# Aço e rochas: ‘tarifaço’ de Trump atinge setores bilionários da Serra

- Link: https://www.portaltemponovo.com.br/aco-e-rochas-tarifaco-de-trump-atinge-setores-bilionarios-da-serra/
- Published: 2025-04-07T15:27:50-03:00
- Author: Yuri Scardini

![](https://www.portaltemponovo.com.br/wp-content/uploads/2025/04/whatsapp-image-
2025-04-07-at-152242.jpeg)

Imagem: BRENDAN SMIALOWSKI/AFP

Ainda há muitas incertezas sobre os possíveis impactos do tarifaço anunciado pelo
presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. De modo geral, especialistas ouvidos
pelas principais redes de comunicação no Brasil avaliam que alguns setores podem
até se beneficiar. No entanto, a ruptura com o multilateralismo e o descumprimento
de compromissos assumidos pela maior economia do mundo são vistos como ameaças sérias
às relações econômicas internacionais.

O Brasil ficou entre os países que sofreram a menor alíquota extra de importação,
fixada em 10%. Outros grandes exportadores foram bem mais penalizados pela caneta
trumpista, como Índia (26%), Japão (24%) e União Europeia (20%). A China foi uma
das mais afetadas, com tarifas que podem chegar a 54% sobre determinados produtos.

Ou seja, embora os produtos brasileiros tendam a encarecer, os concorrentes internacionais
devem ficar ainda mais caros. Isso pode abrir uma brecha para oportunidades no mercado
americano, já que, ao menos num primeiro momento, os Estados Unidos devem continuar
importando, devido às limitações de seu próprio mercado interno, pois, embora se
fale em reindustrialização nos Estados Unidos, trata-se, evidentemente, de um processo
complexo e de longo prazo.

Apesar disso, tudo ainda é muito incerto. O cenário é conturbado e os efeitos práticos
das novas tarifas só poderão ser avaliados com o tempo. Por ora, o momento é de 
cautela.

No que diz respeito à Serra, pelo menos dois produtos estão no centro desse processo
de taxação: o aço e as rochas ornamentais. Isso porque o município se destaca como
um importante polo exportador para os Estados Unidos, com forte presença nesses 
dois segmentos. O aço é produzido pela maior empresa instalada na cidade, a ArcelorMittal,
e as rochas ornamentais — transformadas em placas de mármore e granito — são beneficiadas
na Serra e exportadas, sendo os EUA o principal comprador.

[Segundo o relatório de exportações de rochas do Sindirochas](https://www.portaltemponovo.com.br/maior-exportadora-do-brasil-serra-lidera-mercado-bilionario-de-rochas-ornamentais/),
as exportações capixabas do setor totalizaram US$ 1,037 bilhão em 2024, com um volume
de 1,54 milhão de toneladas — representando expressivos 82,11% das exportações brasileiras
em valor. A Serra respondeu por 30,73% dessa receita e por 19,09% do volume exportado.
No cenário nacional, a participação serrana é igualmente expressiva: 25,23% do valor
total das exportações brasileiras e 14,32% do volume, consolidando a cidade como
o principal polo exportador do Brasil. Na prática, um em cada quatro dólares gerados
pelas exportações de rochas ornamentais no Brasil vem da Serra.

Os Estados Unidos seguem como o principal destino das rochas ornamentais capixabas,
respondendo por 68,7% das exportações do setor em 2024 (dados de dezembro). Na sequência
estão China (11,7%) e Itália (5,1%). Diferentemente do Espírito Santo, estados como
Minas Gerais, Ceará e Bahia têm uma participação maior do mercado chinês, reduzindo
sua vulnerabilidade em relação aos EUA.

Os produtos de aço têm ainda mais peso econômico. O Espírito Santo exportou US$ 
1,8 bilhão em aço em 2024, sendo que 63% desse total — cerca de US$ 1,14 bilhão —
teve como destino os Estados Unidos. A esmagadora parte desse volume é atribuída
à produção da ArcelorMittal, localizada na Serra. Vale lembrar que o aço brasileiro
já havia sido impactado anteriormente, já que, em março, entrou em vigor a cobrança
de tarifas de 25% sobre todas as importações de aço e alumínio pelos EUA.

A medida atingiu em cheio o setor siderúrgico de grandes parceiros comerciais dos
americanos, como Canadá e México. O Brasil, que é o segundo maior fornecedor de 
aço para os EUA, já havia sentido os efeitos. Ou seja, as tarifas anunciadas recentemente
não se sobrepõem às anteriores, mas reforçam o ambiente de tensão.

Na esfera da Prefeitura da Serra, o sentimento é de cautela e observação, com foco
em identificar, eventualmente, algum efeito negativo na arrecadação. Embora a exportação
não gere ICMS — principal fonte de receita do município —, há toda uma cadeia econômica
indireta que pode ou não ser impactada pelas mudanças no comércio exterior.

Ainda é incerto como os mercados irão se comportar e quais alternativas serão adotadas.
Mas é, sim, um período de preocupação, especialmente diante da expectativa de mudanças
bruscas nas relações comerciais, o que tende a gerar incertezas — ingrediente clássico
para retração de investidores.

A Serra vive um bom momento tanto no setor de rochas, que segue em expansão e aumenta
sua importância nacional, quanto no setor de aço. [Em 2024, foi feito um dos anúncios mais expressivos das últimas décadas](https://www.portaltemponovo.com.br/entenda-o-significado-para-a-serra-do-gigantesco-investimento-anunciado-pela-arcelormittal/):
a implantação de um Laminador de Tiras a Frio (LTF), tecnologia que agregará valor
ao aço produzido pela ArcelorMittal em Tubarão, voltado para indústrias de eletrodomésticos,
setor automotivo e energia solar. O valor do investimento é estimado em R$ 4 bilhões.

Vale acrescentar que além desses produtos, o Espírito Santo também exporta café 
não torrado, celulose e óleos brutos de petróleo para diversos países, incluindo
os Estados Unidos — embora esses mercados tenham pouca ou nenhuma ligação direta
com a cidade da Serra.
