# Aliados de Audifax e Vidigal trocam farpas sobre paternidade do Hospital Materno Infantil

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- Published: 2021-04-06T16:30:48-03:00
- Author: Gabriel Almeida

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Desde de 2008, em um racha do PDT da Serra, Vidigal e Audifax nutrem forte rivalidade
um com outro. Nessa foto, tirada pelo Tempo Novo em 2004, Vidigal lançava seu então
secretário Audifax Baercelos à prefeitura. Foto: Arquivo TN

Entregue pela Prefeitura da Serra em setembro de 2020, o Hospital Materno Infantil,
em Laranjeiras, passou por uma adequação para receber pacientes de Covid-19 já nesta
quarta-feira (07). Serão 30 leitos de enfermaria adulto; mas a previsão é de que,
nos próximos dias, a unidade passe a dispor mais 90 leitos de enfermaria adulto 
e, até final de maio, mais 13 leitos de enfermaria adulto e 19 leitos de Unidade
de Terapia Intensiva (UTI) para casos de complicação súbita, totalizando 152 leitos
Covid-19.

A obra sempre foi motivo de muita discórdia entre o prefeito Sérgio Vidigal e do
ex-prefeito Audifax Barcelos, que desde 2008 nutrem uma intensa rivalidade política
no município.

O hospital é uma obra municipal, que custou cerca de R$ 100 milhões. Desse valor,
aproximadamente metade foram de recursos federais. Tanto ocupando a prefeitura como
na condição de deputados, Vidigal e Audifax participaram ativamente desde a idealização
do projeto, aos tramites burocráticos, a execução da obra em si e a captação de 
recursos federais, que se tratando de Brasília, costuma ser penosa e agarrada.

No entanto, as ‘torcidas organizadas’ na cidade, nunca reconheceram muito bem a 
participação de ambos os políticos na concretização do Hospital, e voltam e meia
trocam comentários ‘puxando sardinha’ para seus respectivos lados e deslegitimando
o adversário.

Isso voltou acorrer essa semana, que deve ser novamente marcada pela dura fase da
pandemia, com mortes trágicas de moradores da Serra; leitos lotados; e medidas de
restrição que atingem trabalhadores e empreendedores.

Na Câmara, quem puxou a ‘polêmica’ foi a vereadora Raphaela Moraes, que participou
das gestões do ex-prefeito Audifax é tida como uma das principais aliadas dele no
parlamento municipal.

“Recebi com surpresa e felicidade a notícia que o Hospital Materno Infantil finalmente
foi entregue e começará a atender a população. Esse hospital é talvez a maior obra
pública da da historia do município. Ele custou mais ou menos R$ 100 milhões e metade
desse valor foi custeado pela Prefeitura, graças a uma gestão qualificada que licitou,
deu a ordem de serviço e entregou esse hospital, que foi a gestão do prefeito Audifax”,
disse a vereadora.

Em seguida, o vereador Wellington Alemão subiu a tribuna e contradisse Raphaela,
citando Vidigal como o verdadeiro responsável pela realização do Hospital. Alemão
está em seu segundo mandato consecutivo e hoje faz parte da coalisão de vereadores
que apoiam Vidigal. Em sua primeira estadia na Câmara, ele fez parte do grupo de
oposição a Audifax.

“Foi entregue na gestão do prefeito anterior (referindo-se a Audifax), mas foi homologado
lá traz por Vidigal”. Disse. Ele e a vereadora chegaram a debater, no entanto o 
microfone da parlamentar estava desligado, e a reportagem não conseguiu identificar
a fala. Mas Wellington voltou a ratificar: “Foi Vidigal”.

Em um segundo momento, Raphalea rebateu novamente o vereador e disse que “tem que
dar a César o que é de César” e que “o mérito é da gestão do Prefeito Audifax Barcelos”.

A ex-deputada federal e esposa do atual prefeito, Sueli Vidigal foi ainda mais incisiva.
De acordo com ela, o governador Renato Casagrande e o prefeito Sérgio Vidigal “são
os únicos responsáveis pela abertura do hospital”. Ela citou ainda o trabalhado 
dela e de Vidigal em Brasília, na condição de deputados, no que tange a captação
de recursos federais.

“Quero agradecer ao governador Renato Casagrande e ao prefeito Sergio Vidigal os
únicos responsáveis pela abertura do hospital. Falar deste hospital me emociona 
muito, porque tenho toda a história dele passo a passo antes mesmo dele nascer, 
quando eu e Sérgio buscamos realizar o sonho da cidade, primeiro foi o projeto, 
depois foi na captação de recursos em Brasília e hoje ele está aqui, com o real 
objetivo nosso; salvar vidas. Não importa quantos padrinhos surgiu ao longo da história,
o que me importa é que ele resistiu ao tempo e hoje podemos abrir as suas portas”,
disse Sueli Vidigal.

Em uma primeira análise a ordem cronológica dos fatos parece confusa, pois tanto
Vidigal e Audifax foram prefeitos e deputados no intervalo de 9 anos dos quais o
Materno Infantil demorou para efetivamente sair do papel e ser entregue.

O Hospital Materno Infantil foi idealizado na terceira gestão de Vidigal como prefeito(
2009-2012). O edital foi publicado em 2012, ainda na gestão de Vidigal. A licitação
e a ordem de serviço foram realizadas por Audifax em 2013 – na época em seu segundo
mandato de prefeito (2013-2016).  A obra foi iniciada em 2014 e entregue seis anos
depois, em 2020, no último ano do terceiro mandato de Audifax como prefeito (2017-
2020). E agora, entrará em funcionamento no primeiro ano do 4º mandato de Vidigal
a frente da Prefeitura (2021 que segue até 2024).

Vale citar que dessa vez, nem Audifax e nem Vidigal entraram pessoalmente na polêmica
da ‘paternidade’ da obra. Até à tarde dessa terça-feira (06) Vidigal sequer tinha
se pronunciado oficialmente sobre o assunto da abertura do Hospital. Já Audifax 
publicou um vídeo se justificando pelo hiato que durou entre a inauguração da obra(
setembro de 2020) e a efetiva abertura do hospital para receber pacientes (amanhã,
dia 07 de abril).

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2019-08-05-at-14.57.18.jpeg "Evento HMI")

Em 2019, sob o olhar do governador Renato Casagrande, Audifax e Vidigal chegaram
a apertar as mãos durante uma visita técnica ao Hospital Materno Infantil. Nessa
foto, torcidas de ambos os políticos gritavam o nome de Audifax e Vidigal em disputa
para ver quem se destacava mais. Foto: Edson Reis.
