# A tragédia política capixaba: Marcos Do Val agora pede que os EUA invadam o Brasil

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- Published: 2025-02-27T16:00:01-03:00
- Author: Yuri Scardini

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No Brasil, o Congresso Nacional desempenha um papel absolutamente central na geopolítica
regional. Historicamente, o Espírito Santo ocupa uma posição política vulnerável,
resultado de um processo de formação nacional no qual o estado foi marginalizado.
Além da ausência de capixabas nos núcleos que controlam o país, a falta de articulação
regional trouxe desafios extras ao Espírito Santo.

No Nordeste, por exemplo, consolidou-se o entendimento de que, mesmo diante de divergências
internas, a união estratégica era essencial para a autoproteção política e econômica.
Com isso, estados nordestinos conseguiram se proteger, além de eleger presidentes
da República, da Câmara dos Deputados e do Senado, além de ocupar espaços de poder
significativos.

No Sudeste, a lógica é diferente: competição. Minas Gerais, Rio de Janeiro e São
Paulo, com suas grandes bancadas na Câmara Federal, são consultados sobre praticamente
todas as decisões expressivas do país o que os beneficia muito. Enquanto isso, o
Espírito Santo permanece isolado, frequentemente obrigado a aceitar imposições das
grandes potências regionais. Um exemplo emblemático foi o fim do Fundap, que trouxe
enormes prejuízos econômicos para o estado.

O Congresso Nacional funciona em um sistema bicameral, composto por duas casas, 
Câmara dos Deputados – que representa a população, com deputados eleitos proporcionalmente
ao número de habitantes de cada estado. Senado Federal – que representa os estados
e o Distrito Federal, com três senadores por unidade federativa.

Se a lógica é de competição por investimentos e políticas públicas que beneficiem
os capixabas, é no Senado que essa disputa acontece de forma mais equilibrada, já
que todos os estados possuem a mesma representatividade.

Atualmente, o Espírito Santo tem três senadores: Fabiano Contarato (PT), Magno Malta(
PL) e Marcos do Val (Podemos). Essa configuração revela um cenário complexo para
um estado politicamente vulnerável, especialmente na Casa Legislativa onde o Espírito
Santo concorreria de igual para igual com os demais estados.

Contarato e Magno Malta estão comprometidos com agendas ideológicas, mas ao menos
possuem influência dentro dos núcleos petistas e bolsonaristas, respectivamente,
que de certa forma estão no centro do poder nos últimos anos. Já Marcos do Val representa
um desastre político para o Espírito Santo. Na imprensa nacional, o senador é frequentemente
tratado como motivo de chacota.

Recentemente, mais uma polêmica envolvendo Marcos do Val ganhou repercussão: circula
um vídeo no qual, completamente descompensado, o senador pede que os Estados Unidos
invadam o Brasil para “restaurar a democracia”. Um pedido absurdo, vindo justamente
de um brasileiro eleito democraticamente pelo voto popular em um país que vive sob
um regime democrático.

Não se sabe exatamente de quando é o vídeo, mas isso pouco importa diante da gravidade
do conteúdo. Um senador da República solicitar a intervenção de uma potência estrangeira
no Brasil é, acima de tudo, um atentado contra a soberania nacional. Eleito na onda
do “troca todo mundo” de 2018, é raro ver Marcos Do Val envolvido em debates estratégicos
para o Espírito Santo. Foi no Senado que os capixabas conseguiram investimentos 
que realmente transformaram a realidade do estado.

Há exemplos concretos na Serra, onde Gerson Camata e até políticos controversos,
como José Ignácio Ferreira, foram fundamentais para trazer investimentos estratégicos.
Foi por meio do Senado que a Serra obteve recursos para a duplicação da BR-101 no
trecho entre Serra Sede e Carapina, a construção da rodovia Norte-Sul, o Ifes de
Manguinhos, o Hospital Dório Silva e diversos outros projetos.

E nem é preciso voltar muito no tempo: a ex-senadora Rose de Freitas, no exercício
de seu mandato, destravou recursos para investimentos em cidades capixabas que dificilmente
teriam espaço no Orçamento da União sem uma forte articulação política. O Espírito
Santo depende fortemente do municipalismo, e essa deveria ser a principal função
de um senador: atuar como interlocutor entre Brasília e seu estado de origem. No
caso da vulnerabilidade política capixaba, essa missão se torna ainda mais essencial.

Infelizmente, de certa forma, o Espírito Santo perdeu essa representatividade, elegendo
senadores mais envolvidos com disputas ideológicas do que com as demandas locais.
Mas o caso de Do Val é ainda mais grave. Ocupando um assento que já foi de figuras
históricas como João Calmon, Atílio Vivacqua, Paulo Hartung e o próprio Renato Casagrande,
o atual senador não entregou nada de expressivo para o estado nos sete anos em que
ocupa o cargo.

Pior ainda: ao invés de se dedicar a pautas essenciais para o Espírito Santo, se
vê envolvido em temas irrelevantes e constrangedores, como a recente polêmica sobre
um pedido de invasão dos EUA ao Brasil, algo que soa como delírio ou alucinação 
política.

O Espírito Santo precisa recuperar sua força no Senado, pois há assuntos estratégicos
a serem tratados, como a Variante da Serra do Tigre, que pode consolidar o corredor
ferroviário Centro-Oeste e colocar o estado na rota do agronegócio brasileiro. Além
disso, é essencial debater a concessão da BR-262 e a duplicação integral da BR-101.

No contexto da reforma tributária, qual será o impacto para o Espírito Santo? O 
estado precisa de senadores que saibam dialogar com qualquer governo em Brasília,
independentemente da ideologia, e não representantes que se limitem a grupos políticos
restritos. Esse tipo de erro pode ser tolerável para estados que já possuem forte
articulação política, mas para os capixabas, a falta de liderança no Senado é um
risco enorme para o desenvolvimento do estado.

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