# ArcelorMittal confirma que tarifaço de Trump pode atrapalhar investimento de R$ 4 bilhões na Serra

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- Published: 2025-05-06T17:29:46-03:00
- Author: Yuri Scardini

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O fim das cotas de isenção — pressionam diretamente a ArcelorMittal, que exporta
3,46 milhões de toneladas anuais de aço para os EUA. Crédito: Divulgação

O investimento de R$ 4 bilhões anunciado pela ArcelorMittal para a unidade de Tubarão,
na Serra, corre risco de ser adiado ou até suspenso. A informação foi dada pelo 
presidente da empresa no Brasil, Jorge Oliveira, em entrevista ao Valor Econômico.
O alerta acendeu preocupações na Serra, especialmente porque esse aporte é aguardado
faz décadas e significaria um impulso estratégico para o município e o estado.

Em artigo recente publicado no [Portal Tempo Novo](https://www.portaltemponovo.com.br/com-concorrencia-mais-taxada-tarifa-de-trump-pode-ser-chance-para-serra-diz-centrorochas/),
foi detalhado o impacto positivo esperado desse investimento para a Serra, destacando
o papel da cidade como eixo logístico e industrial no Sudeste. A chegada de novos
projetos, empregos e tecnologia criaria uma cadeia de benefícios para a economia
local.

De acordo com apuração o [Tempo Novo](https://www.instagram.com/jornaltemponovo/),
o projeto de R$ 4 bilhões prevê a implantação de uma nova linha de laminação de 
tiras a frio e uma linha de revestimento contínuo. [Desde sua fundação,](https://www.portaltemponovo.com.br/aco-e-rochas-tarifaco-de-trump-atinge-setores-bilionarios-da-serra/)
em 1983, a ArcelorMittal Tubarão (antiga CST) sempre produziu placas de aço, mas,
com o novo investimento, a companhia passaria a fabricar diretamente produtos acabados
para setores estratégicos, como a indústria automotiva, de eletrodomésticos e de
energia solar. Isso fecharia um ciclo industrial na planta capixaba, garantindo 
maior valor agregado ao aço produzido na Serra e consolidando a região como uma 
referência ainda mais forte no setor siderúrgico nacional e internacional.

Segundo Jorge Oliveira, as medidas protecionistas dos Estados Unidos — como a imposição
de tarifas de 25% sobre o aço brasileiro e o fim das cotas de isenção — pressionam
diretamente a ArcelorMittal, que exporta 3,46 milhões de toneladas anuais de aço
para os EUA, parte expressiva saindo aqui da Serra. Além disso, o risco de a China
redirecionar seu excedente de aço para o mercado brasileiro agrava a situação, tornando
o setor mais vulnerável à concorrência internacional.

Se esse ambiente não mudar, Oliveira alertou que os prazos dos investimentos planejados
no Brasil — incluindo o projeto de Tubarão — podem ser modificados. Esse projeto
seria um divisor de águas para a economia local, mas agora depende diretamente das
decisões e negociações no cenário internacional.

Enquanto a guerra comercial entre EUA e China impacta diretamente a siderurgia, 
também cresce a pressão interna. A indústria brasileira enfrenta juros altos — que
podem chegar a 14,75% ao ano — prejudicando setores dependentes de financiamento,
como a indústria automotiva, principal cliente da ArcelorMittal.

Trata-se de um duro golpe para a economia e as expectativas da Serra. Na prática,
o principal investimento privado da história recente do município está ameaçado 
pela guerra comercial internacional.
