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“Só estava no grupo para votar, eu não servia para ser votada”

A presidenta Neidia Maura acredita que mesmo depois da polêmica, haverá harmonia entre os vereadores da Câmara da Serra. Foto: Fábio Barcelos

Yuri Scardini

Depois de ser a pivô da polêmica eleição da Mesa Diretora da Câmara da Serra, que consagrou a reeleição de Neidia Maura Pimentel à frente do legislativo a vereadora fala pela primeira vez sobre os motivos de ter saído do grupo de oposição e ter migrado para o grupo dos governistas. Confira: 

Presidente, a senhora surpreendeu a todos ao migrar do grupo dos 12 para o grupo do prefeito Audifax. Porque a senhora tomou essa decisão?

Durante as negociações das coligações para as eleições do ano passado, o meu partido (PSD) abriu mão de duas coisas, a primeira era ter candidatura própria e depois abrimos mão de indicar o vice na chapa do PDT. A contrapartida seria o compromisso que nós do PSD teríamos o apoio dos vereadores eleitos na nossa coligação encabeçada pelo PDT, para minha reeleição à Presidência da Câmara da Serra.

 E isso não aconteceu?

Mesmo depois do resultando desfavorável ao PDT nas eleições, tivemos inúmeras reuniões com o presidente estadual do partido, o deputado Sérgio Vidigal, e este compromisso estava de pé, no entanto na hora de decidir dentro do grupo o nome do presidente na chapa, percebi que nem ao menos o voto dos três vereadores do PDT eu tinha. Além disso, havia um outro vereador que disse para todos sem segredo que caso eu fosse escolhida ele sairia do grupo, ou seja eu só estava ali para votar, e não servia para ser votada, exatamente neste momento a minha permanência no grupo começou a ser reavaliada por mim e pelo meu partido.   

Mesmo perdendo a eleição de prefeito, a senhora julga que o deputado federal Sérgio Vidigal teria que cumprir com o acordo de dar os votos dos vereadores do PDT para a senhora?

Claro, pois o meu compromisso em andar a Serra pedindo votos para ele foi cumprido, e quando formalizamos este acordo, participaram da conversa não apenas eu, mais os presidentes do PSD municipal e estadual Flávio Serri e José Carlos da Fonseca Júnior, além do Amarildo Lovate presidente estadual do PSL, partido que firmamos a nossa coligação proporcional e elegeu o vereador Adilson de Novo Porto Canoa junto comigo na chapa.  

 

A senhora criou a imagem de uma mulher de luta, guerreira, que supera as adversidades. Agora lida com a pecha da traição. Como vai convencer as pessoas que a senhora é vitima de um acordo não cumprido?

 

Primeiro que não trai ninguém, pelo contrário fui traída e quem me conhece sabe que não sou mulher de inventar história, e desafio qualquer um dos que falei que participaram da reunião na sede estadual do PSD em Vitória me desmentir, fizemos um acordo e acordo é para ser cumprido, se eu não posso cumprir eu não faço, mas fiquei muito triste com os companheiros que estavam no grupo pois não foram eles que deram a palavra, mas tenho conversado com vários deles e hoje muitos deles já entenderam minhas razões.

 

A senhora subiu e desceu a montanha varias vezes; conviveu com os outros 11 vereadores e seus familiares por vários momentos lá no sítio do Nacib, eles acreditavam na senhora. Como á senhora vai conviver com eles agora?

 

Vimemos em uma democracia, e ninguém é obrigado a votar em ninguém, se tivessem me falado desde o início tudo que descobrir nas vésperas da eleição da mesa diretora, todo esse constrangimento poderia ter sido evitado, talvez nem ido para o sitio eu teria ido, o problema foi deixar para decidir tudo nas vésperas, já participei de várias eleições da Câmara, e esse movimento dos vereadores em se retirarem alguns dias antes sempre aconteceu, mas só viaja com presidente escolhido, não foi eu quem montou a estratégia mas quem montou cometeu um erro. Da minha parte já estou trabalhando para ter uma Câmara harmonizada, é isso que espero dos meus pares, para dedicarmos nosso tempo para trabalhar para a população.

     

Em 2014/2015 A senhora lutou contra Guto, Xambinho, outros vereadores e até com a desconfiança de que o prefeito Audifax patrocinava a tomada da presidência da senhora e hoje a senhora está do lado deles. Tem algum constrangimento?

 

Nenhum, aprendi a olhar para frente, estou focada em dar o meu melhor para a Serra, o que passou ficou no passado agora novo mandato e nova vida.

 

O pensamento que a senhora tem hoje do prefeito Audifax é diferente daquele que a senhora expressou nos últimos dois anos e que estão aí, gravados na memoria de milhares de pessoas e que estão nas redes sociais para quem quiser ouvir?

 

Audifax é o prefeito e eu a presidente da Câmara, vou trabalhar como sempre trabalhei de forma independente, respeitando meus pares, as comissões, e acima de tudo, a população. Audifax foi eleito pelo povo da Serra para administrar a cidade e a vontade da população tem que ser respeitada, as matérias de interesse da população continuarão sendo prioridade na Câmara. 

 

Como a senhora vai pacificar uma Câmara rachada e com boa parte dos vereadores a taxando de traidora?

 

Muito dialogo, já tenho conversado com vários vereadores e tenho certeza que vamos fazer uma legislatura muito propositiva para a cidade.

 

Mais uma vez o mandato de presidente da senhora deve bater nas portas da Justiça. A senhora vai tentar evitar isso?

 

Como disse estou dialogando com todos os vereadores, mas caso seja judicializado estamos preparados para enfrentar mais esse embate, até por que nossa eleição foi legítima, dentro da legalidade, e outra coisa eu acredito muito no judiciário capixaba, pois já vivi esse tipo de ação no passado e o judiciário sempre me deu demonstrações de seriedade e imparcialidade que é o que vou precisar caso isso se concretize.  

Gabriel Almeida

Jornalista do Tempo Novo há mais de oito anos, Gabriel Almeida escreve para diversas editorias do jornal. Além disso, assina duas importantes colunas: o Serra Empregos, destinado a divulgação de oportunidades; e o Pronto, Flagrei, que mostra o cotidiano da Serra através das lentes do morador.

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