# “A Serra não reagiu com a velocidade e os alunos ficaram abandonados”, diz Bruno Lamas

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- Published: 2020-08-17T14:42:59-03:00
- Author: Gabriel Almeida

Nesta segunda parte da entrevista com o deputado estadual Bruno Lamas (veja a primeira–
focada em política e eleição,[ clicando aqui](https://www.portaltemponovo.com.br/a-serra-precisa-superar-essa-disputa-insana-entre-audifax-e-vidigal-diz-bruno-lamas/))
o tema é gestão. Recentemente o PSB com apoio do Instituto João Mangabeira promoveu
uma série de eventos presenciais e a distância com objetivo de produzir um diagnóstico
técnico a respeito dos problemas e soluções para a cidade, especialmente neste contexto
de crise sanitária. O resultado, de acordo com Bruno é preocupante.

Ele apontou problemas econômicos: “as empresas estão indo embora da Serra”, devido
à “demora e burocracia”; além de atrasos no quesito inovação e tecnologia que rebate
diretamente na piora dos serviços prestados na Saúde e Educação. Ele também criticou
a gestão da Prefeitura em torno da Guarda Civil Municipal, como falta de uma sede
própria e baixa remuneração.

Por fim, Bruno cobrou nominalmente dos deputados Sérgio Vidigal (PDT) e Amaro Neto(
Republicanos) a destinação de emendas para a Serra: “onde eles estão nessa pandemia?”,
questionou.

**Qual é a Serra que vamos ter no pós-pandemia?**

É o momento mais difícil da nossa história, que exige muito de nós e nos ensinou
muito também. Entretanto, apesar de toda dificuldade, tenho convicção que o ES ainda
está melhor do que a média nacional. Consequentemente a Serra também. Agora o poder
público – de todas as esferas, precisa ajudar os empreendedores que estavam na ativa,
cumprindo com suas responsabilidades, gerando emprego, trabalho e renda. Esses empreendedores
precisam de ajuda. Estou me referindo à renda, a crédito, para pagar em 30 anos.
Até porque o impacto maior da pandemia está na extrema pobreza, e só podemos superar
com trabalho, emprego e renda na veia.

**Para isso a Prefeitura com certeza vai necessitar de ajuda dos governos federal
e estadual. Acredita que essa ajuda vai vir?**

Em relação ao governo do Estado, já está acontecendo. Quando você mantém os investimentos
ativos movimenta a economia. Hoje temos pelo menos oito grandes obras estaduais 
na Serra: Av. Talma Rodrigues, que liga Laranjeiras a Jacaraípe, são R$ 9 milhões;
Na norte sul de Barcelona a Laranjeiras foram R$ 3 milhões; O hospital Materno Infantil,
os equipamentos já foram comprados, mais R$ 9 milhões, e agora o governo assume 
a gestão; Teremos a revitalização da Rodovia ES010, meu DNA, meu suor. É uma obra
de R$ 49 milhões. Além disso, temos a reconstrução da escola Aristóbulo Barbosa 
Leão; e obras em várias escolas, além de investimentos da Cesan. Tudo isso ajuda
a movimentar a economia. Mas precisa de algo mais, e o Estado prepara um pacote 
econômico de apoio à população.

**Você pode detalhar do que se trata esse pacote?**

O ES é o único estado que tem seu próprio programa de complementação de renda, que
é o Bolsa Capixaba. Hoje, 25 mil famílias do Estado recebem o Bolsa Família e recebem
o Bolsa Capixaba. A proposta do governo é quadruplicar esse valor para as pessoas
que estão vulneráveis. Mas o desafio maior, além de ampliar os benefícios, é tirar
as pessoas da situação de extrema pobreza. E a única forma disso é por meio do trabalho,
emprego e renda.

**E como vai fazer isso num cenário de queda econômica?**

Primeiro precisamos qualificar essas pessoas. Dar o suporte com benefício, mas precisa
inseri-la no mercado de trabalho. Aí eu entro em outra seara que a cidade precisa
superar: a Serra está perdendo empresas. É algo muito sensível e sério que identificamos
durante os seminários. A Wine, por exemplo, levou a maior parte da sua produção 
para Vitória. A EDP levou sua sede para Vitória; o município [Serra] perdeu a arrecadação
de ISS. Nós precisamos dar trabalho, emprego e renda para as pessoas. O município
precisa ser atrativo a novos negócios.

**Essa é uma demanda antiga de empresários…**

Eu ouvi isso em todas as regiões que nós visitamos. A burocracia da máquina, carência
de material humano; não há uma padronização, inclusive metropolitana. As regras 
de Vitória são diferentes das regras da Serra, por exemplo. A dificuldade de se 
empreender na cidade precisa ser solucionado. E é por da tecnologia à informação
que vamos conseguir. A cidade precisa ser mais inovadora; a inovação e a tecnologia
é uma coisa que não existem na Serra.

