# Após brilhar em escolas de samba, serrana quer ser nova musa do funk

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- Published: 2020-12-12T13:13:24-03:00
- Author: Gabriel Almeida

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Reeyse tem 26 anos. Foto: Divulgação

Aos 26 anos, Reeyse é um furacão de mulher, pronto para derrubar julgamentos e mostrar
que é possível, sim, chegar aonde se quer com muito talento e dedicação. Nascida
Ana Caroline, no município da Serra, ela é DJ, modelo, bailarina, influenciadora
digital e, agora, a mais nova aposta do funk capixaba, com o lançamento de suas 
primeiras canções: “Clima de Maldade” e “Morena Tatuada”, ambas disponíveis na internet,
universo onde ela faz o maior sucesso. Só no Instagram (@reeyseofc), a morena possui
quase 35 mil seguidores.

“Quero que as pessoas olhem pra mim e reconheçam que uma menina da favela, negra,
tatuada, criada só pela mãe e que, por muitas das vezes, foi desacreditada, chegou
num lugar onde muitos disseram que ela não chegaria. Desde quando era criança e 
deitava minha cabeça no travesseiro, dizia que queria ser artista e, quando acordava,
eu também pensava nisso, então era algo primordial pra mim”, lembra ela, que está
prestes a dar mais um passo rumo ao sucesso. A cantora está em negociação com produtoras
do Rio de Janeiro e São Paulo para lançar uma nova leva de canções autorais, acompanhadas
de videoclipes.

A trajetória de Reeyse no meio artístico lembra muito a da cantora MC Rebecca, um
dos maiores nomes do funk atual e também uma de suas principais inspirações. Assim
como a intérprete de “Deslizo e Jogo”, ela começou brilhando em desfiles de escola
de samba, inclusive do Rio. A bela chegou a ser rainha de bateria em agremiações
capixabas, e dividiu os holofotes com a funkeira carioca ao atuar como passista 
na agremiação Acadêmicos do Salgueiro. Na mesma época, ela foi professora de dança
de salão.

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A estreia na música aconteceu somente em dezembro de 2019, quando iniciou a carreira
de DJ em bailes funk. “Me esforcei muito para conseguir me inserir no mercado de
trabalho porque as pessoas ainda têm um preconceito muito grande quando veem uma
mulher em cima de um palco dominando um baile, ainda acham que é coisa pra homem”,
afirma. E foi assim, pronta para derrubar qualquer tabu imposto pela sociedade, 
que ela decidiu começar a cantar em 2020. Até o momento, a artista possui 25 músicas
compostas.

“Minhas referências são mulheres que, por muitas das vezes, as pessoas não davam
nada, como Lexa, MC Mirella, Pocah, com quem dizem que me pareço fisicamente, e 
Anitta. Quando falam que ela é ‘só bunda’, eu fico revoltada porque bunda é só um
bônus que Deus nos deu, e o talento e a inteligência dela são surreais. Ao lado 
dessas cantoras, quero passar uma mensagem de união feminina e mostrar que nós mulheres
somos capazes de tudo que a gente quiser, independentemente da nossa realidade”,
salienta.

**Depressão**

Quem vê Reeyse toda dona de si e empoderada, não percebe a luta travada por ela 
contra a depressão. A capixaba começou a enfrentar o problema aos 13 anos, quando
viveu um relacionamento abusivo e, logo depois, precisou lidar com a separação dos
pais, depois de 17 anos juntos. “Me senti perdida e vulnerável, sem saber quem cuidaria
de mim ou onde eu era bem-vinda. Pra mim a separação deles foi muito difícil porque
me vi envolvida entre ficar com meu pai ou com minha mãe e nunca tinha me imaginado
nessa corda bamba. Durante muito tempo foi difícil, porque via a doença como coisa
de gente louca, lugar onde me colocaram em muitos relacionamentos que tive, mas 
me aceitei como uma pessoa que sofre de depressão e que tem crises de ansiedade,
e sigo me cuidando, fazendo meu tratamento e estudando sobre a mente humana. Tanto
que comecei a faculdade de Psicologia, mas precisei trancar por conta do meu sonho
na música”, conta.

Aliás, a cantora usa suas redes sociais para derrubar o mito de que artistas são
perfeitos, tornando-se também uma porta-voz da saúde mental. “Aprendi muito com 
a depressão e não tenho problema nenhum em falar sobre uma doença que pode levar
à morte. Muitas pessoas dizem para eu não postar sobre isso no Instagram porque 
sou uma figura pública, que tenho que mostrar apenas momentos felizes, mas ninguém
é feliz 24 horas por dia. Então não vou deixar de falar simplesmente para as pessoas
acharem que vivo um conto de fadas e que minha vida é um morango, porque ela não
é”, finaliza.
