# Seca aperta e rio que leva água às torneiras da Serra perde 85% da vazão em oito dias

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- Published: 2026-10-15T11:20:07-03:00
- Author: Yuri Scardini

O abastecimento de água na Serra entrou em zona de atenção. O Rio Santa Maria da
Vitória, um dos mananciais que abastecem a cidade e boa parte da Grande Vitória,
voltou a correr abaixo do nível de referência usado para identificar períodos de
seca. Segundo o boletim mais recente da Agência Estadual de Recursos Hídricos (Agerh),
a vazão medida na Fazenda Santa Rosa caiu para 4.347 litros por segundo na segunda-
feira (12).

A queda foi rápida. Em 4 de outubro, depois das chuvas do início do mês, o rio chegou
a cerca de 30 mil litros por segundo no mesmo ponto. Em apenas oito dias, portanto,
perdeu quase 85% da vazão.

O indicador técnico usado pela Agerh é a Q90, a vazão que o rio costuma superar 
em 90% do tempo. Quando o volume fica abaixo dela, o manancial está em condição 
de seca. Além disso, o Santa Maria da Vitória passou maio, junho, julho e agosto
abaixo da média histórica.

## **Reservatórios do Santa Maria da Vitória perto do limite**

Os dois reservatórios que regulam o rio também preocupam. Na terça-feira (13), a
PCH Rio Bonito estava 1,47 metro acima da cota-limite definida em protocolo entre
Agerh, Cesan e Statkraft, empresa que opera as usinas. Já a UHE Suíça estava a menos
de 1 metro dessa marca, apenas 0,97 metro acima.

##### Leia também

 * [Cidade terá racionamento de água com rodízio após Super El Niño causar seca em rio](https://www.portaltemponovo.com.br/cidade-tera-racionamento-de-agua-com-rodizio-apos-super-el-nino-causar-seca-em-rio/)
 * [Quando o Brasil perde, quem é que perde?](https://www.portaltemponovo.com.br/quando-o-brasil-perde-quem-e-que-perde/)
 * [Mesmo com chuva recente, seca avança no ES com Super El Niño cada vez mais perto](https://www.portaltemponovo.com.br/seca-avanca-espirito-santo-super-el-nino/)

Chegar ao limite não significa falta de água imediata. Nesse ponto, as usinas deixam
de baixar o reservatório para gerar energia, e a água restante fica reservada para
o abastecimento da Grande Vitória. Pela Lei Estadual 10.179, de 2014, o consumo 
humano e a dessedentação animal têm prioridade em situações de escassez.

## **Estiagem e calor castigam o Espírito Santo**

O cenário na Serra reflete uma crise maior. Com o El Niño em atividade no Brasil,
o Espírito Santo enfrenta dias de calor intenso e vegetação seca. Nas estações monitoradas
pela Agerh, as máximas chegaram a 35,6°C em Marilândia e 35°C em Alegre, enquanto
quase nenhuma chuva caiu no período.

Segundo a Agerh, a falta de chuva vem desde abril. Ao mesmo tempo, o calor acelera
a perda de água do solo e da vegetação. Como resultado, quase todo o estado vive
déficit hídrico há meses.

No interior, [o problema já chegou às torneiras](https://www.portaltemponovo.com.br/cidade-tera-racionamento-de-agua-com-rodizio-apos-super-el-nino-causar-seca-em-rio/):
Mantenópolis, no Noroeste capixaba, enfrenta racionamento. Na Grande Vitória, o 
Rio Jucu, que abastece outra parte da região metropolitana, também está abaixo da
vazão de referência. Em todos os meses de junho a setembro, aliás, ele correu com
menos água que no mesmo período de 2025.

## **Chuva prevista pode aliviar o abastecimento de água na Serra**

Por outro lado, a previsão traz algum alívio. Modelos do Simepar, contratados pela
Agerh, indicam chuva no Espírito Santo na segunda metade da semana. Com isso, as
vazões dos principais rios devem subir a partir do dia 16, com os volumes mais expressivos
entre 17 e 19 de outubro.

A própria agência, no entanto, alerta que a incerteza sobre a quantidade de chuva
aumenta justamente nesses dias. Por isso, ainda não dá para saber se a água prevista
será suficiente para recuperar o Santa Maria da Vitória e afastar o risco para o
abastecimento na Serra.

## Rio Reis Magos também preocupa

O Santa Maria da Vitória não é a única fonte do abastecimento de água na Serra. 
Parte da cidade, incluindo a região das praias e a Serra Sede, recebe água do Rio
Reis Magos. Esse manancial, porém, costuma enfrentar uma defasagem de vazão ainda
maior em períodos de estiagem.

O Reis Magos não aparece entre os rios monitorados no boletim da Agerh. Por isso,
não há dados oficiais recentes sobre a situação dele nesta semana. Ainda assim, 
o histórico do rio acende um alerta extra: se a chuva prevista não vier, esses bairros
podem ser os primeiros a sentir o impacto.