**Sobre tecnologia, a pandemia escancarou a desigualdade digital no país. Temos 
130 unidades de educação, mas sem uma tecnologia que conecte o aluno à escola. Qual
sãos os passos que precisam ser dados? **

As diferenças entre a estrutura da educação pública e privada ficaram claras durante
a pandemia. A tecnologia não existe na escola pública. Os alunos ficaram sem material
didático, sem aulas; o município não conseguiu reagir com a velocidade necessária,
e os alunos ficaram abandonados. A tecnologia e a informação chegaram para ficar,
e dentro da escola se tornam indispensáveis, é fator de virada de chave, que pode
colocar a Serra no caminho do futuro e de fazer justiça social dentro da nossa educação.

**Como prefeito, o que é possível fazer neste sentido?**

Compra de equipamentos, plataformas, internet de qualidade nas escolas, bons laboratórios
de informática, núcleos de informação e tecnologia para incentivar a pesquisa, que
pode e deve começar desde a educação infantil, ensino médio e superior.

**E na Saúde? O que o estudo feito pelo PSB em parceria com o Instituto João Mangabeira
identificou como um problema?**

A população quer mais médicos; também identificamos que o acolhimento ainda é ruim.
Há uma confusão muito grande sobre o papel do Estado e do município no que tange
à saúde. As especialidades são as grandes demandas; o Estado deve muitas consultas
aos municípios, e isso não é colocado com clareza. Além de modernizar, informatizar,
contratar mais médicos, ficou claro para nós que o Programa de Estratégia da Família(
PSF), não está em todas as regiões. O município precisa investir e ampliar o PSF
porque é o médico e a equipe de saúde indo à casa das pessoas; e vai aliviar a carga
nas policlínicas, nas UPAs e nos hospitais.

**Além dessas ações citadas, que fazem parte do planejamento do PSB para diversas
áreas de atuação, tem alguma outra que queira comentar?**

Tivemos diálogo com representantes da Guarda Municipal. Eles não tem uma base, por
exemplo. A transferência de turno de um guarda para outro é feita em local público.
Imagina trocar informações sobre sigilosas em uma local publico? Há uma defasagem
na remuneração, a média salarial não chega a R$ 1.500. Percebemos outro problema:
a gestão deveria estar sendo feita por um servidor efetivo da guarda municipal, 
mas ainda é feita por um PM. Não há uma comunicação entre comando e a base; além
de um armamento muito defasado.

**Qual é a sua avaliação sobre o governo Bolsonaro, especialmente a forma como está
lidando com a pandemia?**

Vou me ater à saúde. O governo não conseguiu liderar e nem unificar o país. A linguagem
como o Governo Federal fala não é a mesma dos governadores e isso é muito ruim. 
Outra coisa que me deixou, como cidadão, bem chateado, preocupado, é o fato de nós
enfrentarmos a pandemia sem um ministro da saúde. Nós temos um general, que é especialista
em logística cuidando de uma pasta das mais importantes e em plena pandemia. Eu 
resumo a minha opinião sobre o Governo federal dessa forma.

**Qual balanço você faz desse retomada do mandato de deputado? **

Quero uma reflexão com os serranos. Onde as principais lideranças políticas estão
nesse momento mais delicado da nossa história? A cidade tem representantes na Assembleia,
na Câmara dos Deputados, tem um senador que foi extremamente bem votado na cidade.
Na nossa simplicidade, o nosso último gesto foi R$ 511 mil depositados na conta 
da prefeitura por meio de emenda minha. Sempre destinei emendas para as escolas,
esse ano a prioridade foi à saúde para enfrentar a pandemia.

**E em termos de projetos? **

O Governo está na iminência de sancionar um projeto meu, obrigando os planos de 
saúde a cobrirem os testes do coronavírus.  Tenho sido um deputado importante no
diálogo do município com o governo do Estado. A obra da Talma Rodrigues, por exemplo,
faltavam 30 dias para vencer a validade da licitação. Ela não aconteceria. Mas fomos
lá e intercedemos, e o governador autorizou a assinatura do convênio imediatamente.
Ai eu pergunto, onde estão as outras lideranças da cidade?

**A quem se refere quando aponta essa ausência?**

Eu me refiro ao Vidigal (PDT), ao Amaro Neto; aos meus colegas deputados estaduais.
Emenda parlamentar é algo que depende única e exclusivamente do parlamentar. Então
priorizar outros municípios é uma decisão do parlamentar. Mas, e a Serra, que foi
a base eleitoral? Eu fiz o meu dever de casa; me fiz presente, com ações, com diálogo,
fazendo a ligação com o Governo do Estado, e com recurso financeiro, os diversos
que pude citar aqui agora, inclusive a emenda parlamentar.
