ocupar com nossos
corpos, nossas vozes e nossa espiritualidade”, diz o texto do convite à manifestação.

Segundo Egbon Brasinha, coordenador da UMA, o conflito com CEA se arrasta desde 
março, mas atingiu um novo patamar com os “ataques” desferidos contra a servidora.“
Além de humilhar publicamente a Saionara, ele ainda tentou intimidá-la na delegacia.
Trata-se de uma mulher, negra, uma pessoa de matriz africana. Como ele mesmo disse
na Câmara, na opinião dele somos pessoas irrelevantes. Vamos mostrar que ela não
é irrelevante”, afirmou.

Após a repercussão do caso, CEA [procurou o Jornal Tempo Novo para apresentar sua versão dos fatos](https://www.portaltemponovo.com.br/vereador-da-serra-nega-ter-ofendido-servidora-umbandista-e-da-sua-versao-dos-fatos/).
Ele nega ter cometido intolerância religiosa e acusa uma vereadora da Casa — referindo-
se a Raphaela Moraes (PP) — de estar por trás do movimento, com o objetivo de prejudicá-
lo politicamente. O vereador também nega qualquer agressão física ou verbal e afirma
que foi à delegacia por vontade própria, apenas para registrar um boletim de ocorrência.
Por fim, criticou o Jornal Tempo Novo pela cobertura do caso.
