# A lista de Fachin

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- Published: 2017-04-13T09:23:54-03:00
- Author: Ana Paula Bonelli

Um dos momentos mais temidos para parte dos políticos brasileiros se concretizou
na tarde da última quarta-feira, dia 11 de abril.
 O ministro Edson Fachin, do Superior
Tribunal Federal – STF, autorizou a abertura e a divulgação de inquéritos dos citados
nas delações dos ex-executivos da Odebrecht.

Antes desse anúncio houve várias tentativas de descriminalizar a prática de caixa
2 em campanhas, quase que como uma confissão de culpa daqueles que sabiam que seriam
envolvidos. Várias articulações e proposta de anistia (perdão) à prática foram discutidas
na Câmara Federal – inclusive em horários bastante alternativos, como na madrugada
do dia 24 de novembro do ano passado.

Mas o que é o caixa 2 afinal? Em grandes linhas, trata-se de doações não declaradas–
tanto pelo doador como pelo receptor. Tais transferências nascem de procedimentos
ilegais e estimulam os mesmos, pois sem o controle contábil oficial, esses recursos
servem, entre outros, para enriquecimento ilícito de quem recebe. E por parte dos
doadores, há a expectativa declarada de receber contrapartidas: aprovação de leis
que beneficiam determinadas empresas e/ou irregularidades em licitações (geralmente
superfaturadas) em prol dos doadores. A população, em ambos os casos, é lesada frontalmente
em seus interesses coletivos.

Nada menos que 1/3 dos ministros do Governo Michel Temer foi citado na lista. Da
mesma forma, mais 30% dos senadores integram os procedimentos na figura de investigados,
incluindo o presidente do senado, bem como 39 deputados federais dos mais variados
partidos.
 A divulgação teve rebatimentos aqui no Espírito Santo. Políticos com 
grande expressão como Paulo Hartung, Renato Casagrande, Ricardo Ferraço e Luciano
Rezende aparecem entre os citados (confira a lista completa no site do STF: http://
www.stf.jus.br/arquivo/cms/noticiaNoticiaStf/anexo/lista.pdf).

Convém destacar que não há inquéritos abertos, nesse caso, contra nenhum político
do município da Serra. Vale ressaltar, também, que a lista divulgada não é uma sentença
de culpa. Agora se dará seguimento às investigações que a conduziu até este ponto.
